Mostra Internacional de Cinema SP 2014 | parte 1

19 10 2014

38-mostra-cinema-sp-300x194

15 ANOS + 1 DIA (Espanha)– A rebeldia comportada de Jon (vamos admitir, as suas ‘travessuras’ nem são tão graves assim para justificar a sua suspensão de 3 meses na escola) o leva a passar uma temporada na casa de seu avô, longe de qualquer apetrecho eletrônico.

Por mais problemático que seja, Jon (Arón Piper, de Maktub) tem um bom relacionamento com sua mãe (Maribel Verdú, do inesquecível O Labirinto do Fauno e E Sua Mãe Também), uma atriz que poderia ser veterana, mas não é. A dificuldade para ela conseguir um trabalho qualquer é tanta que até a própria mãe dela admite que a situação só não é pior devido ao bom patrimônio deixado pelo pai de Jon, cuja morte ocultada vira um dos escopos da trama.

E esse é o grande problema de 15 Anos + 1 Dia – a quantidade excessiva de temas abordados –, que acaba enfraquecendo-o como um todo narrativamente falando. Uma hora são problemas inerentes a qualquer adolescência comum, depois são os problemas familiares do passado que ainda ecoam no presente, uma discussão tola envolvendo uma desnecessária briga de vizinhos e, por fim, uma questão policial que ocupa toda a sua metade final. Tudo desenvolvido sem um aprofundamento apropriado e sem despertar o interesse necessário.

NOTA: 2/5

PÁSSARO BRANCO NA NEVASCA (EUA/França)– Podemos dizer que Kat (mas a não a Katniss de Jennifer Lawrence em Jogos Vorazes e sim Katrina Connor, vivida pela igualmente linda Shailene Woodley – vista recentemente em produções de grande apelo público como Divergente e A Culpa é das Estrelas) amadureceu bem apesar de todo o estranho ambiente familiar que a cercava.

Seus pais viviam um autêntico casamento de fachada, um relacionamento onde imperava a infelicidade. Eva Green (de Cruzada e Sin City: A Dama Fatal), que interpreta a mãe da adolescente, Eve Connor, encarna maravilhosamente bem todas as fases e temperamentos de sua personagem: desde a esposa dedicada e ideal no início de casamento até chegar ao ápice de uma mulher a beira da loucura, consumida pelo tédio que a união com Brock Connor (Christopher Meloni, Noites de Tormenta e O Homem de Aço) despertou.

Estar na pele de Kat não era mesmo uma tarefa fácil, que ouvia quase a todos os instantes as lamentações da mãe pelo casamento até o momento em que essa desaparece em 1988, quando a garota tinha então 17 anos. Pode até parecer estranho, mas o sumiço repentino da mãe pouco alterou a rotina da filha: continuava saindo com seus melhores amigos Beth (Gabourey Sidibe, que surgiu no filme Preciosa: Uma História de Esperança e da série The Big C) e Mickey (Mark Indelicato, da série americana Uggly Betty); tinha que conviver com um pai apático e apenas o seu relacionamento com Phil (Shiloh Fernandez, A Morte do Demônio e A Garota da Capa Vermelha) vinha esfriando desde então.

Embora não consiga desenvolver suas subtramas (caso de Kat com o detetive que investiga o sumiço de sua mãe) com a mesma qualidade vista no plot principal, Pássaro Branco na Nevasca melhora sempre quando volta para o seu foco primordial: desvendar o que de fato ocorreu com Eve. O longa de Gregg Araki (também diretor de Mistérios da Carne) não assume as características de um thriller policial, mas se sai bem na parte investigativa utilizando-se de pistas soltas ao longo da história. Não podemos deixar de citar a boa trilha sonora com músicas da época e o carisma demonstrado por seu elenco de coadjuvantes.

Nada disso, porém, preparou ou indicou o caminho para o seu desfecho e suas motivações.

NOTA: 4/5

FILHO DE TRAUCO (Chile) – No Chile há uma lenda que diz que crianças cujos pais são desconhecidos e são criadas por mães solteiras acabam sendo chamadas de ‘filhos de Trauco’. Uma crendice muito popular em vilarejos afastados dos grandes centros urbanos, encravados no interior do país. Crendice que ganha ainda mais força em uma comunidade instalada numa ilha isolada da parte continental do país.

O protagonista do filme, Jaime (o novato Xabier Usabiaga), se enquadra parcialmente nessa descrição.  O jovem de 14 anos desconhece a sua paternidade, mas mesmo sendo habitante da ilha, não cai facilmente nos contos criados pelos seus conterrâneos. O seu espírito poético é libertador (que mais tarde o longa revela ser um dom herdado de seu pai), o que invoca nele uma imensa vontade de deixar a ilha e seguir para o norte do Chile, rumo à uma cidade maior. Uma ideia que ganha mais força ao ser suspenso injustamente pela direção de sua escola em um caso de plágio.

Filho de Trauco é o primeiro longa-metragem do diretor Alan Fischer, que a partir de uma lenda urbana, cria uma aventura juvenil com Jaime em busca da verdade sobre a identidade de seu pai, deparando-se com uma nova versão sobre a identidade do seu pai e o que lhe ocorreu a cada passo dado. Tudo envolto por uma atmosfera híbrida meio fantástica, meio real, criada habilmente através de criativos créditos iniciais (que acabam nos apresentando a ilha onde a trama se passa) e as recriações digitais de visões de Violeta (a estreante Ignacia Tellez), o primeiro interesse amoroso de Jaime. Mas nada muito além disso.

NOTA: 3/5

-*-*-*-

ATENÇÃO: Esse post inicial é apenas um aperitivo. A cobertura do Universo E! na 38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo continua no próximo fim-de-semana, onde dedicaremos, no total, 5 dias ao festival.

Anúncios




ANÁLISE: Ela

26 02 2014

Pode-se afirmar que Ela se passa num futuro não muito distante onde a presença da tecnologia será ainda maior que nos dias atuais. Mas esqueça botões e cliques. Até o modo touch – tão em voga hoje – será pouco utilizado. Todo contato homem-máquina será feita através de comando de voz. Em vez de vários equipamentos e gadgets, teremos um aparelho central sincronizando o computador pessoal em casa com o nosso protótipo de celular fora dela.

Conhecemos parte desse mundo acompanhando a rotina do solitário Theodore (Joaquin Phoenix, O Mestre e Johnny & June) que trabalha ‘redigindo’ cartas para terceiros. Como dito anteriormente, nada de teclas e nem canetas, Theodore dita o texto e o computador trata de escreve-lo, ou melhor, digita-lo. No caminho de casa, ele vai recebendo informações sobre e-mails recebidos recentemente ou notícias gerais pelo fone de ouvido, assim como troca as músicas que quer ouvir sem utilizar um único dedo. Em casa, o videogame é um belo exemplo de imersão, onde o ambiente gráfico do jogo se funde com o espaço de sua sala de estar.

Parece ser um mundo perfeito e bastante divertido, não? Parece, mas não é. Não para Theodore, que cumpre todas as suas obrigações no chamado piloto automático e não demonstra alegria em momento algum. Optar por ouvir músicas melancólicas também é um bom indício de que algo não esteja bem.

Numa certa manhã, como qualquer outra, Theodore é convidado a instalar uma atualização do sistema operacional em seu computador. A nova versão do software é um novo modelo baseado na inteligência artificial, que faria muito mais do que ler os caracteres na tela. Seria capaz de interagir com seu ‘dono’, elevando a um patamar impensável o relacionamento entre  o homem e seu computador.

Não poderia haver nada melhor para Theodore nesse momento por qual ele passava. Se dias atrás ele se encontrava solitário, agora tinha a presença quase onipresente da voz de Scarlett Johansson (Encontros e Desencontros e Os Vingadores) o auxiliando no dia-a-dia: na redação de sua cartas como corretora e aperfeiçoadora de textos, nas pequenas escolhas corriqueiras, nos relacionamentos com outras pessoas. Tudo a partir de uma habilidade descomunal de processamento de dados que consegue, por exemplo, escolher o seu próprio ‘nome’ acessando uma lista com mais de 180 mil possibilidades em frações de segundo. Algo impossível para qualquer humano.

Nesse relacionamento improvável que começa a ser construído descobrimos o que tanto afligia Theodore: a sua recente separação com a ex-mulher Catherine (a irreconhecível Rooney Mara, se você a conhece apenas a partir de Millenium: O Homem que Amava as Mulheres). Um casamento que tinha tudo para dar certo se não fosse a extrema dificuldade dele no relacionamento com outras pessoas. Joaquin Phoenix consegue transmitir bem esses traços de seu personagem que não cede de seu egoísmo e de seus modos e acaba sufocando, anulando a sua ex-parceira na relação. Catherine não suportou a insegurança dele percebendo que o modo seco de agir do, até então, marido não deixaria o casamento prosperar.

Ao mesmo tempo em que conhecemos esse lado pouco amistoso de Theodore, também não deixamos de verificar a sua fragilidade como ser humano, criando-se assim uma empatia muito grande com o personagem que em nenhum momento põe maldade em suas intenções com Catherine ou qualquer outra pessoa. Os flashbacks dos momentos felizes do casamento do redator de cartas solitário mostram o quanto esse sofre (na realidade ambos sofrem) com a separação. Se naturalmente Theodore já apresenta muita dificuldade em lidar com as pessoas, dolorido por dentro e sentindo saudades de Catherine, a situação só tende a piorar. E não há auxílio que Samantha possa oferecer (o sistema computacional até tenta) que resolva isso.

O novo sistema operacional a partir de Samantha torna-se então perfeito para Theodore eliminando a característica com a qual ele não consegue lidar numa relação a dois: o fator humano. Assim, a premissa absurda de Ela à primeira vista, torna-se totalmente plausível com o desenrolar da trama e o diretor e roteirista Spike Jonze (diretor do lindo Onde Vivem os Monstros e Quero Ser John Malkovich) acerta ao colocar os dois lado da moeda na história, criando ainda mais verossimilhança a história: a amiga Amy (Amy Adams, Trapaça e O Homem de Aço) não só compreende Theodore como também cria laços afetivos e com um sistema operacional de outrem, enquanto Catherine e demais amigos veem essa relação como uma grande maluquice.

O filme Ela fascina não apenas pelo desenvolvimento de personagem que oferece – e conta com a competência de Joaquin Phoenix para tanto -, mas também pela construção crível de um mundo com as tais características descritas aqui e pensando em todas as possibilidades que elas poderiam criar. O desfecho é igualmente satisfatório, afinal aquilo que falta em Theodore e que Samantha (e os demais sistemas operacionais) possuem em excesso impedem (felizmente ou não?) um futuro baseado em ‘casamento’ de homens e mulheres com seus computadores: o amadurecimento dele e a evolução desenfreada dela. Questionamentos que perduram após a sessão e fantásticos são os filmes que provocam isso em seus espectadores.

NOTA: 5/5





ANÁLISE: Trapaça

17 02 2014

A cena de abertura de Trapaça explica muito bem porque Irving Rosenfeld (Christian Bale, trilogia O Cavaleiro das Trevas e O Vencedor) obteve tanto sucesso em seu ramo de atividade, a aplicação de golpes financeiros. Profissionalmente, ele tem a mesma paciência e a mesma preocupação com os mínimos detalhes que utiliza para esconder sua calvície.

Com a capacidade de enganar as pessoas desde criança, época em que quebrava vitrines alheias propositalmente para ajudar a vidraçaria de seu pai, Irving vê nas falcatruas que aplica uma pura questão de sobrevivência, onde simplesmente não tem ou não consegue obter outro modo de viver. Ciente da importância dessa discrição, ele sabiamente mantem sua esposa Rosalyn Rosenfeld (Jennifer Lawrence, da franquia Jogos Vorazes e de Inverno da Alma), pois seu comportamento bipolar e seu temperamento explosivo colocaria tudo a perder.

A parceira ideal para o mundo da trapaça Irving encontra em Sydney Prosser (Amy Adams, O Homem de Aço e Encantada), uma mulher sedutora que utiliza todo o seu charme para atrair cada vez mais clientes desesperados. Um charme que, aliado ao seu forjado sotaque britânico, atribuía um aspecto multinacional e legítimo à parceria desenvolvida por eles, resultando num aumento das cifras obtidas no final do ‘expediente’.

O círculo da trama apresentada por David O. Russell (que já trabalhou com boa parte do elenco deste longa em seus projetos anteriores como O Vencedor e O Lado Bom da Vida) se encerra com a participação de Bradley Cooper (Se Beber Não Case e O Lugar onde Tudo Termina) no papel de Richie DiMaso, o agente do FBI responsável por prender Irving e Sydney em flagrante. Ao invés de condená-los, Richie quer a cooperação do casal golpista na aplicação de mais quatro armações afim de pegar o maior número possível de estelionatários, incluindo aí políticos e grandes nomes da máfia americana envolvida nos jogos existentes na costa oeste americana.

Obcecado por um resultado vultuoso de sua operação, o que lhe garantiria um lugar de destaque dentro do FBI e não apenas um mero cargo administrativo dentro da agência, Richie não poupa e nem energia para que os corruptos venham a tona. Assim temos a sequência que abre o filme com o trio – Irving, Sydney e Richie – em uma reunião com o prefeito Carlito Polito (Jeremy Renner, Os Vingadores e Guerra ao Terror), onde tentam se utilizar da reconstrução de Nova Jersey para uma arrecadação irregular de milhões de dólares.

Se antes era previsto apenas o envolvimento de personagens de prestígio da política americana (senadores e congressistas), a aproximação exagerada com a máfia americana dos jogos de azar acaba exigindo passos mais elaborados e caro (com o aluguel de jato executivo e andares inteiros de hotéis luxuosos) do FBI, algo que Richie consegue a duras penas e com muita, literalmente, luta. Mas nem toda essa sofisticação foi capaz de enganar o ‘poderoso chefão’ dos jogos, o senhor Victor Tellegio (Robert De Niro, Os Bons Companheiros e Última Viagem a Vegas), que astuto e desconfiado, descobre a farsa do árabe mexicano. E como o próprio personagem de Bale afirma, essa descoberta os colocam em algo muito pior que a cadeia.

Trapaça cria um mergulho incrível do espectador na década de 70. Imersão que se inicia já com a exibição retrô do logo da Columbia, passa pela cena mais clichê possível dentro de uma danceteria com os passinhos à la John Travolta e chega ao figurino, que uso de decotes abusivos, tanto femininos quanto masculinos, e que se encaixam perfeitamente nas belas silhuetas de Amy Adams e Jennifer Lawrence.

Jennifer, aliás, que faz jus a sua indicação ao Oscar ao incorporar toda a explosão temperamental de Rosalyn, uma mulher que acredita piamente ser a responsável pela resolução de toda a trama, sendo que o máximo que conseguiu foi deixar ela, o filho e Irving jurados de morte. Mas o seu talento não para por aí e são memoráveis as cenas de humor por ela protagonizadas, principalmente na hora de manusear um ‘forno científico’ que “tira nutrientes da comida e ainda ateia fogo na casa”; o embate com Amy Adams no banheiro feminino ou todas as tentativas de atrair a atenção de todos, negativamente, nas confraternizações que o marido frequenta. Nesses momentos entendemos o porquê de Irving mantê-la afastada de tudo.

Com toda essa investigação, Richie equivocou-se em apenas uma atitude: a de confiar plenamente em Irving. O personagem de Christian Bale não se sentia nem um pouco a vontade de, lentamente, ir delatando seus companheiros para o FBI, principalmente o prefeito de Nova Jersey, quem considerava muito. E ser jurado de morte foi a gota d’água. Como bom trapaceiro que sempre foi e sem a possibilidade de voltar ao passado depois de tudo que fez, Irving trabalha sorrateiramente para amenizar tudo aquilo que causou, direcionando os passos da investigação para aquele que menos culpa teve: o cabeça por trás da operação, Richie. Um desfecho que ocorre abrupto demais.

Observa-se em Trapaça uma excelente escolha para uma sessão dupla com O Lobo de Wall Street, que abordam dois temas praticamente idênticos (golpes financeiros), mas trazem protagonistas de perfis complemente diferentes: aqui David O. Russel vem com um Christian Bale comedido e pés no chão, enquanto Martin Scorsese nos traz um excêntrico Leonardo DiCaprio. Ambos longas trazem coadjuvantes competentes, embora estes adquiram um valor narrativo bem maior do que o observado em O Lobo de Wall Street, até mesmo por estarem em menor quantidade e pela menor ambientação geográfica da história de Trapaça, onde a interação com a história principal é maior. Se em 2013 tivemos um insosso O Labo Bom da Vida, 2014 temos razões melhores para torcer pelo filme de David O. Russell no Oscar.

NOTA: 4/5

 





Superman e Batman juntos, só em 2016!

18 01 2014

A Warner Bros alterou o início da produção do novo filme de Superman (Superman vs Batman) para meados de maio/junho desse ano e o lançamento do blockbuster foi espichado para 06 de maio de 2016. A data de estreia anteriormente prevista para ele (17/07/2015), agora será destinada ao filme Pan, baseado na obra original de Peter Pan, com Joe Wright na direção e, por enquanto, só com Hugh Jackman confirmado no elenco.

superman-batman-logo

Com a decisão, Superman vs Batman esvazia um calendário de 2015 recheado de grandes estreias, entre elas: o reboot de Quarteto Fantástico, Os Vingadores 2: A Era de Ultron, Terminator: Genesis, Independence Day 2, Jogos Vorazes: Esperança – Parte 2 e Star Wars: Episódio VII. De acordo com a Variety, a opção pelo adiamento ocorreu para que os produtores pudessem realizar completamente a visão complexa que possuem para o longa.

Quem está sob pressão após esse reagendamento de datas é o tão criticado Ben Affleck (cujo Argo venceu o Oscar de melhor filme no ano passado). O ator só estará disponível no final deste ano para dirigir Live by Night, que já tem data de estreia marcada para o Natal de 2015.

Superman vs Batman trará novamente o grande elenco que esteve presente em O Homem de Aço: além de Henry Cavill que vive o protagonista, retornam também Laurence Fishburne, Amy Adams e Diane Lane.

EDIT 26/01/2014 – A razão para a mudança da estreia em um ano tem um nome: Ben Affleck. Pois é grande a probabilidade do ator não vestir o uniforme negro do homem-morcego.

Tudo isso em grande parte pela recepção negativa dos fãs com o anúncio de Affleck como Batman. Por isso, além da alteração da data de estreia, possivelmente haverá no futuro um ‘desentendimento criativo’ entre o ator e o diretor Zack Snyder.

Toda uma desculpa para diminuir a importância dos fãs nessas alterações e nem deixar transparecer que um grande estúdio como a Warner Bros deixe-se influenciar tão fácil assim!





Passou pelo cinema…

28 09 2013

O objetivo desse post é retirar o Universo E! um pouco do atraso de suas atualizações em relação ao cinema. Você poderá ver, por exemplo, que os filmes destacados e comentados aqui já saíram há uns bons dias dos cinemas e não gostaria de perder as anotações que fiz na época sobre cada um deles.

O que está posto a seguir não são as “Análises” propriamente ditas, a sessão mais frequentada e mais buscada por quem nos lê, mas acho válido elencar aqui os aspectos gerais das produções que estiveram em cartaz de meados de julho para cá, que será justamente o tema desse e dos próximos posts a seguir, comentados em geral ou em particular na sessão “Análises”.

Espero que gostem!

fdf-pacific rim

CÍRCULO DE FOGO – Guillermo Del Toro (Hellboy e O Labirinto do Fauno) nos confirma que um típico filme blockbuster pode sim ter uma boa história e não basear-se apenas em ação e explosões.

Ciente do público alvo de sua história, a introdução consegue posicionar os seus personagens na trama e apresentar sua mitologia de forma rápida e sucinta. O surgimento dos Kaiju, monstros gigantes que surgiram das profundezas do Pacífico; a dificuldade da humanidade em derrotá-los em suas primeiras aparições até a criação dos Jaegers, um programa de defesa baseados em robôs gigantes, tal qual o seu adversário.

Tamanha dificuldade em controlá-los que eram precisos dois pilotos para guiar os robôs gigantes em ataque, o que só era possível através de neuro-conexão entre eles. Essa divisão de memórias cria um bom conflito emocional em seu ato principal, onde Raleigh (Charlie Hunnam, Filhos da Esperança e da série Sons of Anarchy) precisa ensinar a sua nova parceira, Mako Mori (Rinko Kikuchi, de Vigaristas, Como na Canção dos Beatles: Norwegian Wood e do ainda inédito Os 47 Ronins), a dominar as suas lembranças para que, juntos, possam mostrar o verdadeiro valor dos Jaegers. Os robôs passaram a ser desacreditados após uma fatalidade ocorrer com o irmão de Raleigh, Yancy Becket (Diego Klattenhoff, Depois da Terra e Xeque-Mate).

Se toda a trama principal tem o seu valor e consegue despertar o interesse do espectador, por outro lado, o núcleo utilizado como alívio cômico não é bem sucedido em seu propósito. Sempre que esse recurso é utilizado em cena, surge em tela momentos que destoam do bom grau de verossimilhança atingido pela trama principal. Entretanto, alguns desses mesmos personagens apresentam um valor narrativo, pois é justamente a partir deles que a história adquire um ritmo de urgência ainda maior com uma experiência para obter um conhecimento mais amplo sobre os monstros das profundezas oceânicas, mas que acabam fortalecendo-os inesperadamente.

Desvendando mais alguns segredos que se encaixam perfeitamente na mitologia estabelecida, o desfecho final  só não empolga mais ao trespassar o limite do aceitável ao se aproximar inconsequentemente do megalomaníaco, diminuindo (assim como o dito núcleo cômico) toda a natureza real criada habilmente até aqui.

P.S.: um acréscimo importante – o compositor indiano Ramin Djawadi (responsável pelas trilhas sonoras de Game of Thrones e Prison Break) realiza um trabalho excepcional na trilha sonora. Canções que lembram muito as trilhas de Transformers, Avatar e da trilogia O Senhor dos Anéis, sem perderem, contudo, os seus traços originais numa mistura gostosa e eclética entre a guitarra, a batida eletrônica e a música clássica. Ramin merece toda uma maior atenção maior em seus trabalhos futuros.

NOTA: 4/5

fdf-manofsteel

O HOMEM DE AÇO – Os filmes sobre super-heróis tendem a fracassar como estrutura e como filmes relevantes num futuro não muito distante. E o fracasso virá ainda mais rápido se os estúdios continuarem a apostar nessa fórmula de reboot com o foco apenas em bilheteria.

A todo o momento, eles apostam em um novo super lançamento de um determinado personagem, num looping interno, mesmo com poucos anos (cinematograficamente falando) entre a antiga e a nova franquia. É o que se constata nesse novo O Homem de Aço; é o que se viu no lançamento recente do último O Espetacular Homem-Aranha e é o que se verá no novo Super-Homem com a participação de Ben Affleck (re)vivendo o homem-morcego no Batman vs Superman, previsto para 2015.

Até quando o fôlego e o entusiasmo dos fãs manterá essa nova tendência da indústria de Hollywood? Torçamos, para o bem dela, que seja por pouco tempo. Não quero ver uma nova leva de filmes baseados nos componentes de Os Vingadores, a partir de 2025 por exemplo.

Esse é o mal que sofre O Homem de Aço. Pouco adianta acrescentar novos detalhes no mundo de Krypton; criar novas explanações para o S no peito de Clark Kent, encarnado agora pelo apenas regular Henry Cavill (Imortais e Stardust – O Mistério da Estrela); inserir novos detalhes em paisagens e cenários já largamente usados em todas as outras mídias em que a história dele foi contada.

O desânimo geral aumenta ainda mais com a relativamente longa de introdução do longa de Zack Snyder (diretor de 300 e Sucker Punch: Mundo Surreal). O envio do último cidadão de Krypton à um planeta distante devido as circunstâncias nada promissoras em sua terra natal, todos já sabem de cor e salteado. Seria preciso muita criatividade para acrescentar algo de interessante aqui e em O Homem de Aço, claramente, não a temos! E a suposta traição de seus pais – vividos por Russell Crowe (Os Miseráveis e Gladiador) e Antje Traue (Pandorum e 5 Dias de Guerra) – para com Krypton ao enviar o recém-nascido Kal-El para cá é o combustível para a vingança do general Zod (Michael Shannon, de O Abrigo e Vanilla Sky) e o motivo pelo qual o vilão volta suas preocupações para a Terra.

A longa permanência da história em Krypton em seu início obriga os responsáveis pelo roteiro – escrito por Daniel S. Goyer e Christopher Nolan, dupla também responsável pelo roteiro da trilogia de O Cavaleiro das Trevas – a abordarem a infância e juventude do agora Clark, assim como o seu convívio com os Kent’s -Kevin Costner (Os Intocáveis e O Mistério da Libélula) e Diane Lane (Jumper e Mar em Fúria) – ao longo do filme através de flashbacks. O início do relacionamento dele com Lois Lane, a apagada Amy Adams (O Vencedor e Prenda-me se for Capaz), sua batalha na Terra contra Zod (que realmente impressiona com a magnitude e ritmo alcançados) carecem de algo novo que possa verdadeiramente despertar uma atenção maior do espectador. Não há algo novo ou surpreendente que torne  O Homem de Aço inesquecível. Ou até mesmo um bom passatempo.

NOTA: 2/5

fdf-paingain

 

SEM DOR, SEM GANHO – A maior surpresa dessa nova produção de Michael Bay (dos Transformers e Armageddon) é não se situar num gênero específico. Você sai da sala de cinema sem compreender se o que acabou de assistir é uma comédia, um drama ou um filme de ação/suspense. E, possivelmente, desmantela qualquer concepção que alguém possa ter feito antes de assisti-lo.

O drama está aí. A ação e o suspense também. A comédia ainda mais: desde aquela cena sucinta ou criativamente elaborada até a mais escatológica das cenas típicas dos besteróis que só Hollywood tem capacidade de fazer, sem desmerecer em nenhum momento a história que vem sendo contada. Em meio a tudo isso, Sem Dor, Sem Ganho ainda consegue construir com propriedade sua própria tese política sobre a sociedade americana, em particular, e a ocidental como um todo, mesmo que esse não seja um dos seus principais objetivos.

Se essa descrição pura e simplesmente consegue resumir a receita para um fracasso total de uma realização para o cinema, é justamente a junção de aspectos tão contraditórios entre si que fazem este filme valer a pena.

A começar pelo trio de protagonistas com Daniel Lugo (Mark Wahlberg, Um Olhar do Paraíso e Ted), Paul Doyle (Dwayne Johnson, Velozes e Furiosos 5, 6 e do próximo 7 e O Escorpião Rei) e Adrian Doorbal (Anthony Mackie, Guerra ao Terror e Os Agentes do Destino), onde seus atores encontram-se inspiradíssimos em suas atuações ao retratar o inconformismo de seus personagens com suas respectivas vidas, grande parte delas dentro de uma academia de ginástica. Esse é o grande motim que desencadeia tantas situações hilárias e absurdas.

Assim passam a arquitetar uma forma de sequestrar um milionário frequentador dessa academia e aluno do Daniel Lugo, Victor Kershaw (Tony Shalhoub, o eterno Monk), e se apossar de toda sua fortuna. Sem muita experiência no ‘ramo’, o plano infalível do trio parada dura segue aos trancos e barrancos, baseando-se sempre no esquema tentativa-e-erro. Mais erros do que tentativa propriamente dita, que por uma série de fatos insanos, tal trambique consegue funcionar milagrosamente.

Mas por não saberem o exato ponto onde parar e a ambição põe tudo o que conquistaram (criminosamente) a perder.

NOTA: 4/5





Círculo de Fogo encerrando a atual temporada de blockbusters

13 07 2013

Guillermo del Toro (de O Labirinto do Fauno e Hellboy) é o diretor responsável por finalizar a temporada 2013 de blockbusters no cinema, que compreende os meses de maio, junho e julho, período que marca a proximidade das férias de verão para os nossos amigos no hemisfério norte, do Canadá e EUA até a Europa.

Diversas animações foram reservadas para essa época:  já vieram as continuações Universidade Monstros pela Disney/Pixar, e Meu Malvado Favorito 2 pela Universal (que também desbancou O Cavaleiro Solitário com Johnny Depp da liderança das bilheterias americanas na sua estreia). Há ainda a estreia programada de Turbo da DreamWorks Animation para esse período. Na categoria de filmes de heróis, Homem de Ferro 3, O Homem de Aço e Wolverine – Imortal também desembarcam(ram) nesse período. Já a produção de del Toro compete juntamente com os pós-apocalípticos Depois da Terra (com Will Smith e sua prole) e Guerra Mundial Z (com Brad Pitt).

Apesar de estrear por aqui no início de agosto (dia 09 para ser mais específico), Círculo de Fogo faz parte do grupo formado pelos blockbusters já citados. E ao contrário destes, não há nenhuma grande estrela no elenco, que conta com muitos rostos oriundos de séries televisivas para mostrar a batalha entre monstros alienígenas e robôs gigantes.

E muito antes da estreia já há comentários rondando a web e as redes sociais sobre as semelhanças desse filme com o animê/mangá Evangelion, sem mencionar o fato de que robôs gigantes já foram utilizados na narrativa de Gigantes de Aço ano passado.

Enquanto Círculo de Fogo não estreia por aqui, confira o trailer logo abaixo e mate ansiedade conferindo os outros blockbusters em cartaz nos cinemas brasileiros. Opção é o que não falta!

 








PALPITEIRO BRASILEIRO

Campeonato dos Palpiteiros - Temporada 2017

Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Abraccine - Associação Brasileira de Críticos de Cinema

Site com atividades e informações sobre a associação que reúne profissionais da crítica cinematográfica de todo o Brasil

Sinfonia Paulistana

um novo olhar

%d blogueiros gostam disto: