Breves & Curtas #11 | VI Paulínia Film Festival

1 08 2014

 

A fachada do Theatro Municipal de Paulínia, sede do Paulínia Film Festival

A fachada do Theatro Municipal de Paulínia, sede do Paulínia Film Festival

AS FÉRIAS DO PEQUENO NICOLAU [França, 2014] – Encerrado o período de aulas em Paris, chega-se uma temporada ansiosamente aguardada pelos alunos: as férias escolares. Assim, todas as famílias estão possibilitadas e dispostas a realizar suas viagens de descanso e curtição com todas as implicações que esse deslocamento em debandada pode ocasionar. E quando digo todas as famílias são todas mesmo. O diretor Laurent Tirard (de O Pequeno Nicolau e As Aventuras de Molière) faz uma breve piada com essa situação ao mostrar que, se um morador parisiense permanece na cidade nesse período, encontrará a capital da França povoada por turistas.

Voltado para o público, o longa faz sucesso com a comédia de situações, algo que o cinema francês sabe fazer com maestria e com muito dinamismo, rindo deles mesmos. Mesmo tendo a criança como público-alvo, perceptível não só na história, mas também no cenário colorido da casa e no abuso de diversas cores pastéis quando a trama passa a se desenvolver no litoral, o filme é maduro o suficiente para ousar em certos momentos. O que ocorre na sequência envolvendo a praia de nudismo em que a falta de pudor vai até o limiar permitido pela classificação livre da produção.

Brincando com tudo e com todos, As Férias do Pequeno Nicolau sabe utilizar e reutilizar as gag’s de seus vários personagens, todos estereotipados, no bom sentido da expressão. As confusões que a turma de Nicolau cria no litoral para livrar o protagonista de um possível relacionamento com uma garota (à la Namorada Sinistra) são o motor da narração. O filme, de quando em vez, esbarra nos clichês, mas consegue desviar-se deles em momentos oportunos, tornando-se um ótimo passatempo. E as vezes, um filme não precisa mais do que isso.

NOTA: 4/5

BOA SORTE [Brasil, 2014] – João conhece Judite numa clínica de reabilitação para dependentes químicos, com problemas psiquiátricos e outros que tais. Ele (vivido por João Pedro Zappa, Disparos e Ressaca), depressivo e viciado em medicamentos de tarja preta. Ela, (Deborah Secco, Bruna Surfistinha e Confissões de Adolescente), uma veterana usuária de drogas, portadora do vírus HIV, sofrendo da ineficácia do coquetel em seu corpo.

Num ambiente de (aparente) controle rígido e com a liberdade limitada, natural a gradativa aproximação entre os dois e mais natural ainda o rumo que essa relação segue. Deborah Secco incorpora uma personagem ciente da sua realidade e do seu iminente destino, que carrega em sua trajetória uma tragédia familiar. Mesmo assim, Judite não aceita assumir o papel de vítima por sua situação, demonstrando uma força bem maior que a sua fragilidade física supõe e quer repassar esse ‘otimismo’ para o inexperiente rapaz ao seu lado. E por sua própria inexperiência, João não compreende o que está por vir e acaba se apaixonando por ela.

Por mais que apresente uma triste conjectura de fatos, o longa de Carolina Jabor  (do documentário O Mistério do Samba) consegue estabelecer um relacionamento extremamente adocicado entre Judite e João, fruto da excelente atuação do ator João Pedro Zappa que traz todo um ar de inocência e graça ao seu personagem. Bem-vinda também a inserção do humor vindo dos personagens coadjuvantes, amigos do casal protagonista, assim como a pequena, divertida e marcante participação de Fernanda Montenegro (Central do Brasil, O Tempo e o Vento e Infância) como a avó hippie de Judite.

O longa sai do VI Paulínia Film Festival como melhor filme pela votação popular e com o troféu Menina de Ouro de melhor direção de arte.

NOTA: 5/5

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VI Paulínia Film Festival – programação de 22 a 27/07

17 07 2014

De 22 a 27 de julho, a cidade de Paulínia, na região de Campinas, realiza a 6ª edição de seu festival de cinema. Uma celebração inspirada em seu Pólo Cinematográfico que incentiva a produção de filmes na cidade, movimentando a economia e a população do município localizado a cerca de 100 km da capital paulista.

Fachada do Theatro Municipal de Paulínia, a casa do VI Paulínia Film Festival

Fachada do Theatro Municipal de Paulínia, a casa do VI Paulínia Film Festival

Alguns imbróglios políticos interromperam a realização do evento nos últimos anos, então o VI Paulínia Film Festival pode ser considerado a retomada definitiva da celebração, do apoio e da difusão da produção cinematográfica nacional pelo município. Com a política de ingressos gratuitos, o festival possibilita que o grande público tenha acesso às produções mais recentes do cinema mundial, já que sete filmes internacionais farão sua estreia no Brasil durante o evento.

Para a abertura, no dia 22, há a homenagem aos 25 anos da distribuidora brasileira Imovision e a exibição do longa Não Pare na Pista: A Melhor História de Paulo Coelho, uma cinebiografia do escritor brasileiro. No encerramento, dia 27, além da cerimônia de premiação, o festival homenageará o cineasta Cacá Diegues. No último dia também está programada a exibição do filme A Imigrante, o trabalho mais recente do diretor americano James Gray e estrelado por Marion Cotillard, Joaquin Phoenix e Jeremy Renner.

Além da competição de longas oficial, o VI Paulínia Film Festival terá uma competição paralela de curtas-metragens, debates com as equipes técnicas dos filmes exibidos e uma programação especialmente dedicada ao público infantil com sessões às 9h e 14h.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO:

DIA 22/07 – ABERTURA

  • 19h00 – Homenagem aos 25 anos da distribuidora brasileira Imovision
  • 20h30 – Não Pare na Pista: A Melhor História de Paulo Coelho

DIA 23/07

  • 09h00 A Guerra dos Botões
  • 14h00 O Pequeno Nicolau
  • 16h00 MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS
  •                  Jessy / O Menino que Sabia Voar
  • 16h30Aprendi a Jogar com Você
  • 18h00O Samba
  • 19h30 – Neblina
  • 21h30 – Sinfonia da Necrópole

DIA 24/07

  • 09h00 – O Pequeno Nicolau
  • 10h00 DEBATE COM EQUIPE DOS CURTAS-METRAGENS*
  • 11h00 DEBATE COM EQUIPE DOS LONGAS-METRAGENS*
  • 14h00 – Minhocas: O Filme
  • 17h00 MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS
  •                 De Bom Tamanho / O Bom Comportamento
  • 18h00 – As Férias do Pequeno Nicolau
  • 20h00 – Boa Sorte
  • 21h30 – Castanha

DIA 25/07

  • 09h00 – Zarafa
  • 10h00 DEBATE COM EQUIPE DOS CURTAS-METRAGENS*
  • 11h00 DEBATE COM EQUIPE DOS LONGAS-METRAGENS*
  • 14h00 – Meu Pé de Laranja Lima
  • 17h00 MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS
  •                  190 / O Clube
  • 17h45 – A Pedra da Paciência
  • 19h30 – Casa Grande
  • 21h30 – Sangue Azul

DIA 26/07

  • 10h00 DEBATE COM EQUIPE DOS CURTAS-METRAGENS*
  • 11h00 DEBATE COM EQUIPE DOS LONGAS-METRAGENS*
  •             Amazônia
  • 15h00 – Paraíso
  • 17h00 MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS
  •                  Recordação / Edifício Tatuapé Mahal
  • 17h30 – Geronimo
  • 19h30 – A Hsitória da Eternidade
  • 21h30 – Infância

DIA 27/07

  • 10h00 DEBATE COM EQUIPE DE CURTAS-METRAGENS*
  • 11h00 DEBATE COM EQUIPE DE LONGAS-METRAGENS*
  • 15h00 – A Imigrante
  • 17h00 – O Casamento de May
  • 19h30 CERIMÔNIA DE ENCERRAMENTO
  •                  Homenagem ao cineasta Cacá Diegues
  • 21h00 – Bem Vindo a Nova York

* Os debates serão realizados no auditório do Paço Municipal e as sessões no Theatro Municipal Paulo Gracindo, ambos localizados no Parque Brasil 500: Avenida Prefeito José Lozano Araújo, 1551, ao lado do RodoShopping de Paulínia.

 

 





Festival Varilux de Cinema Francês | parte 01

12 04 2014

fvcf2014

UMA JUÍZA SEM JUÍZO (França, 2012) O nome (pelo menos o traduzido) não despertava a maior das curiosidades. O início do filme também não, quando optava por escolhas típicas da comédia besteirol ao forçar o riso com caretas, gestos bruscos e o velho clichê de utilizar a gagueira em um advogado que precisa discursar em defesa de seu cliente. Mas, para o seu bem, a trama se desenvolve e o nível de seu humor melhora.

Ariane Felder (Sabrine Kiberlain, O Pequeno Nicolau e Políssia) é uma workaholic assumida. Trabalha de 15 a 16 horas no Supremo tribunal francês. Muito trabalho, pouca diversão e uma solteirona convicta. Aí vem o Réveillon de 2013 e muda a história da doutora Felder que, seis meses depois, descobre estar grávida. Algo inacreditável, inconcebível!

A busca pelo pai da criança (que a bebida da noite da virada não a permitia lembrar) a aproxima de Bob Nolan (Albert Dupontel, de Irreversível e Bernie, mas que também dirige o longa), um sujeito tão desajeitado quanto ela e que é acusado de um crime bárbaro do qual não é culpado. E o álibi perfeito é exatamente a juíza, pois quando o crime ocorreu, os dois estavam juntos.

Entre deixar o pai de seu filho ser preso injustamente e testemunhar a favor dele e perder a sua promoção à Corte de Apelação, a doutora Felder ainda encontrará muitas pessoas excêntricas pelo caminho. Melhor para Uma Juíza Sem Juízo em sua metade final que deixa de enveredar pelo humor óbvio (mesmo restando alguns resquícios desse aqui e ali) e adota um humor mais discreto e indireto, utilizando-se mais das situações e do roteiro em si.

Destaque para a participação especial de Jean Dujardin (O Artista e O Lobo de Wall Street) como intérprete de sinais no filme.

NOTA: 3/5

ANTES DO INVERNO (França, 2012) O senhor Paul Natkinson (Daniel Auteuil, A Filha do Pai e Atirador de Elite) é um neurocirurgião com uma carreira profissional já estabelecida. Ele divide uma bela mansão com a esposa Lucie (a bela Kristin Scott Thomas, O Paciente Inglês e Assassinato em Gosford Park) e os momentos alegres de família reunida ocorrem aos finais de semana nos parques da cidade ao lado do filho, da nora e do neto.

Nada poderia abalar esse cotidiano familiar muito bem constituído. Uma certeza abalada apenas quando a jovem Lou (Leila Bekhti, Satã e Paris, Te Amo) surge na vida do médico. Alegando ter sido operada por ele quando criança, a garçonete/universitária/prostituta Lou passa a cruzar, frequentemente, o caminho do neurocirurgião. Fato esse sucedido por buquês de rosas que passam a aparecer no hospital onde ele trabalha, no consultório em que atende seus clientes particulares e até no portão de sua casa.

Intrigado e desconfiado, ele logo associa essas estranhas ocorrências à Lou, que consegue se explicar satisfatoriamente toda vez em que é acusada pelo doutor. Entre idas e vindas conturbadas e um afastamento involuntário de Paul de seu exercício profissional, os dois acabam se aproximando. Um inesperado relacionamento (não amoroso por parte dele) que distancia o doutor Natkinson da família e principalmente de sua esposa. Lucie, que por sua vez, sempre agiu fielmente e sempre foi uma grande admiradora do marido.

Tais acontecimentos são uma excelente oportunidade para Paul refletir sobre tudo o que levou a ser o excelente profissional que é e a forma com vinha lidando com sua família. Ao admitir que não sonhara com nada daquilo que conquistara, percebemos o quanto sua vida vinha sendo vivida no piloto automático. Um exemplo que sucesso nem sempre vem acompanhado de felicidade.

Mas suas atuais escolhas, que julgava serem sinceras, acabam o levando para um caminho perigoso. Lou, sempre presente de repente desaparece. E em busca de seu paradeiro, doutor Natkinson se vê vítima de uma trama que jamais imaginaria estar envolvido. Um choque que talvez o auxilie a melhorar o relacionamento com os seus familiares e, quem sabe, ser mais grato com tudo o que conseguiu construir.

NOTA: 5/5








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Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

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