ANÁLISE: Guardiões da Galáxia

1 09 2014

Uma aventura intergaláctica que ocorre ao som de clássicos que vão de 1966 até 1979. Assim podemos resumir muito bem a nova aposta da Marvel Studios para o cinema, agora com novos heróis e muitos deles desconhecidos de grande parte do público, acostumados com as milionárias produções individuais ou em conjunto de Os Vingadores.

A sessão musical nostálgica que se ouve durante o filme é explicado pelo inseparável walkman e a fita cassete que Peter Quill (Chris Pratt, de Ela, O Homem que Mudou o Jogo e empresta a voz para o protagonista de Uma Aventura Lego) carrega consigo por onde quer que vá. A fita contem gravações das músicas que sua mãe mais gostava, antes que ela viesse a falecer em 1988, o mesmo ano em que Peter é abduzido pelo grupo de alienígenas liderado por Yondu Udonta (Michael Rooker, mais conhecido por ser o irmão de Daryl Dixon na série The Walking Dead).

A grande aventura mesmo começa vinte e seis anos depois, quando Peter sobrevive de planeta em planeta como caçador de recompensas. O objeto-alvo de agora é um Orbe que carrega dentro de si uma das Joias do Infinito, uma das armas mais poderosas de universo. Tanto poder que atrai os mais variados tipos de raças para o seu encalço. Entre eles, Ronan, o Acusador (um trabalho indistinguível de Lee Pace, de O Hobbit: A Desolação de Smaug e da finada série Pushing Daisies), que deseja a peça para obter auxílio de Thanos (papel de Josh Brolin, Onde os Fracos não Tem Vez e Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme, não-creditado) em seu desejo de destruir o planeta de Xandar.

É o próprio Orbe que faz, involuntariamente, surgir os ditos guardiões da galáxia: o guaxinim Rocket (com a voz de Bradley Cooper, Trapaça e a trilogia Se Beber Não Case) e a árvore humanoide Groot (voz de Vin Diesel, da cinessérie Velozes e Furiosos e O Resgate do Soldado Ryan) se interessam pela recompensa oferecida para quem capturasse Peter;  Gamora (Zoe Saldana, Avatar e Além da Escuridão: Star Trek) deseja vingar a morte de seus pais utilizando a caça do Orbe como uma falsa justificativa, o mesmo espírito vingativo rege as ações de Drax, o  Destruidor (o grandalhão Dave Bautista, de Riddick 3 e O Homem com Punhos de Ferro), cuja família foi assassinada por Ronan.

Ciente do público-alvo de seu longa, o diretor e também roteirista James Gunn (diretor em Para Maiores e roteirista em Madrugada dos Mortos) não perde um minuto sequer para contar a história, nem mesmo a história de Peter Quill na Terra demonstrada de forma bem sucinta durante o início do filme. As motivações dos demais personagens (vilões ou aliados) são explanadas juntamente com as várias sequências de ação que o compõe, situadas em diversos lugares da galáxia. Bebendo da fonte das histórias em quadrinhos (e o seu festival de codinomes), Guardiões da Galáxia ainda apresenta pinceladas, uma hora ou outra, de outros títulos de gênero semelhante do Cinema: personagens bastante carismáticos e de criação híbrida de Star Trek ou as cenas de ação em pleno espaço de Star Wars.

Mas o ponto bastante positivo deste novo filme da Marvel Studios seja mesmo a sua fidelidade à pouca seriedade destinada a esse universo. Com uma legião de protagonistas que não abandonam de forma alguma suas idiossincrasias pelo dito “bem maior” pelo qual lutam, Guardiões da Galáxia faz piada a toda hora, até nos momentos mais emblemáticos, e ainda desempenhando inclusive funções narrativas para a trama. Praticamente todos os personagens têm os seus momentos cômicos, mas Groot, Rocket e Peter se sobressaem nesse quesito. Um blockbuster com qualidades acima da média e que casa muito bem suas naves de conceito moderníssimo com velhos clássicos da música da década de 1970.

NOTA: 5/5

Anúncios




ANÁLISE: Ela

26 02 2014

Pode-se afirmar que Ela se passa num futuro não muito distante onde a presença da tecnologia será ainda maior que nos dias atuais. Mas esqueça botões e cliques. Até o modo touch – tão em voga hoje – será pouco utilizado. Todo contato homem-máquina será feita através de comando de voz. Em vez de vários equipamentos e gadgets, teremos um aparelho central sincronizando o computador pessoal em casa com o nosso protótipo de celular fora dela.

Conhecemos parte desse mundo acompanhando a rotina do solitário Theodore (Joaquin Phoenix, O Mestre e Johnny & June) que trabalha ‘redigindo’ cartas para terceiros. Como dito anteriormente, nada de teclas e nem canetas, Theodore dita o texto e o computador trata de escreve-lo, ou melhor, digita-lo. No caminho de casa, ele vai recebendo informações sobre e-mails recebidos recentemente ou notícias gerais pelo fone de ouvido, assim como troca as músicas que quer ouvir sem utilizar um único dedo. Em casa, o videogame é um belo exemplo de imersão, onde o ambiente gráfico do jogo se funde com o espaço de sua sala de estar.

Parece ser um mundo perfeito e bastante divertido, não? Parece, mas não é. Não para Theodore, que cumpre todas as suas obrigações no chamado piloto automático e não demonstra alegria em momento algum. Optar por ouvir músicas melancólicas também é um bom indício de que algo não esteja bem.

Numa certa manhã, como qualquer outra, Theodore é convidado a instalar uma atualização do sistema operacional em seu computador. A nova versão do software é um novo modelo baseado na inteligência artificial, que faria muito mais do que ler os caracteres na tela. Seria capaz de interagir com seu ‘dono’, elevando a um patamar impensável o relacionamento entre  o homem e seu computador.

Não poderia haver nada melhor para Theodore nesse momento por qual ele passava. Se dias atrás ele se encontrava solitário, agora tinha a presença quase onipresente da voz de Scarlett Johansson (Encontros e Desencontros e Os Vingadores) o auxiliando no dia-a-dia: na redação de sua cartas como corretora e aperfeiçoadora de textos, nas pequenas escolhas corriqueiras, nos relacionamentos com outras pessoas. Tudo a partir de uma habilidade descomunal de processamento de dados que consegue, por exemplo, escolher o seu próprio ‘nome’ acessando uma lista com mais de 180 mil possibilidades em frações de segundo. Algo impossível para qualquer humano.

Nesse relacionamento improvável que começa a ser construído descobrimos o que tanto afligia Theodore: a sua recente separação com a ex-mulher Catherine (a irreconhecível Rooney Mara, se você a conhece apenas a partir de Millenium: O Homem que Amava as Mulheres). Um casamento que tinha tudo para dar certo se não fosse a extrema dificuldade dele no relacionamento com outras pessoas. Joaquin Phoenix consegue transmitir bem esses traços de seu personagem que não cede de seu egoísmo e de seus modos e acaba sufocando, anulando a sua ex-parceira na relação. Catherine não suportou a insegurança dele percebendo que o modo seco de agir do, até então, marido não deixaria o casamento prosperar.

Ao mesmo tempo em que conhecemos esse lado pouco amistoso de Theodore, também não deixamos de verificar a sua fragilidade como ser humano, criando-se assim uma empatia muito grande com o personagem que em nenhum momento põe maldade em suas intenções com Catherine ou qualquer outra pessoa. Os flashbacks dos momentos felizes do casamento do redator de cartas solitário mostram o quanto esse sofre (na realidade ambos sofrem) com a separação. Se naturalmente Theodore já apresenta muita dificuldade em lidar com as pessoas, dolorido por dentro e sentindo saudades de Catherine, a situação só tende a piorar. E não há auxílio que Samantha possa oferecer (o sistema computacional até tenta) que resolva isso.

O novo sistema operacional a partir de Samantha torna-se então perfeito para Theodore eliminando a característica com a qual ele não consegue lidar numa relação a dois: o fator humano. Assim, a premissa absurda de Ela à primeira vista, torna-se totalmente plausível com o desenrolar da trama e o diretor e roteirista Spike Jonze (diretor do lindo Onde Vivem os Monstros e Quero Ser John Malkovich) acerta ao colocar os dois lado da moeda na história, criando ainda mais verossimilhança a história: a amiga Amy (Amy Adams, Trapaça e O Homem de Aço) não só compreende Theodore como também cria laços afetivos e com um sistema operacional de outrem, enquanto Catherine e demais amigos veem essa relação como uma grande maluquice.

O filme Ela fascina não apenas pelo desenvolvimento de personagem que oferece – e conta com a competência de Joaquin Phoenix para tanto -, mas também pela construção crível de um mundo com as tais características descritas aqui e pensando em todas as possibilidades que elas poderiam criar. O desfecho é igualmente satisfatório, afinal aquilo que falta em Theodore e que Samantha (e os demais sistemas operacionais) possuem em excesso impedem (felizmente ou não?) um futuro baseado em ‘casamento’ de homens e mulheres com seus computadores: o amadurecimento dele e a evolução desenfreada dela. Questionamentos que perduram após a sessão e fantásticos são os filmes que provocam isso em seus espectadores.

NOTA: 5/5





ANÁLISE: Trapaça

17 02 2014

A cena de abertura de Trapaça explica muito bem porque Irving Rosenfeld (Christian Bale, trilogia O Cavaleiro das Trevas e O Vencedor) obteve tanto sucesso em seu ramo de atividade, a aplicação de golpes financeiros. Profissionalmente, ele tem a mesma paciência e a mesma preocupação com os mínimos detalhes que utiliza para esconder sua calvície.

Com a capacidade de enganar as pessoas desde criança, época em que quebrava vitrines alheias propositalmente para ajudar a vidraçaria de seu pai, Irving vê nas falcatruas que aplica uma pura questão de sobrevivência, onde simplesmente não tem ou não consegue obter outro modo de viver. Ciente da importância dessa discrição, ele sabiamente mantem sua esposa Rosalyn Rosenfeld (Jennifer Lawrence, da franquia Jogos Vorazes e de Inverno da Alma), pois seu comportamento bipolar e seu temperamento explosivo colocaria tudo a perder.

A parceira ideal para o mundo da trapaça Irving encontra em Sydney Prosser (Amy Adams, O Homem de Aço e Encantada), uma mulher sedutora que utiliza todo o seu charme para atrair cada vez mais clientes desesperados. Um charme que, aliado ao seu forjado sotaque britânico, atribuía um aspecto multinacional e legítimo à parceria desenvolvida por eles, resultando num aumento das cifras obtidas no final do ‘expediente’.

O círculo da trama apresentada por David O. Russell (que já trabalhou com boa parte do elenco deste longa em seus projetos anteriores como O Vencedor e O Lado Bom da Vida) se encerra com a participação de Bradley Cooper (Se Beber Não Case e O Lugar onde Tudo Termina) no papel de Richie DiMaso, o agente do FBI responsável por prender Irving e Sydney em flagrante. Ao invés de condená-los, Richie quer a cooperação do casal golpista na aplicação de mais quatro armações afim de pegar o maior número possível de estelionatários, incluindo aí políticos e grandes nomes da máfia americana envolvida nos jogos existentes na costa oeste americana.

Obcecado por um resultado vultuoso de sua operação, o que lhe garantiria um lugar de destaque dentro do FBI e não apenas um mero cargo administrativo dentro da agência, Richie não poupa e nem energia para que os corruptos venham a tona. Assim temos a sequência que abre o filme com o trio – Irving, Sydney e Richie – em uma reunião com o prefeito Carlito Polito (Jeremy Renner, Os Vingadores e Guerra ao Terror), onde tentam se utilizar da reconstrução de Nova Jersey para uma arrecadação irregular de milhões de dólares.

Se antes era previsto apenas o envolvimento de personagens de prestígio da política americana (senadores e congressistas), a aproximação exagerada com a máfia americana dos jogos de azar acaba exigindo passos mais elaborados e caro (com o aluguel de jato executivo e andares inteiros de hotéis luxuosos) do FBI, algo que Richie consegue a duras penas e com muita, literalmente, luta. Mas nem toda essa sofisticação foi capaz de enganar o ‘poderoso chefão’ dos jogos, o senhor Victor Tellegio (Robert De Niro, Os Bons Companheiros e Última Viagem a Vegas), que astuto e desconfiado, descobre a farsa do árabe mexicano. E como o próprio personagem de Bale afirma, essa descoberta os colocam em algo muito pior que a cadeia.

Trapaça cria um mergulho incrível do espectador na década de 70. Imersão que se inicia já com a exibição retrô do logo da Columbia, passa pela cena mais clichê possível dentro de uma danceteria com os passinhos à la John Travolta e chega ao figurino, que uso de decotes abusivos, tanto femininos quanto masculinos, e que se encaixam perfeitamente nas belas silhuetas de Amy Adams e Jennifer Lawrence.

Jennifer, aliás, que faz jus a sua indicação ao Oscar ao incorporar toda a explosão temperamental de Rosalyn, uma mulher que acredita piamente ser a responsável pela resolução de toda a trama, sendo que o máximo que conseguiu foi deixar ela, o filho e Irving jurados de morte. Mas o seu talento não para por aí e são memoráveis as cenas de humor por ela protagonizadas, principalmente na hora de manusear um ‘forno científico’ que “tira nutrientes da comida e ainda ateia fogo na casa”; o embate com Amy Adams no banheiro feminino ou todas as tentativas de atrair a atenção de todos, negativamente, nas confraternizações que o marido frequenta. Nesses momentos entendemos o porquê de Irving mantê-la afastada de tudo.

Com toda essa investigação, Richie equivocou-se em apenas uma atitude: a de confiar plenamente em Irving. O personagem de Christian Bale não se sentia nem um pouco a vontade de, lentamente, ir delatando seus companheiros para o FBI, principalmente o prefeito de Nova Jersey, quem considerava muito. E ser jurado de morte foi a gota d’água. Como bom trapaceiro que sempre foi e sem a possibilidade de voltar ao passado depois de tudo que fez, Irving trabalha sorrateiramente para amenizar tudo aquilo que causou, direcionando os passos da investigação para aquele que menos culpa teve: o cabeça por trás da operação, Richie. Um desfecho que ocorre abrupto demais.

Observa-se em Trapaça uma excelente escolha para uma sessão dupla com O Lobo de Wall Street, que abordam dois temas praticamente idênticos (golpes financeiros), mas trazem protagonistas de perfis complemente diferentes: aqui David O. Russel vem com um Christian Bale comedido e pés no chão, enquanto Martin Scorsese nos traz um excêntrico Leonardo DiCaprio. Ambos longas trazem coadjuvantes competentes, embora estes adquiram um valor narrativo bem maior do que o observado em O Lobo de Wall Street, até mesmo por estarem em menor quantidade e pela menor ambientação geográfica da história de Trapaça, onde a interação com a história principal é maior. Se em 2013 tivemos um insosso O Labo Bom da Vida, 2014 temos razões melhores para torcer pelo filme de David O. Russell no Oscar.

NOTA: 4/5

 





ANÁLISE: Ninfomaníaca – Volume 1

20 01 2014

ACONSELHAMOS QUE APENAS MAIORES DE 18 ANOS LEIAM ESTE TEXTO:

Ninguém imaginaria o quão promíscua, pervertida aquela mulher seria. Joe (Charlotte Gainsbourg, que já esteve presente nos trabalhos anteriores de Lars von Trier Melancolia e Anticristo) estava caída no chão de um beco escuro e um dia chuvoso quando foi encontrada por um senhor de idade, Seligman (Stellan Skarsgard, Os Vingadores e Millenium – Os Homens que não Amavam as Mulheres), que morava nas proximidades. Vendo que a moça recusava toda e qualquer ajuda oficial, da polícia ou dos bombeiros, ele a leva para a sua casa oferecendo um pouco mais de conforto, uma bebida quente e mais atenção ou interesse não-sexual  que essa mulher ainda não recebera até então do sexo oposto.

Continue lendo »





Superman e Batman juntos, só em 2016!

18 01 2014

A Warner Bros alterou o início da produção do novo filme de Superman (Superman vs Batman) para meados de maio/junho desse ano e o lançamento do blockbuster foi espichado para 06 de maio de 2016. A data de estreia anteriormente prevista para ele (17/07/2015), agora será destinada ao filme Pan, baseado na obra original de Peter Pan, com Joe Wright na direção e, por enquanto, só com Hugh Jackman confirmado no elenco.

superman-batman-logo

Com a decisão, Superman vs Batman esvazia um calendário de 2015 recheado de grandes estreias, entre elas: o reboot de Quarteto Fantástico, Os Vingadores 2: A Era de Ultron, Terminator: Genesis, Independence Day 2, Jogos Vorazes: Esperança – Parte 2 e Star Wars: Episódio VII. De acordo com a Variety, a opção pelo adiamento ocorreu para que os produtores pudessem realizar completamente a visão complexa que possuem para o longa.

Quem está sob pressão após esse reagendamento de datas é o tão criticado Ben Affleck (cujo Argo venceu o Oscar de melhor filme no ano passado). O ator só estará disponível no final deste ano para dirigir Live by Night, que já tem data de estreia marcada para o Natal de 2015.

Superman vs Batman trará novamente o grande elenco que esteve presente em O Homem de Aço: além de Henry Cavill que vive o protagonista, retornam também Laurence Fishburne, Amy Adams e Diane Lane.

EDIT 26/01/2014 – A razão para a mudança da estreia em um ano tem um nome: Ben Affleck. Pois é grande a probabilidade do ator não vestir o uniforme negro do homem-morcego.

Tudo isso em grande parte pela recepção negativa dos fãs com o anúncio de Affleck como Batman. Por isso, além da alteração da data de estreia, possivelmente haverá no futuro um ‘desentendimento criativo’ entre o ator e o diretor Zack Snyder.

Toda uma desculpa para diminuir a importância dos fãs nessas alterações e nem deixar transparecer que um grande estúdio como a Warner Bros deixe-se influenciar tão fácil assim!





ANÁLISE: Rush – No Limite da Emoção

28 10 2013

Uma coisa Rush – No Limite da Emoção deixa bem claro em toda a sua duração: a dualidade marcante entre os pilotos de sua história James Hunt (Chris Hemsworth, Thor e Os Vingadores) e Niki Lauda (Daniel Brühl, Edukators e Bastardos Inglórios), tanto em personalidade, quanto em pilotagem. Juntos, eles protagonizaram uma das maiores disputas entre pilotos da história da Fórmula 1. Dentro e fora dos circuitos.

Ao colocar os dois atores narrando a introdução da história de seus respectivos personagens, Ron Howard (diretor vencedor do Oscar por Uma Mente Brilhante e indicado na mesma categoria por Frost/Nixon) estabelece uma característica interessante de sua produção: ambos não são os protagonistas aqui e sim a rivalidade entre eles, que começa desde muito cedo, na Fórmula 3, categoria de base do automobilismo, e chega até aos holofotes da F-1.

Mesmo com muitas diferenças, algumas semelhanças marcaram a trajetória da carreira dos dois pilotos: por exemplo, a ausência do apoio familiar direto. James Hunt contava apenas com a ajuda de amigos que compunham a sua equipe, que se preocupavam apenas em colocá-lo dentro de um bom carro. Lauda vinha de uma tradicional família austríaca de negócios e suas aventuras pelas pistas não eram bem vistas aos olhos de seu pai. Resultado? Tentar a sorte por si mesmo e alcançar uma vaga na F-1 com dinheiro adquirido com um empréstimo. Tática utilizada também por seu grande rival para atingir o mesmo objetivo.

Extremamente concentrado e focado, Niki Lauda alcançava cada vez mais fama e admiração através de sua disciplina, aliada aos seus conhecimentos técnicos de mecânica e aerodinâmica dos carros de corrida, o que inclusive é muito bem explanado pelo roteiro (lapidado pelas mãos de Peter Morgan, que repete aqui a parceria feita com Howard em Frost/Nixon e também responsável pelo roteiro de Além da Vida), que consegue em algumas rápidas cenas, explicar tal habilidade até mesmo para aqueles que desconhecem tudo aquilo que envolve uma corrida de carro. James Hunt, por outro lado, tinha o seu talento nato (não é a toa que o mesmo conquiste em determinado ano o prêmio de melhor piloto da temporada pela imprensa especializada), um dom mesmo e não algo conquistado, estudado ou aperfeiçoado. Quando não estava dentro de seu cockpit, as preocupações de Hunt limitavam-se a bebidas, mulheres e festas, não necessariamente nessa ordem.

Em meio a tantas disputas e brigas entre os pilotos, Rush ainda consegue abordar um pouco a vida pessoal destes e ainda encontra espaço para alocar passagens bem-humoradas, sejam elas as constantes provocações de Hunt em cima do adversário ou as implicações da falta de sociabilidade, de tato com as outras pessoas, de Lauda: como ser impedido de entrar numa festa. E a partir daí: depender de uma carona para retornar para casa, conseguir explicar o quanto sua bunda é importante na identificação de problemas mecânicos em um veículo e o seu sucesso nas pistas ser o real motivo para dois marmanjos o auxiliarem no meio da estrada e não a beleza da mulher que o acompanhava, Marlene (Alexandra Maria Lara, de A Queda! As Últimas Horas de Hitler e Velhas Juventude) que viria a ser a sua esposa. Vale salientar até aqui o excepcional trabalho nas atuações de Chris e Daniel, responsáveis pela absoluta imersão do espectador na trama ao conseguirem se desvencilhar de suas personalidades e convencerem como pilotos profissionais.

Antecedida por problemas financeiros de Hunt, enquanto seu rival já alcançara a Scuderia Ferrari, a trama de Rush chega ao campeonato de 1976, o ano do ápice da rivalidade entre os dois. Aqui Rush estabelece um ritmo alucinante ao abordar algumas corridas existentes no calendário daquele ano e beneficiado, claro, pela intensa disputa ponto a ponto entre Hunt e Lauda a cada grande prêmio. A dramaticidade e apreensão também ganham peso ao abordarem os tempos tenebrosos que a Fórmula 1 enfrentava na época com os vários acidentes graves e fatais em suas corridas e dos quais Niki Lauda foi uma de suas mais conhecidas vítimas, durante o GP da Alemanha de 1976, no lendário circuito de Nurburgring, considerado naquele tempo como o cemitério da F-1.

Nesse ponto, Rush – No Limite da Emoção nos apresenta outro ponto positivo de sua narração: os efeitos, tantos visuais quanto sonoros. Desde a recriação histórica dos circuitos (entre eles o de Interlagos em São Paulo) até a caracterização das feridas deixadas pelas queimaduras no rosto de Daniel Brühl. Efeitos visuais, felizmente, aperfeiçoados durante a projeção, já que na sua primeira metade de duração, algumas ultrapassagens e até batidas entre os carros soavam artificiais demais. Já no aspecto sonoro, os sons foram ótimos instrumentos para realçar a dramaticidade da trama, especialmente no seu ato principal, durante as corridas da temporada de 76 com o ronco dos motores, a combustão dos pistões. Um trabalho de primeira qualidade.

O mais novo trabalho de Ron Howard se revela uma grata surpresa nas estreias de 2013, sabendo utilizar e recriar todos os grandes momentos da história de um mundo avesso ao da cinematografia: o automobilismo e em especial a Fórmula 1. E igualmente surpreendente foi a inteligente escolha da história em si adotar uma abordagem que fosse equidistante dos dois pilotos, uma abordagem onde não há heróis e nem vilões. Há sim, dois competidores disputando entre si pelo campeonato do qual participam. E com essa competição e suas diferenças pessoais que despertavam, entre eles, o melhor de cada um, tornando-se um combustível indispensável para Niki Lauda e James Hunt buscarem a excelência em suas performances em pista. E possibilitou a realização desse grande filme.

NOTA: 5/5





Passou pelo cinema…

28 09 2013

O objetivo desse post é retirar o Universo E! um pouco do atraso de suas atualizações em relação ao cinema. Você poderá ver, por exemplo, que os filmes destacados e comentados aqui já saíram há uns bons dias dos cinemas e não gostaria de perder as anotações que fiz na época sobre cada um deles.

O que está posto a seguir não são as “Análises” propriamente ditas, a sessão mais frequentada e mais buscada por quem nos lê, mas acho válido elencar aqui os aspectos gerais das produções que estiveram em cartaz de meados de julho para cá, que será justamente o tema desse e dos próximos posts a seguir, comentados em geral ou em particular na sessão “Análises”.

Espero que gostem!

fdf-pacific rim

CÍRCULO DE FOGO – Guillermo Del Toro (Hellboy e O Labirinto do Fauno) nos confirma que um típico filme blockbuster pode sim ter uma boa história e não basear-se apenas em ação e explosões.

Ciente do público alvo de sua história, a introdução consegue posicionar os seus personagens na trama e apresentar sua mitologia de forma rápida e sucinta. O surgimento dos Kaiju, monstros gigantes que surgiram das profundezas do Pacífico; a dificuldade da humanidade em derrotá-los em suas primeiras aparições até a criação dos Jaegers, um programa de defesa baseados em robôs gigantes, tal qual o seu adversário.

Tamanha dificuldade em controlá-los que eram precisos dois pilotos para guiar os robôs gigantes em ataque, o que só era possível através de neuro-conexão entre eles. Essa divisão de memórias cria um bom conflito emocional em seu ato principal, onde Raleigh (Charlie Hunnam, Filhos da Esperança e da série Sons of Anarchy) precisa ensinar a sua nova parceira, Mako Mori (Rinko Kikuchi, de Vigaristas, Como na Canção dos Beatles: Norwegian Wood e do ainda inédito Os 47 Ronins), a dominar as suas lembranças para que, juntos, possam mostrar o verdadeiro valor dos Jaegers. Os robôs passaram a ser desacreditados após uma fatalidade ocorrer com o irmão de Raleigh, Yancy Becket (Diego Klattenhoff, Depois da Terra e Xeque-Mate).

Se toda a trama principal tem o seu valor e consegue despertar o interesse do espectador, por outro lado, o núcleo utilizado como alívio cômico não é bem sucedido em seu propósito. Sempre que esse recurso é utilizado em cena, surge em tela momentos que destoam do bom grau de verossimilhança atingido pela trama principal. Entretanto, alguns desses mesmos personagens apresentam um valor narrativo, pois é justamente a partir deles que a história adquire um ritmo de urgência ainda maior com uma experiência para obter um conhecimento mais amplo sobre os monstros das profundezas oceânicas, mas que acabam fortalecendo-os inesperadamente.

Desvendando mais alguns segredos que se encaixam perfeitamente na mitologia estabelecida, o desfecho final  só não empolga mais ao trespassar o limite do aceitável ao se aproximar inconsequentemente do megalomaníaco, diminuindo (assim como o dito núcleo cômico) toda a natureza real criada habilmente até aqui.

P.S.: um acréscimo importante – o compositor indiano Ramin Djawadi (responsável pelas trilhas sonoras de Game of Thrones e Prison Break) realiza um trabalho excepcional na trilha sonora. Canções que lembram muito as trilhas de Transformers, Avatar e da trilogia O Senhor dos Anéis, sem perderem, contudo, os seus traços originais numa mistura gostosa e eclética entre a guitarra, a batida eletrônica e a música clássica. Ramin merece toda uma maior atenção maior em seus trabalhos futuros.

NOTA: 4/5

fdf-manofsteel

O HOMEM DE AÇO – Os filmes sobre super-heróis tendem a fracassar como estrutura e como filmes relevantes num futuro não muito distante. E o fracasso virá ainda mais rápido se os estúdios continuarem a apostar nessa fórmula de reboot com o foco apenas em bilheteria.

A todo o momento, eles apostam em um novo super lançamento de um determinado personagem, num looping interno, mesmo com poucos anos (cinematograficamente falando) entre a antiga e a nova franquia. É o que se constata nesse novo O Homem de Aço; é o que se viu no lançamento recente do último O Espetacular Homem-Aranha e é o que se verá no novo Super-Homem com a participação de Ben Affleck (re)vivendo o homem-morcego no Batman vs Superman, previsto para 2015.

Até quando o fôlego e o entusiasmo dos fãs manterá essa nova tendência da indústria de Hollywood? Torçamos, para o bem dela, que seja por pouco tempo. Não quero ver uma nova leva de filmes baseados nos componentes de Os Vingadores, a partir de 2025 por exemplo.

Esse é o mal que sofre O Homem de Aço. Pouco adianta acrescentar novos detalhes no mundo de Krypton; criar novas explanações para o S no peito de Clark Kent, encarnado agora pelo apenas regular Henry Cavill (Imortais e Stardust – O Mistério da Estrela); inserir novos detalhes em paisagens e cenários já largamente usados em todas as outras mídias em que a história dele foi contada.

O desânimo geral aumenta ainda mais com a relativamente longa de introdução do longa de Zack Snyder (diretor de 300 e Sucker Punch: Mundo Surreal). O envio do último cidadão de Krypton à um planeta distante devido as circunstâncias nada promissoras em sua terra natal, todos já sabem de cor e salteado. Seria preciso muita criatividade para acrescentar algo de interessante aqui e em O Homem de Aço, claramente, não a temos! E a suposta traição de seus pais – vividos por Russell Crowe (Os Miseráveis e Gladiador) e Antje Traue (Pandorum e 5 Dias de Guerra) – para com Krypton ao enviar o recém-nascido Kal-El para cá é o combustível para a vingança do general Zod (Michael Shannon, de O Abrigo e Vanilla Sky) e o motivo pelo qual o vilão volta suas preocupações para a Terra.

A longa permanência da história em Krypton em seu início obriga os responsáveis pelo roteiro – escrito por Daniel S. Goyer e Christopher Nolan, dupla também responsável pelo roteiro da trilogia de O Cavaleiro das Trevas – a abordarem a infância e juventude do agora Clark, assim como o seu convívio com os Kent’s -Kevin Costner (Os Intocáveis e O Mistério da Libélula) e Diane Lane (Jumper e Mar em Fúria) – ao longo do filme através de flashbacks. O início do relacionamento dele com Lois Lane, a apagada Amy Adams (O Vencedor e Prenda-me se for Capaz), sua batalha na Terra contra Zod (que realmente impressiona com a magnitude e ritmo alcançados) carecem de algo novo que possa verdadeiramente despertar uma atenção maior do espectador. Não há algo novo ou surpreendente que torne  O Homem de Aço inesquecível. Ou até mesmo um bom passatempo.

NOTA: 2/5

fdf-paingain

 

SEM DOR, SEM GANHO – A maior surpresa dessa nova produção de Michael Bay (dos Transformers e Armageddon) é não se situar num gênero específico. Você sai da sala de cinema sem compreender se o que acabou de assistir é uma comédia, um drama ou um filme de ação/suspense. E, possivelmente, desmantela qualquer concepção que alguém possa ter feito antes de assisti-lo.

O drama está aí. A ação e o suspense também. A comédia ainda mais: desde aquela cena sucinta ou criativamente elaborada até a mais escatológica das cenas típicas dos besteróis que só Hollywood tem capacidade de fazer, sem desmerecer em nenhum momento a história que vem sendo contada. Em meio a tudo isso, Sem Dor, Sem Ganho ainda consegue construir com propriedade sua própria tese política sobre a sociedade americana, em particular, e a ocidental como um todo, mesmo que esse não seja um dos seus principais objetivos.

Se essa descrição pura e simplesmente consegue resumir a receita para um fracasso total de uma realização para o cinema, é justamente a junção de aspectos tão contraditórios entre si que fazem este filme valer a pena.

A começar pelo trio de protagonistas com Daniel Lugo (Mark Wahlberg, Um Olhar do Paraíso e Ted), Paul Doyle (Dwayne Johnson, Velozes e Furiosos 5, 6 e do próximo 7 e O Escorpião Rei) e Adrian Doorbal (Anthony Mackie, Guerra ao Terror e Os Agentes do Destino), onde seus atores encontram-se inspiradíssimos em suas atuações ao retratar o inconformismo de seus personagens com suas respectivas vidas, grande parte delas dentro de uma academia de ginástica. Esse é o grande motim que desencadeia tantas situações hilárias e absurdas.

Assim passam a arquitetar uma forma de sequestrar um milionário frequentador dessa academia e aluno do Daniel Lugo, Victor Kershaw (Tony Shalhoub, o eterno Monk), e se apossar de toda sua fortuna. Sem muita experiência no ‘ramo’, o plano infalível do trio parada dura segue aos trancos e barrancos, baseando-se sempre no esquema tentativa-e-erro. Mais erros do que tentativa propriamente dita, que por uma série de fatos insanos, tal trambique consegue funcionar milagrosamente.

Mas por não saberem o exato ponto onde parar e a ambição põe tudo o que conquistaram (criminosamente) a perder.

NOTA: 4/5






Amanhecer – parte 2 | Ingressos antecipados a partir de 1º de outubro

29 09 2012

A largada para a finalização da saga Crepúsculo será dada a partir de 1º de outubro. Nessa segunda começa a venda antecipada dos ingressos do quinto filme baseado nos livros de Stephenie Meyer: Amanhecer – Parte 2. Os ingressos poderão ser adquiridos nas principais redes de cinema do país: Cinemark, Kinoplex, Cinépolis e Cinesystem.

A venda antecipada ocorrerá há mais de 45 dias de estreia do filme, marcada para 16 de novembro.

Essa antecipação deixa evidente a grande expectativa da distribuidora Paris Filmes com o potencial de bilheteria do longa que encerra cinematograficamente a história de Bella (Kristen Stewart), Edward (Robert Pattinson) e Jacob (Taylor Lautner). Amanhecer – parte 2 sempre foi apontado como um dos favoritos para conquistar o posto de maior bilheteria não só aqui no Brasil, mas no mundo em 2012! O primeiro lugar desse ranking é ocupado atualmente por Os Vingadores.





A extensa agenda dos Vingadores

16 08 2012

A continuação de Os Vingadores – The Avengers, que ostenta até aqui o título de maior bilheteria brasileira em 2012, já tem data marcada para a sua estreia. Enquanto o primeiro filme chega nas lojas brasileiras em DVD e blu-ray no próximo dia 29, a MTV noticiou, o Omelete publicou e a Variety confirmou: Os Vingadores 2 chega aos cinemas em 1º de maio de 2015.

A Disney e a Marvel Studios mantem Joss Whedon na dobradinha diretor/roteirista, enquanto preparam-se para uma intensa maratona de estreias dos super-herois solos até 2015. A saber:

  • Homem de Ferro 3 – 3 de maio de 2013;
  • Thor 2 – 8 de novembro de 2013 e
  • Capitão América 2 – 4 de abril de 2014.

Ansiosos?

 








PALPITEIRO BRASILEIRO

Campeonato dos Palpiteiros - Temporada 2019

Blog do Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Atual Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. É o Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

Abraccine - Associação Brasileira de Críticos de Cinema

Site com atividades e informações sobre a associação que reúne profissionais da crítica cinematográfica de todo o Brasil

Sinfonia Paulistana

um novo olhar

%d blogueiros gostam disto: