Festival Varilux de Cinema Francês 2014 – Números finais

4 06 2014

Saiu hoje o balanço geral do Festival Varilux de Cinema Francês 2014.

fvcf2014

O festival que trouxe as produções mais recentes da cinematografia francesa para 70 cinemas distribuídos em 40 cidades por todo o Brasil. A 5ª edição do Festival Varilux contou com a exibição de 16 filmes e chegou á um público recorde de 97 mil espectadores. O Universo E! fez uma intensa cobertura que resultou em 5 posts com rápidas resenhas sobre os filmes vistos, incluindo O Passado, Eu, Mamãe e os Meninos e Antes do Inverno (parte 1, parte 2, parte 3, parte 4 e parte 5).

Extremamente contente pelos números alcançados na edição desse ano, parabenizo também a cidade de Campinas (cidade-sede do Universo E!) por figurar entre as 10 cidades de maiores públicos do Festival Varilux (3.330 espectadores) em nível nacional e a 2ª entre as cidades paulistas, ficando a frente de capitais como Brasília, Porto Alegre, Salvador, Goiânia entre outras cidades. Os dois cinemas que sediaram as exibições por aqui – Topázio Cinemas no Prado Boulevard e Cineflix do Galleria Shopping – perfizeram uma renda total de R$32.563,00. Ambos também figuraram entre os 30 cinemas com maior arrecadação do festival!

Obrigado à todos que nos acompanharam nessa deliciosa jornada e já estamos à espera do próximo!

 

 

 

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Breves & Curtas #6

11 01 2014

Ano novo, ideias novas. Para manter o Universo E! sempre com postagens pelo menos uma vez a cada quinze dias, decidimos repaginar a edição do Breves & Curtas, que era destinado a pequenas notas e notícias sobre o cinema (cuja última edição foi postada em 2010) e adaptá-lo para resenhas sobre diversos filmes existentes, sem se apeguar ao fato de ser estreia, recente ou não.

Aqui tudo será válido: filme em DVD/blu-ray, nos cinemas, na Netflix, ou se estiver apenas disponível internet a fora. Cada edição trará três longas com a minha opinião e sua respectiva nota. Me parece ser um formato promissor dada a minha empolgação e espero que vocês aproveitem para discutir, comentar, opinar e discordar, afinal esse espaço também é de vocês.

Boa leitura!

Zelando pela boa noite de sono do namorado!

Zelando pela boa noite de sono do namorado!

ATIVIDADE PARANORMAL – Depois de muito tempo finalmente tive a oportunidade de conferir o primeiro longa dessa já famosa franquia do cinema de terror. A opinião daqueles que conheço e o tinham visto estava bem dividida: alguns se apavoraram com esse exemplar e outros não sentiram tanto pavor assim.

Tenho que concordar com esses últimos. Mas acrescento que não podemos deixar de elogiar a eficácia que esse primeiro Atividade Paranormal carrega consigo. Primeiro pelo casal de atores (os novatos Katie Featherston e Micah Sloat) que convencem como duas pessoas próximas entre si, que possuem um cotidiano em comum, convencimento que se estende ao ponto de ambos emprestarem os seus nomes reais aos seus respectivos personagens. Segundo, pela decisão do inexperiente (até então) diretor Oren Peli (responsável pelo roteiro do igualmente eficiente Chernobyl: Sinta a Radiação) em abandonar as características comuns dos filmes, optando por excluir os créditos iniciais e finais aqui, aproximando essa obra de ficção da realidade.

Com seus defeitos ao não explicar o motivo pelo qual o casal vive completamente isolado – isolamento pelo qual a narrativa se beneficia – e suas virtudes, ao moldar as características da “criatura” da vez num crescente de terror e ação entre sons e imagens, Atividade Paranormal não chega a ser um épico e singular exemplar do terror, mas funciona o suficiente para ocupar um lugar de destaque do gênero (repleto de porcarias) em desencadear uma franquia em massa nos cinemas. Espero apenas que a quantidade não resulte na queda de sua qualidade, tal qual Jogos Mortais.

NOTA: 4/5

Chama o Dexter, tenente Debra Morgan.

Chama o Dexter, tenente Debra Morgan.

QUARENTENA – Bebeu a água da mesma fonte de Atividade Paranormal. Um enredo sombrio contado do ponto de vista de uma câmera, mas não convence como o filme que o inspirou. Dessa vez é uma matéria sobre o dia-a-dia do Corpo de Bombeiros de Los Angeles para a TV que é a espinha dorsal da narrativa. Na frente da câmera temos a repórter Angela Vidal que está guiando a narrativa para o espectador, papel da eterna irmã de Dexter, Jennifer Carpenter (que também pode ser vista em O Exorcismo de Emily Rose).

Numa das ocorrências, as equipes de bombeiro e de reportagem, chegam a um edifício onde gritos aterrorizantes assustam os seus moradores. No local, uma senhora revela ser o motivo de tanta preocupação onde, inesperadamente, ataca um dos policiais que atendiam a ocorrência. Com a mesma rapidez, o Centro de Controle de Doenças americano isola o prédio do ambiente externo, entregando os seus ocupantes à lenta e certeira morte.

O maior defeito de Quarentena é que seu roteiro não consegue embasar a sua premissa apresentando-nos uma narrativa falha e colocando uma pesquisa de um veterinário como responsável por todo esse caos não é o suficiente, assim como outras ações e atitudes de seus personagens não condizem com a realidade ou com o quê se esperava de alguém numa situação dessas, sem citar os vários clichês onde a grande maioria do elenco se entrega ‘inocentemente’ às criaturas vis.

De bom temos as performances dos atores. Jamais imaginei que Jennifer Carpenter pudesse tremer e gritar tanto, assim como Jay Hernandez (O Albergue e O Pagamento Final: Rumo ao Poder) que sempre se sai bem em seus muitos papéis coadjuvantes ou o experiente Doug Jones (O Labirinto do Fauno e Hellboy) que se especializou (tal como Andy Sarkis) em dar vida digital a criaturas nada bonitas.

NOTA: 2/5

oterminal

É, a vida não tá fácil Hanks.

O TERMINAL – Viktor Navorski (Tom Hanks, O Código da Vinci e À Espera de um Milagre) teve a infelicidade de chegar aos EUA justamente quando seu país fictício do Leste Europeu, Krakozhia, sofre um terrível golpe de estado e entra numa grande crise diplomática onde passa a não ser reconhecido pelo governo americano. Resultado: Navorski fica impedido de entrar em solo americano, sendo obrigado a vagar pelo salão internacional do aeroporto JKF até que sua situação seja resolvida. Só que não tão rápido quanto se esperava.

Durante os nove meses em que fixou, forçadamente, residência no aeroporto, Navorski improvisou um curso instantâneo de inglês, idioma que não dominava causando-lhe grandes dificuldades e proporcionando divertidas cenas. Criou novas amizades com os trabalhadores do local, auxiliando-os e sendo auxiliados por eles a todo instante. Tornou-se um grande empecilho para Frank Dixon (Stanley Tucci, da franquia Jogos Vorazes e O Diabo Veste Prada) que se aproximou e muito de uma promoção a diretor responsável pelo gerenciamento de segurança do aeroporto, o que não ocorreu por não saber lidar com o peculiar caso do cidadão de Krakozhia. Mal sucedido no campo profissional passa a alimentar uma vingança infantil contra Viktor.

Entre as muitas idas e vindas dos passageiros, Navorski se apaixona por uma comissária de bordo, interpretada por Catherine Zeta-Jones (Chicago e Doze Homens e Outro Segredo), que tal como a inconstante rotina de seu trabalho apresentava uma tumultuada vida amorosa, que nem os conselhos e o interesse de Navorski foram capazes de modificar o seu comportamento.

Mesmo com um fraco anti-herói cuja motivação para atrapalhar a vida do protagonista soa mais como uma rixa entre crianças, O Terminal constrói um fascinante cotidiano de um aeroporto real, com grandes planos abertos que descrevem esse ambiente amplo (mas fechado) e com diversos personagens coadjuvantes cujas histórias inevitavelmente cruzam com a do protagonista, ao mesmo tempo que cria uma poderosa verossimilhança para a situação narrada ao abrir oportunidades para acompanhar os bastidores de um aeroporto muito semelhante à um shopping center. Isso sem levarmos em conta o evidente carisma de Tom Hanks nos idos de 2004, que dá traços marcantes e simpáticos a esse atrapalhado cidadão sem país, em busca da realização de um sonho pessoal que nem o inesperado cativeiro num saguão de aeroporto foi capaz de impedir.

NOTA: 4/5





Festival Varilux de Cinema Francês 2012 – dia 01

22 08 2012

O Universo E! apresenta agora sua cobertura do Festival Varilux de Cinema Francês 2012. As postagens serão divididas nos dias em que os filmes foram vistos (com alguma ou outra exceção). Serão resenhas rápidas detalhando superficialmente as produções que estiveram presentes no festival! Bom divertimento!

A FILHA DO PAI – Patricia, uma jovem que mora com pai, Pascal Amoretti, e suas irmãs no interior da França no final da década de 30, acaba conhecendo Jacques, filho de um comerciante local, que se encontram meio que sem querer. Do encontro repentino, o bastante para criar uma paixonite típica de adolescente, ela acaba engravidando dele e dessa gravidez que Patricia passa a sofrer as consequências do conservadorismo e do machismo da sociedade na época em que vive.

A partir desse momento ela se encontra sozinha e desamparada, uma vez que Jacques, um aviador recém-formado, fora chamado para comparecer em guerra; ela vai ter que lidar com esse fardo com o pai, uma vez com a ausência da mãe, o que dificulta ainda mais a situação. Mesmo com o seu bom humor, Pascal não deixa de ser severo com o ocorrido, mas tenta de todas as formas contornar a situação da filha sem tomar atitudes drásticas: seja procurando apoio da família Mazel ou casando a filha com Félipe, seu colega de trabalho, portador de uma inocência muito incomum para quem já passa dos seus 40 anos.

Sendo infrutífera todas essas tentativas, ele acaba mandando sua filha para morar com a irmã para fugir dos prováveis comentários da pequena localidade que vive.

O próprio tempo se encarrega de corrigir alguns erros cometidos pelas pessoas que compõe a narrativa: ao descobrir por terceiros que Patricia dera a luz a um menino (um antigo sonho seu, já que era pai apenas de garotas), Pascal aceita o retorno de sua filha para casa;  a informação de que Jacques Mazel morrera em combate, faz os pais dele se reaproximarem da família e da criança. E tudo volta aos trilhos quando a notícia da morte do rapaz é desmentida e ele retorna a França para finalizar a história de amor e selar a união das duas famílias.

NOTA: 4/5

A VIDA VAI MELHORAR  A situação não está boa para ninguém na atual França. Nem para Yann, chef de cozinha, que tenta se recolocar no mercado de trabalho e nem para Nadia, imigrante libanesa, que tenta se manter no país com o filho Slimane com o pouco que ganha em um restaurante. Um encontro repentino e casual entre os dois, leva-os a próxima etapa mais séria do relacionamento. E rapidamente, do primeiro encontro, já vemos os três desfrutando um momento de descontração.

É aqui que eles se deparam com um imóvel abandonado numa localidade aos arredores de Paris e planejam construir ali o seu próprio negócio. Sonhos e mais sonhos os levam a imaginar um futuro melhor para si mesmos, já imaginando o sucesso que o estabelecimento poderia alcançar. Sem o capital inicial necessário, Yann e Nadia entram na roda financeira dos empréstimos: o empréstimo imobiliário para compra do local e o financeiro para a necessária reforma do edifício, além de empréstimos pessoais mais arriscados, mas fáceis de obter, para conseguirem dar o sinal exigido.

Uma inspeção das autoridades municipais, entretanto, põe tudo a perder, impedindo a abertura do local e exigindo alterações no projeto que lhes custariam um dinheiro que não tinham mais. O filme passa a descumprir os bons votos de seu título: de que a vida vai melhorar.

O bom relacionamento entre Yann e Nadia começa a se desfazer com o tempo com a pressões das cobranças das dívidas, trazendo-os a um beco sem saída. Nadia aceita uma promoção no seu emprego e vai tentar a sorte em Montreal; Yann, na teimosia de não querer vender o imóvel (e ainda arcar com as dificuldades e as responsabilidades de cuidar de Slimane) com o objetivo de seguir com o planejado. Todas essas decisões causa uma angústia nos espectadores porque sequência após sequência nada parece dar certo para eles.

Esgotada todas as possibilidades de quitar o que deve, uma vez que a dívida se tornara uma verdadeira bola de neve, Yann num ato de desespero total rouba um de seus financiadores para fugir junto com Slimane para o Canadá. Mas como nada é fácil para eles, em Montreal descobrem que Nadia fora presa injustamente acusada de tráfico de drogas, motivo pelo qual não entrava em contato com o filho há meses. Agora, numa cidade totalmente desconhecida, eles terão que lutar para tirá-la da prisão ao meso tempo em que terão, se estabelecer nessa nova realidade. Do zero. E aí sim, com a esperança retratada pela cena final, melhorar de vida.

NOTA: 5/5

UM EVENTO FELIZ – conta a história de Barbara e Nicolas: um jovem casal desajustado e inconsequente (mas apaixonados) no estabelecimento da difícil vida a dois e na criação de um filho.

Na base do bom humor que conta todas as peripécias desde a gestação, do nascimento e dos primeiros meses da criança e o que isso acarreta para a vida pessoal de cada um e para a vida amorosa deles, que em troca da liberdade sem consequências da adolescência, passaram a ter as obrigações e as burocracias de uma família recém-estabelecida. Para facilitar ainda mais as coisas, as sogras são um grande empecilho na situação: enquanto a mãe dela beira a rebeldia do anarquismo, a mãe dele, conservadora e inflexível, sufoca a vida dos dois quando sua ajuda lhe é solicitada.

O filme é, acima de tudo, sobre amadurecimento, onde só com muita perseverança consegue-se construir aquilo que um amor verdadeiro proporciona.

NOTA: 3/5

INTOCÁVEIS – Driss é mais um dos imigrantes presentes na atual sociedade francesa. Com um passado turbulento envolvendo sua saída do Senegal, ele tenta à sua maneira vencer na vida e ganhar o seu salário no final do mês. O que não vem necessariamente acompanhado de trabalho. Apostando no preconceito existente e inerente a sua raça, ele corre atrás de três assinaturas nas residências que procuram profissionais para cuidar de pessoas com deficiência física. Isso validaria o seu pedido de seguro-desemprego junto ao governo, garantindo algum rendimento para os três meses seguintes. Mas nesse caminho ele não contava encontrar com o Philippe, um milionário tetraplégico, que vê em Driss a oportunidade de resgatar, pelo menos em parte, o passado aventureiro de sua vida.

Do vínculo forte e inesperado dessa amizade que surge algo especial e fascinante em Intocáveis que funciona como uma crítica a sociedade moderna e seus exageros excêntricos com contornos bem humorados nas observações ácidas e satirizadas de Driss. Demonstrando também uma quebra do paradigma no relacionamento entre um milionário preso a cadeira de rodas e um imigrante negro, pobre, que lida diariamente com o preconceito e a violência em seu cotidiano na periferia de Paris. Tendo na sua premissa um potencial imenso de se tornar uma história melodramática, Intocáveis usa esse choque de contrastes de múltiplas maneiras sem insultar a inteligência do espectador.

Se há um encaixe perfeito na questão de temperamento entre os protagonistas, tanto patrão quanto funcionário são úteis um ao outro para resolver suas respectivas pendências diárias, contribuindo significativamente um na vida do outro. Driss com a oportunidade tem a possibilidade de ampliar as expectativas de vida para sua família (tia e os primos mais novos); Philippe, por sua vez, teve a chance de vivenciar novamente seus dias de jovem aventureiro e poder viver, por um breve momento e em suas limitações, com alguém que o tratasse naturalmente sem a piedade e a distância usual das pessoas que lidam com pessoas com essas mesmas características.

NOTA: 5/5








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Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Atual Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. É o Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

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