ANÁLISE: Maze Runner – Correr ou Morrer

10 10 2014

Um elevador está subindo. Na escuridão plena, só o ruído de seu funcionamento é perceptível. Esse é um processo que se repete já há um bom tempo. O novato chega ao que chamam de Clareira e sua presença, recém-saída de um buraco no chão, é acompanhada de perto por inúmeros garotos, todos habitantes de uma espécie de vilarejo cercado por enormes e intransponíveis muralhas que protegem um labirinto de mesmas proporções.

Todos aqui presentes já passaram por isso: chegam desnorteados, desconhecendo seu passado e seus próprios nomes. Assim como os veteranos, o novato de agora leva algum tempo para lembrar o seu, Thomas (Dylan O’Brien, da série Teen Wolf e da comédia Os Estagiários). Em um sistema de camaradagem e cooperação (o grupo exige respeito um dos outros para a comunidade se manter nos eixos), Thomas passa a se familiarizar com o ambiente, toma ciência das regras e dos perigos que o cercam assim como o estranho fato da passagem para o labirinto se fechar ao entardecer. Antes que isso aconteça é preciso que membros do grupo, chamado de Corredores, retornem de sua jornada diária: mapear todo o labirinto durante o dia e voltar antes que a abertura se feche. Ninguém que, involuntariamente, tenha quebrado essa regra sobreviveu para contar a história. As únicas duas certezas que possuíam sobre o que se passava do outro lado da muralha ao cair da noite vinham do som das paredes internas da construção se rearranjando e os grunhidos das criaturas denominadas Verdugo.

A chegada de Thomas quebra o status quo do grupo comandado por Alby (Aml Ameen, O Mordomo da Casa Branca e Juventude Rebelde). Embora na comunidade todos cumprissem com os seus deveres, tal comportamento acabava vetando uma ousadia maior de seus membros, minguando qualquer possibilidade que os tirassem dali. Seria a desobediência às regras um mal necessário? E um mundo onde não houvesse infrações e nem autoritarismo não seria perfeito como a ideia nos parece? A ousadia e curiosidade de Thomas renderam muito mais – em poucos dias – do que o trabalho daqueles que estavam ali há anos e contentaram-se apenas em descobrir os limites do labirinto. Verdade que poucos sabiam para não acabar com a esperança de todos.

Alguns aspectos da trama de Maze Runner – Correr ou Morrer devem ser relevados, bem mais até do que o limite do aceitável para um filme ser considerado bom. Mesmo querendo levar a crer que todas as possibilidades tenham sido esgotadas anteriormente, não entendemos o porquê de nenhum deles ter usado a relva que cobre as paredes do labirinto para se esconder dos tais Verdugos e obter, assim, mais tempo para investigar o local. Ou até mesmo a existência inflada de personagens para funcionarem apenas como gatilho narrativo em certos momentos e serem totalmente ignorados no restante do filme – caso de Teresa (Kaya Scodelario, de Fúria de Titãs e Lunar) e Chuck (interpretado pelo novato Blake Cooper).

Nem mesmo com o ataque maciço dos Verdugos à Clareira, a história conseguiu eliminar todos os figurantes dispensáveis. Isso afeta diretamente as cenas de ações que empolgam pelo perigo imediato (principalmente aquelas que se passam dentro do labirinto), embora sejam poucas as pessoas com quem realmente nos preocupamos. Por isso, as sequências protagonizadas apenas por Thomas funcionem melhor do que as restantes, na medida em que o ator Dylan O’Brien realiza um bom trabalho naquilo que lhe concerne, construindo um líder admirável, crível, que transmite confiança e tenha facilidade para angariar apoio dos demais. A única exceção atende pelo implicante Gally (com Will Poulter, de Família do Bagulho e As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada, assumindo bem o papel de tirano), que tem as suas motivações para agir de tal modo.

Quem vai assistir a Maze Runner – Correr ou Morrer deve ter em mente a intenção clara do estúdio em incluir uma nova franquia de sucesso em seu catálogo e finais em aberto devem, necessariamente, fazer parte dessa receita. A esperança de uma continuação vem acompanhada de um bom desempenho de público e a liderança nas bilheterias americana e brasileira já garantiu a estreia da segunda parte para setembro de 2015. Entretanto, o longa dirigido por Wes Ball (se aventurando pela primeira vez na direção de um grande projeto de Hollywood) não cria um desejo desenfreado para a espera de uma continuação, nem mesmo com a revelação do mundo pós-apocalíptico por trás do labirinto. Na realidade há sim um certo receio em aguardar o que está por vir.

NOTA: 3/5

Anúncios




Breves & Curtas #13

24 08 2014
Quando a simplicidade é o bastante para transmitir algo essencial: respeito!

Quando a simplicidade é o bastante para transmitir algo essencial: respeito!

WHITE FROG – Nick Young (Booboo Stewart, a saga Crepúsculo e X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido) sofre de síndrome de Asperger, que lhe causa uma timidez fora do comum, além de uma preferência exclusiva por camisetas azuis. Extremamente antissocial, mas inteligente. Não é a toa que seu irmão Chaz (Harry Shum Jr, Ela Dança Eu Danço e da série Glee) aproveita-se dessa habilidade para que Nick faça o seu dever de casa.

Não veja isso como uma maldade. Chaz é a única pessoa com quem Nick sinta-se normal, sempre ávido por compartilhar bons momentos com o irmão, a ponto de esperá-lo ansiosamente na janela. Um conforto que não encontra em seus pais omissos e conservadores e nem na psiquiatra contratada para melhorar o seu comportamento.

Numa das frequentes saídas para curtir a noite de sexta-feira, Chaz acaba perdendo a vida precocemente. Uma tragédia muito grande para Nick assimilar. Inconformado, ele passa a trilhar os mesmos caminhos que o irmão percorrera, aproximando-se de seu grupo de amigos e descobrindo histórias, detalhes e segredos da vida que desconhecia do seu irmão.

Uma história emocionante e comovente que incentiva e reforça a aceitação das diferenças entre as pessoas, afinal somos todos diferentes e a vida é uma eterna estrada de mão dupla. Também com as participações de Gregg Sulkin (Os Feiticeiros de Waverly Place), Tyler Posey (da série Teen Wolf e Efeito Colateral), Justin Martin (O Voo e O Solista) e Manish Dayal (O Aprendiz de Feiticeiro e do inédito A 100 Passos de um Sonho).

NOTA: 4/5

Nada mais do que: TUDO É INCRÍVEL!!! TUDO É INCRÍVEL!!!

Nada mais do que: TUDO É INCRÍVEL!!! TUDO É INCRÍVEL!!!

UMA AVENTURA LEGO – “Tudo é incrível! Tudo é incrível!” Realmente essa música gruda na cabeça e com ela o senhor Negócios controla todos os habitantes de Blocópolis, um dos diversos mundos temáticos feitos apenas de blocos Lego.

Aqui o monopólio é generalizado e todos seguem as mesmas regras, possuem os mesmos comportamentos, gostam das mesmas coisas. Mas isso não basta para o senhor Negócios que crê que seus comandados teimam em estragar todas as coisas boas que constrói. Agora ele planeja acabar com essa interferência de uma vez por todas.

Aí entra Emmet, um rapaz de mente prodigiosamente vazia (e extremamente manipulável), que se encaixa razoavelmente bem em uma profecia que elege aquele que irá combater os planos maléficos do senhor Negócios.

Na empreitada, Emmet contará com a ajuda de Megaestilo, namorada do – ninguém mais ninguém menos – Batman e ainda uma penca de personagens do mundo pop atual: Dumbledore e Gandalf, por exemplo, protagonizam a cena mais hilária da animação; mais há ainda espaço para Milhouse de Os Simpsons, Star Wars, As Tartarugas Ninjas, o presidente Lincoln, Saquille O’Neal,  Cleópatra e por aí vai.

Uma animação divertidíssima e despretensiosa até mesmo em sua resolução onde o ‘cara lá de cima’ torna-se, na realidade, o adulto pai de uma criança que mantem no porão de casa um mundo montado de brinquedo Lego. Ele era, portanto, literalmente o cara lá de cima. Assim como a coleção de blocos montáveis, Uma Aventura Lego aproveita-se muito bem de uma característica inerente à esses brinquedos: a de se moldar a qualquer história.

NOTA: 5/5

Ryan Gosling sabe escolher bem os seus trabalhos. Outro grande filme!

Ryan Gosling sabe escolher bem os seus trabalhos. Outro grande filme!

O LUGAR ONDE TUDO TERMINA – Um motociclista acrobata, cuja vida é itinerante tal qual o parque de diversões em que trabalha, resolve se fixar numa pequena cidade do estado de Nova York após descobrir ter um filho com quem teve um caso rápido e agora vive junto com outro homem.

Sem emprego, sem um local para ficar e sem condições de assumir a nova família, ele decide então, com a ajuda do único amigo na nova localidade, entrar para o mundo do crime. Com o dinheiro de assalto a bancos que ele quer convencer (a si próprio e a mãe de seu filho) que os dois juntos podem si dar certo. Só que tudo não sai como o planejado…

Entra na história o policial vivido por Bradley Cooper (Trapaça e O Lado Bom da Vida), que se torna um herói no vilarejo ao matar o Bandido da Moto, como o personagem de Ryan Gosling (Drive e Tudo pelo Poder) passa a ser conhecido. A vida do agora herói também vai do paraíso ao inferno ao cair nas engrenagens da parte corrupta da polícia.

Até que quinze se passam e o destino se encarrega de aproximar os filhos do assaltante e do policial: o primeiro levando até então uma vida, na medida do possível, tranquila e o segundo tornando-se um filho problemático e rebelde, cujo pai se encontra no meio de uma disputa política. Uma inversão dos papéis em relação aos seus respectivos pais quinze anos atrás.

Mas a vida acaba, injustamente, castigando aquele que perdeu o pai precocemente, aquele que sofreu as piores consequências do rápido e repentino envolvimento com o ‘colega’ problemático, enquanto este sempre terá a proteção do cargo público que o pai conquista!

NOTA: 5/5





1000 Episódios

5 10 2013

NOTA: O número entre parênteses após o título da produção refere-se ao número total de episódios para séries finalizadas/canceladas e o número de episódios exibidos até a data desta postagem para aquelas que ainda estão em exibição.

Ao som da trilha sonora de Jericho (e sua deliciosa vocação country), as 9 horas da manhã deste sábado, dia 05 de outubro de 2013, chego a uma marca importante para todo serie maníaco: alcançar a marcar de 1.000 episódios assistidos.

E muita coisa boa já passou por esse primeiro milhar: Lost, suas 7 temporadas com seus 122 episódios são um bom exemplo. Outras séries, no entanto, não tiveram a mesma sorte dessa e foram canceladas no meio do caminho sem um final: Alcatraz (13 episódios), Pushing Daisies (26) e The 4400 (44 episódios, embora esteja ainda na 2ª temporada da série). Rubicon (12) não conseguiu se estabelecer na minha playlist após o episódio piloto também não conseguiu emplacar e foi sumariamente cancelada logo na temporada de estreia. O mesmo destino que The Event (22) teve.

Lost, junto com Smallville, foram as séries de porta de entrada para o meu vício!

As séries britânicas também tiveram sua pequena (literalmente) participação nessa marca. Reconhecida por suas espaçosas e curtas temporadas: a excelente Survivors (12) e a empolgante releitura feita por Sherlock (6), ainda em exibição com suas microtemporadas de 3 episódios de uma hora e meia de duração e a única, entre todas as que assisto, que estou em dia! =P

Em relação aos reality-shows, dou preferência aos musicais, pois sempre me dão a chance de encontrar uma música perdida desse nosso mundão: tem American Idol (538), mesmo que tenha conferido apenas a sua 9ª temporada; The Voice Brasil (15), única produção brasileira que figura nessa lista e eu não seja um espectador assíduo e The Glee Project (21), que tinha o propósito de encontrar atores novatos para a tchran-ran-ran, Glee (90). O que me leva a confessar: sim, vergonhosamente, admito que a produção controversa de Ryan Murphy pertença a minha playlist. Fazer o quê? Bola pra frente…

Algumas produções vieram e desisti antes que terminassem, e não voltam tão cedo: Heroes (78) e Off the Map (13). Fracas é pouco para descrevê-las. Outras, não desisti, mas apenas dei uma pausa em suas ‘exibições’ por falta de tempo, mas pretendo retornar a assistir, seja num futuro próximo ou distante: Felicity (84), Cold Case (156), Smallville (217) e True Blood (70).

Em exibição e que valem a pena conferir por pura diversão, sem nenhum outro comprometimento ou elogios rasgados são: Hemlock Grove (13) da Netflix, Revolution (22) , The Big Bang Theory (139) e The Walking Dead (35). Claro que não podemos deixar passar em branco as séries clássicas, que todo fã de seriados TEM, DEVEM e NÃO PODEM deixar de assistir: que atualmente está com esse posto é The X-File (202).

Por último, reservei as minhas favoritas, as top’s das top’s, da qual sofro de amor incondicional e irrevogável: Fringe (100), Friday Night Lights (76) e Dexter (96). Todas as três já finalizadas, mas que ainda não acabei de assistir. Ainda tem a premiada Homeland (25) e as  cerejas do bolo: Treme (31) e The Big C (40).

Para comemorar, realizarei uma maratona pelas próximas dozes horas, vendo quinze episódios de 13 séries diferentes, que culminará no milésimo episódio que será o piloto de Under the Dome (13).

Mas claro que nada para por aqui. Ainda há na fila de espera muitas outras séries só aguardando a sua chance de entrar nessa lista: Californication, Band of Brothers, Hannibal, The Americans, Then & Us, Betrayal, Almost Human, Arrow, Teen Wolf, Bates Motel e a última sensação do momento Breaking Bad.

Que venham os próximos mil episódios!

Quer acompanhar essa doidera ao vivo? Acompanhe o Twitter deste que vos escreve: http://twitter.com/Konshal

 








PALPITEIRO BRASILEIRO

Campeonato dos Palpiteiros - Temporada 2017

Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Abraccine - Associação Brasileira de Críticos de Cinema

Site com atividades e informações sobre a associação que reúne profissionais da crítica cinematográfica de todo o Brasil

Sinfonia Paulistana

um novo olhar

%d blogueiros gostam disto: