ANÁLISE – Planeta dos Macacos – A Origem

11 09 2011

Olhos Brilhantes é uma símia cobaia sob os cuidados da Gen Sys e seu pesquisador Will Rodman (James Franco, 127 Horas) que desenvolvem uma substância com a finalidade de tratar doenças mentais como o Alzheimer. Além da aparente cura, a AZL 112 como é chamada essa substância, também aumenta a capacidade cognitiva do cérebro, tornando os animais que se submetem ao tratamento mais inteligentes.

No dia da demonstração do avanço atingido pelo tratamento com Olhos Brilhantes – o que alçaria a aplicação da AZL 112 em humanos, a macaca tem um inesperado ataque de fúria, destruindo grande parte do prédio da empresa e por conseguinte, suspendendo definitivamente o desenvolvimento da pesquisa e todos os animais envolvidos são sacrificados.

Entretanto, o comportamento anormal de Olhos Brilhantes é explicado por algo que os cientistas encontram na jaula dela: um filhote recém-nascido. Pela sua raça desenvolver muito pouco a barriga, os cientistas não desconfiaram da gravidez dela. Essa é uma ponta que o roteiro de Planeta dos Macacos deixa solta já que o projeto poderia ter continuidade, e não ser encerrado bruscamente como foi, já que seria plausível a explicação do comportamento de Olhos Brilhantes como instinto materno e não como efeito colateral da nova droga.

Como único animal sobrevivente, o filhote de Olhos Brilhantes é levado para a casa de Will e é nesse ambiente que Cesar, como passa a ser chamado, cresce e se desenvolve, demonstrando um outro lado da AZL 112 até então desconhecido: as habilidades adquiridas pelos animais sob a influência da substância são transmitidas geneticamente para os seus descendentes. Cesar, assim, mostra uma excepcional capacidade de se comunicar  através da linguagem dos sinais e realizar associações através da memorização, algo inerente apenas aos humanos.

A obsessão de Will pelo projeto é explanada subjetivamente por sua relação com o pai, Charles Rodman (John Lithgow, Dexter e Shrek) portador de doença mental e responsável pelo nome dado ao novo integrante da família:  o pai de Will tinha no momento uma fascinação pelo famoso personagem da obra de Shakespeare. Digo subjetiva pois o roteiro não esclarece se é realmente devido ao pai que Will se envolveu no projeto ou tudo não passou de uma mera coincidência.

Ainda desiludido com destino dado ao seu projeto, Will clandestinamente utiliza seu pai como cobaia. Com os bons resultados a primeira vista fazem Will reativar o projeto na empresa com o auxílio de Steven Jacobs (papel de David Oyelowo, de O Último Rei da Escócia), mas em seguida, todo o projeto teve de ser refeito. Embora a substância funcionasse nos primatas, o mesmo não ocorria nos humanos. Foi constatado uma melhora significativa nos primeiros dias, mas a doença logo voltava e em um estágio pior do que o inicial.

Essa piora, essa regressão do estado de Charles que faz iniciar um tumulto com o vizinho e Cesar reage violentamente em defesa a Charles. E sendo julgado como um perigo a vida em sociedade, Cesar acaba sendo aprisionado num abrigo para macacos.

Sentindo-se abandonado pela ‘família’ e sofrendo maus tratos constantes nesse abrigo, Cesar começa a utilizar de sua avançada inteligência numa espécie de rebelião para garantir a sua liberdade e a dos demais macacos presentes no recinto. Para tanto, ao descobrir a fabricação de uma nova substância, AZL 113 pela Gen Sys (outros macacos estavam sendo levados a empresa como cobaias), Cesar foge do abrigo para utilizar a droga nos companheiros e por em prática sua fuga.

A AZL 113 torna-se responsável pela ascensão do planeta dos macacos. Da mesma forma que torna os primatas mais inteligentes, a substância é extremamente letal aos seres humanos como pode ser visto no sofrimento de um dos colegas de Will que teve uma mínima exposição à ela no laboratório. E com a arte nos créditos finais percebemos o quão rápido o domínio dos macacos se espalhou pelo planeta.

Com uma história empolgante e muito bem contada, Planeta dos Macacos: A Origem torna-se uma boa opção de entretenimento. James Franco, ao que o roteiro lhe reserva, cumpre muito bem o seu papel de cientista, obscurecendo todo o (diminuto) desempenho de Freida Pinto (Quem Quer ser um Milionário?), que interpreta o seu par romântico, a coadjuvante Caroline Aranha e que não se encaixou bem na trama. Por outro lado, temos mais uma excelente performance de Andy Serkis (trilogia O Senhor dos Anéis, King Kong) em mais um personagem criado a partir da captura de seus movimentos.

NOTA: 4/5

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Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

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