Festival Varilux de Cinema Francês | parte 05

20 05 2014

Finalmente, antes tarde do que nunca, aqui estão os últimos comentários do Universo E! sobre o Festival Varilux de Cinema Francês de 2014. Pela terceira vez presente no festival, esta é a primeira vez que conseguimos falar sobre praticamente todos os filmes vistos: das 16 produções integrantes da programação, assistimos 15 e escrevemos (incluo esse post) sobre 13 deles. Um feito inédito!

Esperamos que tenham curtido! E que venham mais ótimos filmes pela frente!

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UMA VIAGEM EXTRAORDINÁRIA (França, 2013) – Sua realização por si só já é uma viagem extraordinária. Uma coprodução franco-canadense conta a história de TS Spivet (Kyle Catlett, da série The Following), que vive junto com sua família num rancho isolado no oeste americano. A mãe Clair, Helena Bonham Carter (Os Miseráveis, a cinessérie Harry Potter e Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet), colecionava insetos; o pai era um típico cowboy; a irmã sonhava em participar do concurso de miss dos EUA e o seu irmão gêmeo seguia os passos rústicos do pai, adorando manusear armas desde pequeno.

Gêmeos, a única coisa em comum entre TS e Layton mesmo era a data de nascimento. Layton (Jakob Davies, de O Homem das Sombras e Guerra é Guerra!) não possuía nenhuma fração da genialidade e engenhosidade do irmão com seus cálculos e análises científicas. Uma tragédia, no entanto, acaba levando Layton a óbito.

A perda do irmão desperta em TS um sentimento de desprezo por parte da família, especialmente sua mãe. Deslocado em seu próprio ambiente familiar, ele vê na Baird Awards (organização que premia os grandes projetos científicos) uma oportunidade de ter a sua inteligência reconhecida, ao mesmo tempo que terá a chance de se afastar de seus familiares. Mesmo que momentaneamente.

Cruzar o território americano a bordo (clandestinamente) de um trem que atravessa o território de oeste a leste não é nenhuma ideia original. Encontrar os mais diferentes tipos de pessoas nesse caminho também não. E são exatamente estes momentos que Uma Viagem Extraordinária não oferta nada de novo. O ator-mirim que vive o protagonista também não se sai bem nos momentos da trama que lhe exigem mais emoção, o que certamente garantiria uma imersão maior do espectador.

O que resta mesmo são os momentos divertidos que o roteiro apresenta ao explorar a dualidade entre a genialidade TS e a vida comum de pessoas nem tão inteligentes assim. Também não é monótona acompanhar a reconciliação entre os membros da família nessa trajetória, que conta com ótimas trilha sonora e fotografia. Uma viagem nem tão extraordinária assim, mas certamente divertida.

NOTA: 3/5

UM AMOR EM PARIS (França, 2013) – Brigitte (Isabelle Huppert, Amor e Uma Relação Delicada) e o marido vivem nos arredores de Paris onde cuidam de cabeças de gado de alto pedigree para participar de exposições competitivas de bois.

Uma vida pacata e sem sobressaltos, típica de casais com muito tempo de união e com os filhos já criados. Só de tempos em tempos que o sossego é quebrado quando jovens vindos da capital francesa organizam festas na chácara vizinha.

Em uma dessas festas, Brigitte conhece Stan (Pio Marmaï, Um Evento Feliz e Alyah), um rapaz que não está muito a vontade na festa e acaba (assim como as organizadoras da festa pedindo favores a todo momento) indo parar na porta dos vizinhos.

Interessante analisar como essa safra de filmes franceses traz a crise dos casamentos de longa data para a tela. Brigitte não está infeliz no seu matrimônio, mas está insatisfeita em como ele está girando apenas na atividade de criação de gados, algo que agrada apenas ao seu marido.

É em Paris, portanto, que ela vai em busca de sua própria felicidade, tendo como pretexto uma consulta médica. Mas não será a cidade-luz que a afastará das decepções da vida, assim como homens maduros e economicamente bem estabelecidos não serão garantia  de felicidade plena.

NOTA: 2/5

GRANDES GAROTOS (França, 2012) – Dificilmente filmes conseguem construir habilmente uma construção de personagens em um curto espaço de tempo e com cortes tão rápidos. Um exemplo clássico e insuperável até hoje é aquele elaborado na animação Up – Altas Aventuras abordando o relacionamento entre Carl Fredricksen e Ellie. Grandes Garotos utiliza-se do mesmo artifício apara estabelecer rapidamente a relação entre Lola (Mélanie Bernier, A Delicadeza do Amor e A Datilógrafa) e Thomas (Max Boublil, de Aconteceu em Saint-Tropez) uma vez que o seu grande motim será a amizade que se estabelecerá entre Thomas e seu sogro Gilbert (Alain Chabat, Uma Noite no Museu 2 e A Espuma dos Dias) .

Gilbert é o exemplo de tudo que Thomas não quer em sua vida futura: um homem infeliz, descontente no casamento e que vê sua mulher Suzanne (Sabrine Kiberlain, de Uma Juíza Sem Juízo e Políssia) envolvida apenas na caridade. Mas ao mesmo tempo, Gilbert por experiência própria, valoriza e incentiva o sonho de Thomas, que sempre é menosprezado pela namorada dele: a música.

Essa repentina amizade abordada em Grande Garotos entre genro e sogro também apresenta uma dualidade e um choque entre gerações. E o título se refere a absoluta falta de maturidade existente nas ações deles, quando passam a dividir momentos juntos, em detrimento ao relacionamento destes com suas respectivas esposa/namorada.

Apenas quando uma rápida incursão no mundo fonográfico torna-se uma grande frustação (principalmente quando se rendem às vontades e traquejos de uma cantora-mirim irritante) que Thomas e Gilbert percebem o quão importante eram suas vidas anteriores à essa jornada – mesmo que isso não se traduzisse em todos os seus desejos realizados. Só que há um único problema: agora eles terão que reconquistar suas amadas que já estavam se acertando com outros companheiros. E isso pode não ser tão fácil quanto parece.

O grande destaque aqui fica por conta de uma das cenas finais, quando Thomas resolve invadir uma conferência internacional para declarar (mais uma vez) o seu amor por Lola, utilizando-se de uma gag recorrente no filme.

NOTA: 3/5

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Festival Varilux de Cinema Francês | parte 03

19 04 2014

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OS INCOMPREENDIDOS (França, 1959) – Não tem como começar a falar de Os Incompreendidos sem citar sua cena inicial, que percorre as ruas centrais de Paris com a câmera sempre apontada para a Torre Eiffel. Uma das maiores demonstrações de amor à França já realizada pelo cinema.

Da mesma forma, temos que reconhecer os benefícios que a projeção digital traz aos filmes, principalmente os antigos. Os Incompreendidos, de François Truffaut filmado em 1959, ganha uma versão restaurada no novo formato, que realça ainda mais toda a beleza de sua fotografia em preto-e-branco.

Para sua época, Os Incompreendidos traz uma família extremamente moderna. A figura materna que cabe a atriz Claire Maurier (O Fabuloso Destino de Amélie Poulain e Minhas Tardes com Margueritte) é extremamente independente, trabalhando fora para auxiliar no sustento da casa juntamente com o pai. O filho, Antoine (Jean-Pierre Léaud, Beijos Proibidos e Masculino-Feminino), também tem uma educação diferenciada e igualmente independente pois está ciente de seus afazeres domésticos e escolares.

A educação, no entanto, não acompanha a mesma modernidade do círculo familiar. Escolas separadas por sexo e professores severos com seus sistemas primitivos de punição aos alunos irrequietos. Um ambiente não recomendável para Antoine que (assim como a maioria das crianças na sua idade) gostava de desafiar as regras.

De lá para cá pouca coisa mudou na vida dos alunos (pré)adolescentes. O que mudou radicalmente, sim, foram os motivos que levavam os estudantes a burlar as aulas. As contravenções eram baseadas no compartilhamento de calendários de borracharia (e suas mulheres semi-nuas) ou os cinemas de rua da época ou, ainda, uma versão inicial do que seria hoje os parques de diversão. Tudo para, em seguida, a ausência do dia anterior ser justificada pela morte de algum membro familiar.

Nada que o protagonista temesse, nem mesmo a ameaça de ser transferido para um internato militar (muito mais severo que a sociedade externa em que vivia), o que fatalmente ocorreria. Sinal de que a rebeldia juvenil não é nenhuma novidade e nem  um comportamento recente, como já dizia Elis Regina: ”vivemos como nossos pais”.

NOTA: 5/5

LULU, NUA E CRUA (França, 2013) – Lucie (Karin Viard, Delicatessen e Políssia), mas pode chamar de Lulu, é uma mulher casada e com filhos que vive a crise da meia idade, não satisfeita com os rumos que sua vida tomou. Grande parte da responsabilidade por esses infortúnios é gerada pelo seu marido, um cara extremamente desrespeitoso com ela. Nem é preciso conhecê-lo para sabermos disso, uma simples ligação e a rispidez de sua voz já nos é suficiente.

Lulu demorou muito para lidar com toda essa situação até que decide, em certo ponto de sua vida, procurar um novo emprego longe de sua cidade. Nem há necessidade de mencionar a total ausência de apoio por parte da família. A desilusão dela é tanta que chega a entrar no banheiro masculino sem perceber.

Acostumada a ser submissa e desvalorizada a todo instante como pessoa, os percalços enfrentados quando decide dar uma guinada em sua vida não a incomodam nem um pouco. Com muita naturalidade que Lulu perde o seu trem de volta, não se aborrece quando tem o cartão do banco retido pelo caixa eletrônico e não tem dinheiro nem para se hospedar e muito menos para comer. Nada a abala.

Ela, porém, não enfrentará essas mudanças sozinhas. Outras pessoas a auxiliarão a se reencontrar consigo mesma e assim tornar-se alguém com mais amor próprio. Inclui-se aí Charles (Bouli Lanners, Ferrugem e Osso, A Grande Volta e Uma Juíza sem Juízo), exemplo clássico de praticidade e simplicidade (vide a cena do celular na praia) e seus dois irmão desajustados; Marthe (Claude Gensac, Ela Vai e 22 Balas), uma senhora cheia de energia apesar da idade, que ensinará que nunca é tarde para recomeçar; e reconhecerá aspectos muito semelhantes de sua vida em uma garçonete que é ridicularizada pela dona do restaurante em que trabalha.

Misturando a dramédia com situações típicas de obras de auto-ajuda, Lulu, Nua e Crua tem lá a sua mensagem positiva, mas sofre um pouco com o ritmo da narrativa, não ultrapassando a linha limite dos filmes razoáveis, aceitáveis, mas que rapidamente cairão no esquecimento.

NOTA: 3/5

UM BELO DOMINGO (França, 2013) – Já presente em nosso terceiro festival Varilux, é interessante observar o modo como o olhar contemporâneo do cinema francês recai sobre as questões contemporâneas da sociedade atual. Um tema bastante recorrente na cinematografia francófona retratando pessoas e/ou famílias em busca de seus sonhos. Um Belo Domingo é mais um excelente dessa constatação.

Baptiste (Pierre Rochefort, Adeus Minha Rainha e O Sequestro de um Heroi) desempenha sua função de professor substituto (naquele que seria o nosso ensino fundamental) com certa satisfação, lidando com muita facilidade com seus alunos. Nada fora do usual até que as aulas de sexta-feira acabem.

O jovem professor percebe que um de seus alunos, Mathias (o novato Mathias Brezot), ainda se encontra na porta da escola muito tempo depois de todos já terem ido embora. Baptiste, então, oferece uma carona até a casa do menino onde encontra o pai bon vivant, mais preocupado com seu carro luxuoso, com a beldade de sua namorada e na viagem deles para Mônaco do que com aquele fardo que acabara de chegar, também conhecido como ‘seu filho’. Ciente da situação constrangedora que se encontra e não visualizando nenhuma alternativa, Baptiste se voluntaria (mais uma vez) a ficar com o garoto durante o final de semana.

Assim, Mathias tem a oportunidade de viajar com o professor (em uma sugestão sua) para o litoral, local onde sua mãe, Sandra (Louise Bourgoin, Um Evento Feliz e A Religiosa), trabalha num quiosque de requinte à beira-mar. Conhecendo-a, Baptiste entra em mais um novo conflito, já que Sandra vem sendo cobrada constantemente de um empréstimo que fez recentemente.

Numa sucessão de problemas a serem resolvidos (algo também bastante comum no cinema da França), Baptiste terá que desenterrar o seu passado para conseguir auxiliá-la. Um passado que não queria desenterrar tão cedo.

NOTA: 5/5





RETROSPECTIVA 2012 – parte 2

28 12 2012

JULHO – O segundo semestre de 2012 começou com uma crítica a distribuidora Columbia Pictures que, iniciando as vendas para a sessão de pré-estreia a meia-noite para  O Espetacular Homem-Aranha, resolve numa grande picaretagem, abrir pré-estreias regulares ao longo da semana de estreia. E sem nenhum aviso prévio acaba cancelando as sessões da meia-noite. Mas mesmo assim, o fraco longa do aracnídeo protagonizado por Andrew Garfield (A Rede Social e Não me Abandone Jamais) ganhou a sua análise.

Carly Rae Jepsen, dona de um dos grandes hits de 2012: Call me Maybe!

Carly Rae Jepsen, dona de um dos grandes hits de 2012: Call me Maybe!

Uma desculpa recorrente ao longo do último semestre foi o ‘vazio criativo’ na elaboração de novos posts para o Universo E!. Para manter o blog porcamente atualizado, um dos métodos mais utilizados por mim é partir para as músicas. Em julho os hits de Rihanna (Where Have You Been), Carl Rae Jepsen (Call me Maybe) e The Wanted (Chasing the Sun) foram os escolhidos para, popularmente dizendo, tapar o sol com a peneira, ou seja, colocar algum conteúdo novo por aqui quando a criatividade não ajuda.

Para finalizar este mês tivemos o triste incidente que manchou a estreia da conclusão de uma das mais bem-sucedidas franquias baseadas em super-heróis com o massacre da cidade de Aurora nos EUA, durante uma sessão de pré-estreia do filme Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, vitimando 12 vidas inocentes…

Cena de Um Evento Feliz, com o ator Pio Marmaï (esq), que também protagonizou o francês Alyah

Cena de Um Evento Feliz, com o ator Pio Marmaï (esq), que também protagonizou o francês Alyah

AGOSTO – Foi um mês de felicidade extrema com a realização do Festival Varilux de Cinema Francês 2012. Dos 17 filmes inéditos exibidos, o Universo E! comentou sobre 11 filmes: A Filha do Pai, A Vida vai Melhorar, Um Evento Feliz, Intocáveis, Paris-Manhattan, Aqui Embaixo, My Way – O Mito além da Música, E Agora, Aonde Vamos?, O Monge, Alyah e Políssia. Realizamos assim a maior cobertura até aqui de um festival de cinema, em quase um mês inteiro dedicado a este evento (dia 01, dia 02 e considerações finais), uma vez que foi finalizado com algumas análises sendo postadas em setembro.

SETEMBRO – O ano de 2012 pode ser marcado como um ano de extremos. Saímos de um mês de grandes alegrias para um setembro de grandes perdas tanto para o Cinema quanto para a cultura brasileira: perdemos o ator Michael Clark Duncan, dia 03  (À Espera de um Milagre) e a apresentadora de televisão Hebe Camargo, dia 29. E foi também no funeral da comunicadora que obtivemos uma das imagens mais tocantes, com o selinho dado por Silvio Santos no corpo de Hebe durante o velório.

Para não ficarmos apenas nos fatos tristes, o Google comemorou o 46º aniversário de Star Trek com um doodle muito bem produzido e tivemos o anúncio das vendas antecipadas para o filme de conclusão da saga Crepúsculo: Amanhecer – parte 2.

OUTUBRO – Mais uma evidência de como a criatividade andou em baixa por aqui com apenas duas atualizações, no primeiro e no último dias do mês: no primeiro dia foi mais uma edição de A Rede pelo Twitter alertando sobre um possível retorno da girl band Rouge. Ficou reservado para o último dia de outubro o anúncio da venda da Lucasfilm para a Walt Disney Company, um negócio feito por George Lucas, o fundador, e pegou a todos de surpresa. Foi engatilhado junto com a venda o início da produção de um sétimo filme baseado na saga de Star Wars.

NOVEMBRO – Mais um comentário sobre o interessante exercício de associar uma música à um livro, o que digo sempre, enriquece a sua experiência literária. O livro da vez foi A Menina que Roubava Livros. Música: Shadow of the Day, do grupo Linkin Park, mas na versão dos meninos do Boyce Avenue.

Em novembro tivemos a conturbada informação sobre as vendas de ingressos para a pré-estreia de O Hobbit: Uma Jornada Inesperada, que teve uma abertura inicialmente restrita a Cinemark em São Paulo e depois, gradualmente, sendo liberada em outras redes de cinema nas mais diversas cidades brasileiras. Outra excelente boa notícia foi a realização de maratona das versões estendidas dos filmes da trilogia O Senhor dos Anéis.

A rede Cinemark (apesar dos pesares) também trouxe O Hobbit em HFR e ainda promove o Projeta Brasil Cinemark nos meses de novembro!

A rede Cinemark (apesar dos pesares) também trouxe O Hobbit em HFR e ainda promove o Projeta Brasil Cinemark nos meses de novembro!

Análises dos filmes inéditos: o argentino Elefante Branco e o juvenil As Vantagens de ser Invisível. E o projeto Projeta Brasil Cinemark finalizou o mês, sendo vistos os longas Xingu e Gonzaga – De Pai pra Filho.

DEZEMBRO – Mês de festas. Mês de retrospectivas. Mês do fim do mundo. Mês de poucas atualizações. Mês reservado para falarmos sobre o problemático Moonrise Kingdom (em breve). Mês de retornamos a Terra-média com O Hobbit – Uma Jornada Inesperada, inclusive com um novo formato de imagem – o HFR (high frame rate). Mês de conferirmos As Aventuras de Pi, o novo longa de Ang Lee, que em breve também ganhará sua análise por aqui.

Dezembro é o mês de agradecermos a você, caro e querido leitor, pelas visitas e pelos comentários realizados ao longo desse ano e convidá-los a continuar conosco em 2013. Afinal sua presença é essencial ao Universo E!

O UNIVERSO E! deseja a todos vocês, um feliz e próspero 2013!!!

O UNIVERSO E! deseja a todos vocês, um feliz e próspero 2013!!!

É em dezembro também que desejamos a vocês, os mais sinceros votos de felicidade, prosperidade e de grandes realizações para 2013. E que o próximo ano seja repleto de bons filmes e boas séries! Até lá!





Festival Varilux de Cinema Francês 2012 – dia 01

22 08 2012

O Universo E! apresenta agora sua cobertura do Festival Varilux de Cinema Francês 2012. As postagens serão divididas nos dias em que os filmes foram vistos (com alguma ou outra exceção). Serão resenhas rápidas detalhando superficialmente as produções que estiveram presentes no festival! Bom divertimento!

A FILHA DO PAI – Patricia, uma jovem que mora com pai, Pascal Amoretti, e suas irmãs no interior da França no final da década de 30, acaba conhecendo Jacques, filho de um comerciante local, que se encontram meio que sem querer. Do encontro repentino, o bastante para criar uma paixonite típica de adolescente, ela acaba engravidando dele e dessa gravidez que Patricia passa a sofrer as consequências do conservadorismo e do machismo da sociedade na época em que vive.

A partir desse momento ela se encontra sozinha e desamparada, uma vez que Jacques, um aviador recém-formado, fora chamado para comparecer em guerra; ela vai ter que lidar com esse fardo com o pai, uma vez com a ausência da mãe, o que dificulta ainda mais a situação. Mesmo com o seu bom humor, Pascal não deixa de ser severo com o ocorrido, mas tenta de todas as formas contornar a situação da filha sem tomar atitudes drásticas: seja procurando apoio da família Mazel ou casando a filha com Félipe, seu colega de trabalho, portador de uma inocência muito incomum para quem já passa dos seus 40 anos.

Sendo infrutífera todas essas tentativas, ele acaba mandando sua filha para morar com a irmã para fugir dos prováveis comentários da pequena localidade que vive.

O próprio tempo se encarrega de corrigir alguns erros cometidos pelas pessoas que compõe a narrativa: ao descobrir por terceiros que Patricia dera a luz a um menino (um antigo sonho seu, já que era pai apenas de garotas), Pascal aceita o retorno de sua filha para casa;  a informação de que Jacques Mazel morrera em combate, faz os pais dele se reaproximarem da família e da criança. E tudo volta aos trilhos quando a notícia da morte do rapaz é desmentida e ele retorna a França para finalizar a história de amor e selar a união das duas famílias.

NOTA: 4/5

A VIDA VAI MELHORAR  A situação não está boa para ninguém na atual França. Nem para Yann, chef de cozinha, que tenta se recolocar no mercado de trabalho e nem para Nadia, imigrante libanesa, que tenta se manter no país com o filho Slimane com o pouco que ganha em um restaurante. Um encontro repentino e casual entre os dois, leva-os a próxima etapa mais séria do relacionamento. E rapidamente, do primeiro encontro, já vemos os três desfrutando um momento de descontração.

É aqui que eles se deparam com um imóvel abandonado numa localidade aos arredores de Paris e planejam construir ali o seu próprio negócio. Sonhos e mais sonhos os levam a imaginar um futuro melhor para si mesmos, já imaginando o sucesso que o estabelecimento poderia alcançar. Sem o capital inicial necessário, Yann e Nadia entram na roda financeira dos empréstimos: o empréstimo imobiliário para compra do local e o financeiro para a necessária reforma do edifício, além de empréstimos pessoais mais arriscados, mas fáceis de obter, para conseguirem dar o sinal exigido.

Uma inspeção das autoridades municipais, entretanto, põe tudo a perder, impedindo a abertura do local e exigindo alterações no projeto que lhes custariam um dinheiro que não tinham mais. O filme passa a descumprir os bons votos de seu título: de que a vida vai melhorar.

O bom relacionamento entre Yann e Nadia começa a se desfazer com o tempo com a pressões das cobranças das dívidas, trazendo-os a um beco sem saída. Nadia aceita uma promoção no seu emprego e vai tentar a sorte em Montreal; Yann, na teimosia de não querer vender o imóvel (e ainda arcar com as dificuldades e as responsabilidades de cuidar de Slimane) com o objetivo de seguir com o planejado. Todas essas decisões causa uma angústia nos espectadores porque sequência após sequência nada parece dar certo para eles.

Esgotada todas as possibilidades de quitar o que deve, uma vez que a dívida se tornara uma verdadeira bola de neve, Yann num ato de desespero total rouba um de seus financiadores para fugir junto com Slimane para o Canadá. Mas como nada é fácil para eles, em Montreal descobrem que Nadia fora presa injustamente acusada de tráfico de drogas, motivo pelo qual não entrava em contato com o filho há meses. Agora, numa cidade totalmente desconhecida, eles terão que lutar para tirá-la da prisão ao meso tempo em que terão, se estabelecer nessa nova realidade. Do zero. E aí sim, com a esperança retratada pela cena final, melhorar de vida.

NOTA: 5/5

UM EVENTO FELIZ – conta a história de Barbara e Nicolas: um jovem casal desajustado e inconsequente (mas apaixonados) no estabelecimento da difícil vida a dois e na criação de um filho.

Na base do bom humor que conta todas as peripécias desde a gestação, do nascimento e dos primeiros meses da criança e o que isso acarreta para a vida pessoal de cada um e para a vida amorosa deles, que em troca da liberdade sem consequências da adolescência, passaram a ter as obrigações e as burocracias de uma família recém-estabelecida. Para facilitar ainda mais as coisas, as sogras são um grande empecilho na situação: enquanto a mãe dela beira a rebeldia do anarquismo, a mãe dele, conservadora e inflexível, sufoca a vida dos dois quando sua ajuda lhe é solicitada.

O filme é, acima de tudo, sobre amadurecimento, onde só com muita perseverança consegue-se construir aquilo que um amor verdadeiro proporciona.

NOTA: 3/5

INTOCÁVEIS – Driss é mais um dos imigrantes presentes na atual sociedade francesa. Com um passado turbulento envolvendo sua saída do Senegal, ele tenta à sua maneira vencer na vida e ganhar o seu salário no final do mês. O que não vem necessariamente acompanhado de trabalho. Apostando no preconceito existente e inerente a sua raça, ele corre atrás de três assinaturas nas residências que procuram profissionais para cuidar de pessoas com deficiência física. Isso validaria o seu pedido de seguro-desemprego junto ao governo, garantindo algum rendimento para os três meses seguintes. Mas nesse caminho ele não contava encontrar com o Philippe, um milionário tetraplégico, que vê em Driss a oportunidade de resgatar, pelo menos em parte, o passado aventureiro de sua vida.

Do vínculo forte e inesperado dessa amizade que surge algo especial e fascinante em Intocáveis que funciona como uma crítica a sociedade moderna e seus exageros excêntricos com contornos bem humorados nas observações ácidas e satirizadas de Driss. Demonstrando também uma quebra do paradigma no relacionamento entre um milionário preso a cadeira de rodas e um imigrante negro, pobre, que lida diariamente com o preconceito e a violência em seu cotidiano na periferia de Paris. Tendo na sua premissa um potencial imenso de se tornar uma história melodramática, Intocáveis usa esse choque de contrastes de múltiplas maneiras sem insultar a inteligência do espectador.

Se há um encaixe perfeito na questão de temperamento entre os protagonistas, tanto patrão quanto funcionário são úteis um ao outro para resolver suas respectivas pendências diárias, contribuindo significativamente um na vida do outro. Driss com a oportunidade tem a possibilidade de ampliar as expectativas de vida para sua família (tia e os primos mais novos); Philippe, por sua vez, teve a chance de vivenciar novamente seus dias de jovem aventureiro e poder viver, por um breve momento e em suas limitações, com alguém que o tratasse naturalmente sem a piedade e a distância usual das pessoas que lidam com pessoas com essas mesmas características.

NOTA: 5/5








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Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Atual Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. É o Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

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