Mostra Internacional de Cinema SP 2014 | parte 5

28 10 2014

-> Encerramos com esse post a nossa cobertura especial da 38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Espero que tenham aproveitado essa jornada de 5 dias e 16 filmes aqui comentados!

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UM POMBO POUSOU NUM GALHO REFLETINDO SOBRE A EXISTÊNCIA (Suécia, Alemanha, Noruega, França, 2014) – Se passa num universo paralelo ao nosso povoado por pessoas excêntricas que não tem noção do quanto suas atitudes e seus comportamentos são estranhos. Essa é a única explicação plausível.

Em geral, cenas corriqueiras são retratadas aqui: vendedores e suas bugigangas, a dinâmica de do salão de atendimento de um restaurante ou lanchonete qualquer, os conflitos entre vizinhos de um condomínio… Todos representados por uma realeza igualmente estranha, que expulsa todas as mulheres de um estabelecimento para apenas tomar um copo d’água e marcha a guerra com uma tropa praticamente infinita. Tais pessoas chamam a atenção pela palidez, algo muito próximo do visto nos Observadores na finada série Fringe (mas com cabelos).

A maioria das sequências traz embutido um humor proposital (no roteiro) e involuntário (por parte dos personagens), que discutem banalidades como se fossem a verdade universal. O que ocorre até de forma elegante quando o que faz rir está ao fundo da ação principal, em segundo plano. Este filme com título de 9 palavras e 47 caracteres equilibra-se na tênue linha que separa filmes bons dos ruins. E poderia muito se estabelecer aí se não incluísse uma cena de muito mal gosto envolvendo escravos. A produção passaria muito bem sem essa, já que a dita sequência não acrescenta absolutamente nada à história.

NOTA: 2/5

DUAS IRMÃS, UMA PAIXÃO (Alemanha, Áustria, Suíça, 2014) – Um casamento forjado pelo interesse financeiro (e me diga qual casamento não o era em pleno século XVIII?) impede a concretização de um amor verdadeiro entre o escritor em origem de carreira Friedrich Schiller e a aristocrata Charlotte. Como o próprio título deixa bem claro, isso não é tudo. Schiller também se apaixona pela outra irmã, Caroline, que também é correspondido e os três estão cientes disso.

Não precisa se prolongar muito para imaginar que caminhos a história irá percorrer, certo? Não é o que acha o diretor alemão Dominik Graf que cria um novo conceito de ‘prolongamento’ de filmes. Duas Irmãs, Uma Paixão aponta sua câmera para todas as direções possíveis e (in)imagináveis, mas não no aspecto técnico e sim narrativo. Desnecessariamente. O que ele consegue com isso é criar uma história burocrática, cansativa e desinteressante com as incontáveis idas e vindas de seus personagens.

Se o filme focasse toda a sua atenção para o quê realmente importa, o longa-metragem poderia até ser um curta. Quando a história realmente acontece, o espectador já não tem mais paciência para poder ser interessar pela conclusão. Tudo o que ele mais quer na vida é que o funcionário entre logo na sala de cinema e abra a porta de saída de emergência para anunciar o fim dessa tortura.

NOTA: 1/5

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Mostra Internacional de Cinema SP 2014 | parte 3

26 10 2014

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NABAT (Azerbaijão, 2014) – Antes de tudo, essa mulher é uma verdadeira guerreira. Com o marido Isgender adoentado, Nabat assume a tarefa que mantem a humilde casa em que vivem: ordenhar diariamente a vaca (a única posse expressiva que possuem) e levar o leite até a vila mais próxima (mas distante) para o responsável que fará a venda efetiva do produto. Essa é a tarefa retratada pelo longo e belíssimo plano-sequência que abre a produção, retratando uma tortuosa, íngreme, irregular e comprida estrada de terra percorrida todos os dias por esta senhora.

Se as circunstâncias dificultam e muito a vida de Nabat, barulhos incessantes de explosões ecoam do outro lado das montanhas que cercam o local, anunciando a proximidade de uma guerra. Os dois perderam o filho no conflito e pelo mesmo motivo também eles ficam totalmente isolados a medida que os moradores vão abandonando o vilarejo. Solidão que se agrava com a morte do marido. Emocionante acompanhar os esforços dela para enterrá-lo sob a chuva e, em seguida, notável a cena da silhueta negra de Nabat, da vaca e carroça ao horizonte num entardecer espetacularmente amarelo.

Nabat conta com elegantes movimentos de câmera enquanto testemunha o sofrimento de uma mulher que se mantem presa às atividades que se repetem, se repetem e se repetem: todos os dias a senhora percorre a mesma estrada para acender as lamparinas nas janelas das casas abandonadas, uma sugestão feita pelo finado marido para afastar os animais selvagens dali. Algo que faria e fez até o fim de sua vida.

NOTA: 5/5

JIA ZHANGKE, UM HOMEM DE FENYANG (Brasil, 2014) – O documentário brasileiro vai até a China revelar os bastidores e as inspirações de Jia Zhangke na produção de seus filmes, uma das mais importantes cinematografias chinesas.

Com a inclusão de várias cenas de seus longas (como Plataforma, Um Toque de Pecado, Em Busca da Vida, Dong, entre outros), a produção constrói um importante gancho para a realização das entrevistas que ocorrem no mesmo local das locações, trazendo amigos, familiares e parceiros dos sets de filmagem de longa data. O mesmo ocorre nos locais por onde o cineasta chinês cresceu (uma antiga prisão de Fenyang que foi transformada em uma série de moradias), viveu (um bairro inteiro a ser demolido devido ao ímpeto imobiliário da China) ou estudou (a admiração que os estudantes da Academia de Belas-Artes na China).

O documentário de Walter Salles capta muito bem a humildade de seu homenageado que não assume a áurea do estrelato mesmo ciente da sua importância para o Cinema, tanto chinês quanto mundial, e retorna com muita simplicidade às origens da sua vida, lidando novamente com as pessoas que o auxiliaram, artística e tecnicamente, em sua carreira. A produção, no entanto, ganharia mais ritmo se algumas cenas fossem encurtadas ou até mesmo excluídas da versão final.

NOTA: 3/5

ILUSÃO (Espanha, 2013) – Daniel Castro é um roteirista (ou um vendedor de ilusões) que ainda não emplacou nenhum projeto importante no cinema, dispensa qualquer trabalho que a televisão possa lhe oferecer devido à má qualidade dos programas ali apresentados e extremamente mimado! Sem nenhuma fonte de remuneração em vista, ele considera muito mais fácil pedir dinheiro emprestado para os pais (até a partir do momento em que estes se recusam a ajuda financeira) e prefere que sua namorada arque com as despesas do aluguel do apartamento em que vivem. Tudo em nome de sua liberdade criativa.

Liberdade que Daniel tem até demais, perdendo a noção do ridículo na hora de escrever e apresentar os seus trabalhos. Ilusão até que consegue fazer algumas graças como a implicância do protagonista com a filmografia de Michael Haneke ou ao citar a obsessão de James Cameron com 3D. Mas todas as outras piadas são tolas e provocam um risinho de canto de boca.

Nem a história em si que preenche os seus (felizmente) poucos 70 minutos atinge lá um grau de originalidade, previsível desde o seu segundo ato. A torcida durante a sessão é para que o filme seja objetivo o suficiente para resolver a sua história o mais breve possível. Pelo menos isso ele consegue.

NOTA: 2/5





Mostra Internacional de Cinema SP 2014 | parte 1

19 10 2014

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15 ANOS + 1 DIA (Espanha)– A rebeldia comportada de Jon (vamos admitir, as suas ‘travessuras’ nem são tão graves assim para justificar a sua suspensão de 3 meses na escola) o leva a passar uma temporada na casa de seu avô, longe de qualquer apetrecho eletrônico.

Por mais problemático que seja, Jon (Arón Piper, de Maktub) tem um bom relacionamento com sua mãe (Maribel Verdú, do inesquecível O Labirinto do Fauno e E Sua Mãe Também), uma atriz que poderia ser veterana, mas não é. A dificuldade para ela conseguir um trabalho qualquer é tanta que até a própria mãe dela admite que a situação só não é pior devido ao bom patrimônio deixado pelo pai de Jon, cuja morte ocultada vira um dos escopos da trama.

E esse é o grande problema de 15 Anos + 1 Dia – a quantidade excessiva de temas abordados –, que acaba enfraquecendo-o como um todo narrativamente falando. Uma hora são problemas inerentes a qualquer adolescência comum, depois são os problemas familiares do passado que ainda ecoam no presente, uma discussão tola envolvendo uma desnecessária briga de vizinhos e, por fim, uma questão policial que ocupa toda a sua metade final. Tudo desenvolvido sem um aprofundamento apropriado e sem despertar o interesse necessário.

NOTA: 2/5

PÁSSARO BRANCO NA NEVASCA (EUA/França)– Podemos dizer que Kat (mas a não a Katniss de Jennifer Lawrence em Jogos Vorazes e sim Katrina Connor, vivida pela igualmente linda Shailene Woodley – vista recentemente em produções de grande apelo público como Divergente e A Culpa é das Estrelas) amadureceu bem apesar de todo o estranho ambiente familiar que a cercava.

Seus pais viviam um autêntico casamento de fachada, um relacionamento onde imperava a infelicidade. Eva Green (de Cruzada e Sin City: A Dama Fatal), que interpreta a mãe da adolescente, Eve Connor, encarna maravilhosamente bem todas as fases e temperamentos de sua personagem: desde a esposa dedicada e ideal no início de casamento até chegar ao ápice de uma mulher a beira da loucura, consumida pelo tédio que a união com Brock Connor (Christopher Meloni, Noites de Tormenta e O Homem de Aço) despertou.

Estar na pele de Kat não era mesmo uma tarefa fácil, que ouvia quase a todos os instantes as lamentações da mãe pelo casamento até o momento em que essa desaparece em 1988, quando a garota tinha então 17 anos. Pode até parecer estranho, mas o sumiço repentino da mãe pouco alterou a rotina da filha: continuava saindo com seus melhores amigos Beth (Gabourey Sidibe, que surgiu no filme Preciosa: Uma História de Esperança e da série The Big C) e Mickey (Mark Indelicato, da série americana Uggly Betty); tinha que conviver com um pai apático e apenas o seu relacionamento com Phil (Shiloh Fernandez, A Morte do Demônio e A Garota da Capa Vermelha) vinha esfriando desde então.

Embora não consiga desenvolver suas subtramas (caso de Kat com o detetive que investiga o sumiço de sua mãe) com a mesma qualidade vista no plot principal, Pássaro Branco na Nevasca melhora sempre quando volta para o seu foco primordial: desvendar o que de fato ocorreu com Eve. O longa de Gregg Araki (também diretor de Mistérios da Carne) não assume as características de um thriller policial, mas se sai bem na parte investigativa utilizando-se de pistas soltas ao longo da história. Não podemos deixar de citar a boa trilha sonora com músicas da época e o carisma demonstrado por seu elenco de coadjuvantes.

Nada disso, porém, preparou ou indicou o caminho para o seu desfecho e suas motivações.

NOTA: 4/5

FILHO DE TRAUCO (Chile) – No Chile há uma lenda que diz que crianças cujos pais são desconhecidos e são criadas por mães solteiras acabam sendo chamadas de ‘filhos de Trauco’. Uma crendice muito popular em vilarejos afastados dos grandes centros urbanos, encravados no interior do país. Crendice que ganha ainda mais força em uma comunidade instalada numa ilha isolada da parte continental do país.

O protagonista do filme, Jaime (o novato Xabier Usabiaga), se enquadra parcialmente nessa descrição.  O jovem de 14 anos desconhece a sua paternidade, mas mesmo sendo habitante da ilha, não cai facilmente nos contos criados pelos seus conterrâneos. O seu espírito poético é libertador (que mais tarde o longa revela ser um dom herdado de seu pai), o que invoca nele uma imensa vontade de deixar a ilha e seguir para o norte do Chile, rumo à uma cidade maior. Uma ideia que ganha mais força ao ser suspenso injustamente pela direção de sua escola em um caso de plágio.

Filho de Trauco é o primeiro longa-metragem do diretor Alan Fischer, que a partir de uma lenda urbana, cria uma aventura juvenil com Jaime em busca da verdade sobre a identidade de seu pai, deparando-se com uma nova versão sobre a identidade do seu pai e o que lhe ocorreu a cada passo dado. Tudo envolto por uma atmosfera híbrida meio fantástica, meio real, criada habilmente através de criativos créditos iniciais (que acabam nos apresentando a ilha onde a trama se passa) e as recriações digitais de visões de Violeta (a estreante Ignacia Tellez), o primeiro interesse amoroso de Jaime. Mas nada muito além disso.

NOTA: 3/5

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ATENÇÃO: Esse post inicial é apenas um aperitivo. A cobertura do Universo E! na 38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo continua no próximo fim-de-semana, onde dedicaremos, no total, 5 dias ao festival.





ANÁLISE: A História da Eternidade

16 10 2014

FILME VISTO DURANTE O VI PAULÍNIA FILM FESTIVAL

-> Vencedor do Menina de Ouro de melhor filme pelo júri, melhor direção (Camilo Cavalcante), melhor ator (Irandhir Santos) e melhor atriz (dividido entre as atrizes Débora Ingrid, Zezita Matos e Marcélia Cartaxo).

-> A História da Eternidade também é um dos grandes destaques da 38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo com três sessões programadas: dia 24/10 – 21h00 – Espaço Itaú de Cinemas Frei Caneca ||| dia 26/10 – 15h00 – CineSesc ||| dia 28/10 – 19h50 – Reserva Cultural

O que mais enriquece um filme que tenha o Nordeste brasileiro como locação é a excelente oportunidade de usar o choro da sanfona na composição da obra. Some-se a isso a desolação de uma paisagem extremamente árida, seca. Temos uma junção muito potente de imagem e som que resultam em um retrato paradoxalmente belo e melancólico.

O que já seria triste por natureza agrava-se ainda mais quando surge nessa paisagem uma procissão que persegue, em meio a poeira, um caixão diminuto e branco. Um caixão infantil. O destino desse pequeno grupo de pessoas é o cemitério que, se inserido num amplo campo de visão, torna até difícil determinar onde ele termina e onde o sertão começa.

Uma região seca e de parcos recursos, onde pouca coisa muda e a tradição perpetua. Entre seus poucos personagens, o diretor pernambucano Camilo Cavalcante (que também assina como roteirista) consegue pincelar todos os tipos de habitantes que compõe, de fato, a região: a família que trabalha arduamente na lavoura e que mantem a única mulher da casa (mesmo que ela seja a filha caçula) nos afazeres domésticos e responsável pelas refeições; outra família encontra-se dividida entre aqueles poucos que ficaram e os outros muitos que foram tentar uma sorte melhor em outras cidades – capitais nordestinas ou as regiões sul e sudeste brasileiras. Qual seja a história, a pobreza e fome estará presente.

Alfonsina (Débora Ingrid) perdeu a mãe muito cedo e desde criança (ou seja, há pouco tempo) aprendeu a dominar o fogão para alimentar seu pai e irmãos. Cada refeição na casa deles consiste no mesmo ritual: os filhos veem o pai se servir primeiro para depois servirem a si mesmos, enquanto a caçula acompanha tudo de pé aos fundos. A pessoa com que Alfonsina tem mais intimidade mesmo é o tio João (Irandhir Santos, Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo e O Som ao Redor), que com as constantes viagens para o litoral tem a veia mais cultural, hippie ou descolada entre todos da comunidade. É ele quem instigou a fascinação de Alfonsina pelo oceano.

Próximo dali, a senhora Das Dores (Zezita Matos, Cinema, Aspirinas e Urubus e O Céu de Suely) recebe a visita de Geraldinho (Maxwell Nascimento, dos longas Querô e De Menor), o neto que retorna de São Paulo aparentemente passar uma breve temporada na terra onde nasceu, mas que na verdade está mesmo se escondendo de um passado violento. Fechando o ciclo, ainda há Aderaldo (Leonardo França), um sanfonista cego, persistente em seu sonho de conquistar o coração de Querência (Marcélia Cartaxo, A Hora da Estrela e Quanto Vale ou é Por Quilo?), uma pobre senhora viúva.

Para contar a história desses personagens, A História da Eternidade explora ao máximo o cotidiano da região. Ao mesmo tempo em que o retrata com todas as mazelas que o constituem como o transporte em pau-de-arara, o único telefone público da região ou o espaço social do televisor comunitário, o filme ainda acha espaço para criar cenas absurdamente lindas e poéticas: além da sequência inicial já citada no primeiro parágrafo, podemos citar o amanhecer entre os cactos,  a performance individual de Irandhir em um show muito particular e estranho aos olhos daqueles o cercam. Há ainda a divisão do filme em atos (três ao todo) muito bem construída e representada visualmente a partir das árvores, que vai do cômico ao trágico com a mesma eficácia.

Com cada história apresentando suas particularidades, todos os personagens sofrem de um sentimento em comum: a carência. Seja ela causada pela distância (geográfica ou emocional) ou fruto da incompreensão dos mais próximos em relação aos sonhos e/ou desejos. O que choca é a crueldade com que o destino trata de lidar com cada um deles, quase que simultaneamente e num momento raro onde até o cenário tem suprida a sua maior necessidade: a água da chuva.

NOTA: 5/5





ANÁLISE: De Menor

28 09 2014

FILME VISTO DURANTE A 1ª SEMANA TUPINIQUIM CINEFLIX 

Helena retorna para casa após mais um momento de curtição na praia. Na residência à venda está Caio (Giovanni Gallo, mais conhecido por ser um dos protagonistas da série Pedro e Bianca da TV Cultura), seu irmão mais novo de 16 anos, pelo qual ela ficou responsável devido à perda de seus pais. Num primeiro momento, De Menor foca na relação extremamente carinhosa entre os irmãos com direito a brincadeiras inocentes na praia, a cafunés na cozinha e no sofá e abraços afetuosos.

Helena (Rita Batata, Não por Acaso e O Magnata) é uma defensora pública que lida diariamente com menores infratores na cidade de Santos om perfis extremamente opostos ao de seu irmão. Há aquele que não tem a presença de nenhum dos pais por perto e não possui vida escolar, mas faz luzes no cabelo e tem um braço todo coberto por tatuagens; há aquela menina grávida que pretende ter o filho na rua por não aceitar ficar em abrigos e nem retornar para a casa da mãe e há outros que cometem infrações de menor potencial ofensivo.

Ter um adolescente sob sua responsabilidade faz com que Helena tenha muito mais proximidade e compaixão com aqueles que sentam no banco de réus da Vara da Infância e Juventude. Natural também que sua atuação nessas audiências seja sempre mais branda do que a de seus nobres colegas julgadores. O seu comprometimento com trabalho a leva, inclusive, a procurar a mãe de um deles em São Paulo (e ajuda-la financeiramente) para que ela compareça na audiência na cidade litorânea.

O que Helena jamais esperava é que uma das audiências que já está tão acostumada a presenciar seria com o seu irmão. Caio enganou muito bem, tanto a irmã quanto o público. Jamais esperávamos que o mesmo garoto de danças psicodélicas debaixo do chuveiro, consumidor de bolachas recheadas e autor de beijos carinhosos em sua irmã advogada fosse se enveredar pelas trilhas do crime. Se a primeira vez em que é visto algemado na delegacia surpreende, a segunda vez em que é preso já não causa tanta surpresa. Nem mesmo a gravidade do crime dessa vez: assalto a mão armada.

Com uma dupla de protagonistas que constroem personagens e situações verossímeis com atuações tão evidentes por closes frequentes, De Menor apresenta também um competente Caco Ciocler (do divertidíssimo 2 Coelhos e Meu Pé de Laranja Lima) no papel de juiz. O ator veterano consegue se destacar não só pela compreensão ao conduzir suas audiências, mas também por demonstrar sua autoridade em momentos em que não surge em tela, trazendo a firmeza de seu personagem apenas com a voz.

Dolorido presenciar o processo de desconstrução que Helena faz da imagem de seu irmão conforme vai descobrindo fatos que ele ocultava em sua própria investigação. Dói vê-la vasculhar o quarto dele em busca de algo que tivesse passado despercebido, fazendo com que não tomasse providências anteriormente. Uma ferida interna crescente após a tamanha responsabilidade que passou a ter em mãos de repente, ao ter um adolescente para educar e criar, sem a maturidade suficiente para tanto.

De Menor é um desses filmes que não precisam de muito para ser mostrar a que veio. A simplicidade de seu roteiro e de sua montagem não deixa a desejar, mas sim só a valorizar, por convencer com muito pouco. A defensora pública agora com o próprio irmão recolhido em uma Fundação Casa agora terá que reencontrar forças para continuar a vida, que dia após dia, não vem se revelando fácil para ela. E por mais que Helena pareça não sucumbir a essa pressão, a cena que encerra o longa, com ela encolhida numa banheira mostra o quanto ela já está sofrendo com tudo isso.

NOTA: 5/5





1ª Semana Tupiniquim Cineflix | programação

24 09 2014

Começa nessa quinta (25/09) e vai até a próxima quarta-feira (01/10) a 1ª Semana Tupiniquim do Cineflix. Uma programação especial composta por 8 filmes nacionais que representam a excelente safra da produção cinematográfica brasileira em 2014, sendo destaque no mundo todo.

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Serão de 4 a 5 sessões diárias com o preço único a R$ 7,00 e uma ótima oportunidade de ver aquele filme você deixou sair de cartaz sem assistir ou ter uma nova oportunidade de revê-lo na tela grande. Também está incluído na programação o nosso indicado a concorrer a uma das vagas de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2015, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho.

A rede Cineflix tem atualmente 10 complexos em operação em 4 estados: Distrito Federal, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo.

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Para facilitar ainda mais a sua vida, disponibilizamos abaixo a programação completa dessa semana festiva para a região metropolitana de Campinas: nas cidades de Campinas e Valinhos.

Aproveite e prestigie o que o Cinema do Brasil tem de melhor:

CAMPINAS – CINEFLIX (SHOPPING GALLERIA)

QUINTA 25/09

  • 14h00 O Lobo Atrás da Porta
  • 14h10 Praia do Futuro
  • 16h30 A Oeste do Fim do Mundo
  • 19h00 O Homem das Multidões
  • 21h30 De Menor

SEXTA 26/09

  • 14h00 Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
  • 16h30 Praia do Futuro
  • 19h00 Dominguinhos
  • 21h30 Riocorrente

SÁBADO 27/09

  • 14h00 O Homem das Multidões
  • 16h30 De Menor
  • 19h00 O Lobo Atrás da Porta
  • 19h10 Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
  • 21h30 A Oeste do Fim do Mundo

DOMINGO 28/09

  • 14h00 Riocorrente
  • 16h30 Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
  • 19h00 Praia do Futuro
  • 21h30 Dominguinhos

SEGUNDA 29/09

  • 14h00 A Oeste do Fim do Mundo
  • 16h30 O Homem das Multidões
  • 19h00 De Menor
  • 21h30 O Lobo Atrás da Porta
  • 21h40 Riocorrente

TERÇA 30/09

  • 14h00 Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
  • 16h30 Riocorrente
  • 19h00 Dominguinhos
  • 21h30 Praia do Futuro

QUARTA 01/10

  • 14h00 De Menor
  • 16h30 Dominguinhos
  • 19h00 A Oeste do Fim do Mundo
  • 21h30 O Homem das Multidões

VALINHOS – CINEFLIX (SHOPPING VALINHOS)

QUINTA 25/09

  • 14h00 O Lobo Atrás da Porta
  • 14h00 Dominguinhos
  • 16h30 A Oeste do Fim do Mundo
  • 19h00 O Homem das Multidões
  • 21h30 De Menor

SEXTA 26/09

  • 14h00 Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
  • 16h30 Praia do Futuro
  • 19h00 Dominguinhos
  • 21h30 Riocorrente

SÁBADO 27/09

  • 14h00 O Homem das Multidões
  • 16h30 De Menor
  • 19h00 O Lobo Atrás da Porta
  • 19h00 Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
  • 21h30 A Oeste do Fim do Mundo

DOMINGO 28/09

  • 14h00 Riocorrente
  • 16h30 Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
  • 19h00 Praia do Futuro
  • 21h30 Dominguinhos

SEGUNDA 29/09

  • 14h00 A Oeste do Fim do Mundo
  • 16h30 O Homem das Multidões
  • 19h00 De Menor
  • 21h30 O Lobo Atrás da Porta
  • 21h30 Dominguinhos

TERÇA 30/09

  • 14h00 Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
  • 16h30 Riocorrente
  • 19h00 Dominguinhos
  • 21h30 Praia do Futuro

QUARTA 01/10

  • 14h00 De Menor
  • 16h30 Dominguinhos
  • 19h00 A Oeste do Fim do Mundo
  • 21h30 O Homem das Multidões




Campinas terá a 11ª sala IMAX do Brasil

21 09 2014

EDIT 2: Chegou o grande dia! Após dois meses do prazo previsto, a sala IMAX de Campinas será inaugurada nessa quinta (dia 12/02) no Kinoplex do Parque Dom Pedro Shopping. A programação dessa primeira semana festiva será a seguinte: O Destino de Júpiter (DUB) 15h20 e (LEG) 18h00. E se encerra com a pré-estreia do drama de Clint Eastwood, Sniper Americano (LEG) as 21h00.

EDIT: Olá leitor. Muito obrigado pela visita. Saiba que o Universo E! desde 31/10/2014 está em uma nova casa. Todas as nossas novas postagens você confere nesse link: http://www.serounaosei.com/category/universo-e/

Kinoplex, o maior cinema de Campinas com 15 salas, trará para a cidade a 11ª sala IMAX a ser instalada no Brasil. A inauguração da tecnologia inédita no município está prevista para o mês de dezembro e faz parte de um investimento de R$ 12 milhões da rede na modernização de seu complexo localizado no Parque Dom Pedro Shopping.

As 15 salas da rede Kinoplex em Campinas passam por renovação e modernização, num custo total de R$ 12 milhões.

A instalação da sala IMAX é a última etapa desse projeto, uma vez que complexo já reformou toda a parte externa do complexo (bilheteria, terminais de auto-atendimento, bombonière e também o hall de entrada que passou a contar com vídeo wall), as salas tiveram  todo o interior reformado e ainda foram instaladas duas salas Kinoplex Platinum (VIP) com poltronas reclináveis que contam com uma bilheteria exclusiva para a venda de ingressos.

Maior grupo exibidor de filmes 100% brasileiro, o Grupo Severino Ribeiro terá na cidade do interior de São Paulo a sua primeira sala IMAX no país, que será instalado no primeiro multiplex do grupo sob a bandeira Kinoplex, inaugurado em 2003 em Campinas.

Além de uma forma de competir com os demais cinemas da cidade (os principais concorrentes são a rede Cinemark com a sala Xtreme Digital no Shopping Iguatemi Campinas e a rede Cinematográfica Araújo com sua sala VIP e suas duas salas com super-telas no Shopping Parque das Bandeiras), o Grupo Severiano Ribeiro incluiu a cidade em seu plano nacional de modernização e expansão, onde estão previstas a aberturas de 100 novas salas no Brasil, além do processo de digitalização de toda a sua rede.

IMAX

Uma das mais 800 salas IMAX espalhadas pelo mundo

Uma das mais de 800 salas IMAX espalhadas pelo mundo

 

O mesmo crescimento é esperado para as salas IMAX no período. Atualmente, o Brasil possui dez salas em operação nas seguintes cidades: São Paulo (com 3 salas, sendo a primeira do país instalada no Espaço Itaú de Cinemas – Pompeia, no Shopping Bourbon); Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre, Cotia/SP, Ribeirão Preto/SP, Fortaleza e Recife são as demais cidades com uma sala cada uma. Até 2016 estão previstas a inauguração de mais 14 salas com o circuito IMAX totalizando 25 salas ao todo.

Imagem Maximum (IMAX) é um formato de projeção de filmes que tem a capacidade de transmitir imagens bem maiores em tamanho e resolução do que o sistema convencional hoje existente nos cinemas. De acordo com o Wikipedia, a tela padrão IMAX tem 22 metros de largura por 16,1 metros de altura (354,2m² de projeção), mas podem dimensões grandiosas: a sala IMAX Big Cinemas de Mumbai na Índia, utiliza a tecnologia IMAX Dome e tem uma tela de 1.180m², enquanto o IMAX Theatre Sydney, na Austrália, conta a maior tela retangular nesse formato no mundo com uma área de projeção de 1.051m².

Campinas, a partir de dezembro, pertencerá a um seleto grupo de 837 cinemas em 57 países a contarem com a uma sala IMAX.





VI Paulínia Film Festival | Sinfonia da Necrópole

30 07 2014
Troféu Menina de Ouro do Paulínia Film Festival

Troféu Menina de Ouro do Paulínia Film Festival

[BRASIL, 2014] – Quem diria que um assunto tão peculiar (o cemitério) poderia render uma boa história contada através de gêneros difíceis de relacionar à essa temática: a comédia e o musical. Tal façanha foi alcançada com extremo sucesso por Juliana Rojas (em segundo longa, depois de dirigir Trabalhar Cansa) e equipe.

Um grande cemitério da cidade de São Paulo recebeu um candidato pouco apto a exercer a profissão da qual é aprendiz – coveiro. A primeira vez que vemos Deodato (Eduardo Gomes) ocorre quando o vemos ser resgatado de dentro da cova de um enterro em andamento. O mal súbito do protagonista é recorrente, o quinto em menos de um mês, ou seja, são praticamente nulas as chances de prosperidade de Deodato nesse cargo.

Um fiel espelho da grande metrópole em que está instalado, o cemitério (ou a necrópole do título) passa pelos mesmos problemas da cidade que o cerca. Só que no primeiro caso os envolvidos são os mortos e os seus túmulos e, no segundo, somos nós e os nossos corpos. Vivos. Por enquanto…

Falta de manutenção, jazigos abandonados e espaço escasso para receber novos inquilinos. A comparação é verdadeira, já que a escassez de espaço é a desculpa recorrente da (pouca) mobilidade urbana. Para solucionar essa mórbida questão entra em cena Jaqueline (Luciana Paes, Onde está a Felicidade? e Crô: O Filme), uma entusiasmada profissional do ramo funerário, contratada pelo administrador do cemitério, Aloíso (Hugo Villavicenzio, O Cheiro do Ralo e Trabalhar Cansa) e encarregada de mapear e recadastrar todas as pessoas enterradas, encontrar espaços ociosos e contatar famílias a serem indenizadas devido a realocação de alguns túmulos. Tudo integrando um plano de verticalização do cemitério (qualquer semelhança com o lado externo é mera coincidência).

Além dos túmulos, o cemitério e suas adjacências são povoados por personagens coadjuvantes carismáticos que auxiliam na criação do humor afiado da produção. O roteiro também assinado pela diretora, por exemplo, recria expressões populares para se adequar ao cenário abordado, ao mesmo tempo em que cria esquetes que não soam tolas e deixam uma dúvida bem-vinda: o riso ocorre por que a produção não se leva a sério? Ou por que leva a sério o que é engraçado? Acredito que um pouco dos dois…

De qualquer forma, a experiência como um todo é gratificante. Claramente uma produção de baixo orçamento, Sinfonia da Necrópole entusiasma mais pelo carisma de seus personagens e pela originalidade de sua história (principalmente as canções) do que pela possibilidade de um relacionamento entre seus protagonistas, que existe, embora seja passageiro.

NOTA: 4/5





VI Paulínia Film Festival | Neblina

26 07 2014
Troféu Menina de Ouro do Paulínia Film Festival

Troféu Menina de Ouro do Paulínia Film Festival

[BRASIL, 2014] – A essência primordial de um documentário é transmitir o maior número possível de informações sobre determinado assunto, reunindo para tanto: dados históricos, depoimentos de pessoas que conheceram ou vivenciaram o tópico em questão e pesquisa de imagens. Tudo de uma forma orgânica e funcional, e por que não, prazerosa de se assistir.

Com muitos méritos, Neblina consegue preencher muito bem esses quesitos ao enfocar as ruínas ferroviárias da vila de Paranapiacaba, na região da Serra do Mar em São Paulo, distante 74 quilômetros da capital paulista. Frequentemente um denso nevoeiro encobre o cenário da região. O que certamente seria um charme a mais para a pacata vila em seu apogeu no passado, quando era o coração e um importante corredor de exportação do estado, hoje a neblina é sinônimo de depressão para os moradores.

Mas depressivo mesmo é o que a névoa esconde e o sol, em dias límpidos, escancara sem rancor. Todo o sítio ferroviário de Paranapiacaba (que, infelizmente, pode ser estendido a todo Brasil, salvas raríssimas exceções) estão em completo abandono. Vagões são grandes sucatas a céu aberto; as estações, os pátios de manobras e todo o conjunto arquitetônico voltado para o funcionamento da ferrovia estão em degradação perene. A própria vila sofre com a precariedade de suas estruturas antigas e a falta de investimentos necessários para a sua manutenção e conservação.

Como parte de um todo, o que aconteceu e tem acontecido em Paranapiacaba sofreu uma clara influência externa, muitas vezes contrária à vontade daqueles que a habitam. Desde a arquitetura de inspiração portuguesa e inglesa (os primeiros imigrantes que se estabeleceram na região), o humor econômico europeu que determinava o quê, como e de que forma as verbas seriam investidas ali ou decisões políticas internas, conjuntamente com a forte pressão financeira de montadoras de veículos, que foram minando, gradativamente, a importância das estradas de ferro brasileiras. Um grave equívoco para uma nação continental como o Brasil em apostar todas as suas ficha$ na malha rodoviária e relegar as ferrovias ao segundo, terceiro, sétimo plano.

O que se vê hoje em Paranapiacaba é um retrato fiel e melancólico do que se tornou a rede ferroviária no país. Uma sucessão de erros e má decisões que a deixou fragmentada, descontínua e deixou em ruínas um passado que será difícil reconstruir. Em Neblina, importante destacar a abrangência da visão adotada pelos diretores Daniel Pátaro e Fernanda Machado ao abordar essa decadência, que acaba interferindo um pouco no ritmo do documentário. Um campo de visão alicerçado em uma extensa seleção de imagens de arquivo preto-e-branco dos mais variados temas (que jamais suporíamos estarem presentes em um documentário sobre Paranapiacaba), mesclados com os depoimentos de seus moradores, que vivenciaram o tempo de esplendor da vila ou que simplesmente tentam, com muita dificuldade, preservar um pouco dessa história.

NOTA: 4/5  





Vai ter Copa sim! (E nos cinemas ainda)

6 06 2014

Ah, você fanático por futebol, mas igualmente alucinado por cinema, achou que ia ficar distante das salas escuras e suas telonas durante a realização da Copa do Mundo aqui no Brasil, não é mesmo?

copa-do-mundo-2014

Pois saiba que você está redondamente (perdão pelo trocadilho) enganado. O site Ingresso.com, a Cinelive (empresa pioneira na distribuição de conteúdo digital via satélite para os cinemas), juntamente com as redes de cinema Cinemark, Kinoplex, UCI, Cinépolis, Moviecom e GNC serão responsáveis por trazer as emoções das partidas da Copa para dentro dos cinemas de todo o Brasil.

E o melhor: o foco das transmissões não se limitará apenas aos jogos da seleção brasileira. Para a cidade de Campinas, por exemplo, já está disponível a venda de ingressos para os jogos do Brasil contra Croácia (quinta, dia 12) e contra o México (terça, dia 17), mas também há opções de compra para os confrontos:

– Espanha x Holanda (sexta, dia 13);

– Inglaterra x Itália (sábado, dia 14) e

– Alemanha x Portugal (segunda, dia 16)

As capitais como São Paulo e Rio de Janeiro oferecem mais opções. No momento em que este post é escrito, ambas as cidades tinham 9 jogos habilitados para compra de ingressos. Então, para maiores informações sobre preços e outros jogos disponíveis na sua cidade consulte o hotsite do Ingresso.com para a Copa e divirta-se!








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Campeonato dos Palpiteiros - Temporada 2017

Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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