ANÁLISE: Os Vingadores

27 04 2012

Como vimos anteriormente nos filmes solo dos super heróis, Os Vingadores também começa com um prólogo para estabelecer, sem perda de tempo, os propósitos do vilão da vez: para vingar-se de seu irmão Thor (Chris Hemsworth, Star Trek, A Trilha), Loki (Tom Riddleston, Cavalo de Guerra e Meia-Noite em Paris) quer atacar a Terra com um exército alienígena e assumir o controle do planeta. Para tanto, ele precisa de uma enorme quantidade de energia que  só o cubo Tesseract (que rondou pelos outros filmes) pode suprir, que por sua vez, está guardado nas instalações da SHIELD. Quando o cubo é roubado por Loki e seus capangas, a organização comandada por Nick Fury (Samuel L. Jackson, de 1408 e Pulp Fiction – Tempo de Violência) convoca os vingadores para detê-los antes que seja tarde demais.

Com os heróis já apresentados em seus respectivos filmes, Os Vingadores dedica poucos minutos de sua introdução para apresentar uma personagem em especial: Viúva Negra (Scarlet Johansson, de Encontros e Desencontros e A Ilha). Embora já tenha sido creditada no segundo Homem de Ferro, é aqui que ela ganha uma sequência só dela, o que não ocorre com Gavião Arqueiro (Jeremy Renner, Missão Impossível 4: Protocolo Fantasma e Guerra ao Terror).

Homem de Ferro (Robert Downey Jr, Sherlock Holmes: O Jogo das Sombras e Zodíaco), Hulk (Mark Ruffalo, Ilha do Medo e Colateral), Capitão América (Chris Evans, Quarteto Fantástico e Qual seu Número?) e Viúva Negra são os primeiros convocados por Nick Fury. Thor vem de Askard para tentar resolver sozinho a questão com o irmão, mas mal sucedido acaba também se juntando ao grupo. A captura de Loki é a primeira sequência de lutas conjuntas dos heróis e um pequeno aperitivo para o que Vingadores ainda reserva. Mesmo preso, o renegado de Askard ainda conta com o apoio externo de um Gavião Arqueiro sob uma espécie de feitiço, que ainda mantem o plano de invasão da Terra.

Claro que Loki é um risco considerável, mas é a desunião e a richa interna entre os vingadores que fazem os planos do inimigo funcionarem. Com os egos inflados, Thor e Homem de Ferro gastam boa parte do tempo e de suas energias lutando entre si, da mesma forma que Hulk nutre desafetos pelos dois. As intenções mal esclarecidas do investimento da  SHIELD no Tesseract irrita ainda mais os ânimos do grupo, retardando o contra-ataque dos defensores da Humanidade. Os Vingadores torna-se então um festival de piadas e referências a cultura pop com Tony Stark como porta-voz principal, sendo o grande piadista da trupe, tirando sarro de tudo e de todos, algo muito aguardado por todos nós por dois motivos: o histórico de seu personagem e pelo talento de Robert Downey Jr em papéis com esse perfil. Como exemplo, parte dele uma referência à trilogia O Senhor dos Anéis num determinado momento da batalha final.

As cenas de humor  são muito bem mescladas com as lutas épicas realizadas pelos heróis de uma forma que não quebra o ritmo frenético e alucinante do longa. Assim, não é exagero confessar o arrepio que se sente ao ver todos eles realmente reunidos numa sequencia pela primeira (e única) vez ou quando o diretor desencadeia vários planos da batalha onde podemos acompanhar alternadamente os confrontos de cada herói.

Como gênero de blockbuster, Os Vingadores se estabelece como um belo exemplar ao atingir níveis surreais de ação e de bom humor sem debandar para o lado da comédia tola. Mas esse patamar só é atingido por um fator extremamente favorável: o maior grupo de heróis do cinema deveria ter um inimigo compatível à sua força e daí, como consequência, as batalhas vistas aqui. Um projeto dessa magnitude poderia muito bem ser boicotado pelos seus próprios realizadores se limitassem a sua criatividade, mas o provável limite deu lugar a uma bem-vinda ousadia em impactar o espectador.

Um marco para o cinema de multidão e não foi à toa que se tornou um dos filmes mais esperados para 2012!

NOTA: 5/5

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ANÁLISE – Contra o Tempo

5 10 2011

Uma explosão vitima todos os passageiros de um trem em uma aparente tranquila manhã de Chicago. Tudo o que se sabe sobre o caso é que, esse incidente seria só o início de uma série de atentados planejados para ocorrerem nesse mesmo dia.

A ocasião torna-se perfeita para o governo americano testar um de seus novos programas anti-terrorismo pós 11 de setembro: o código-fonte. O código-fonte recoloca um militar americano no momento antes da explosão no trem – mais precisamente 8 minutos antes -, sob a consciência de um dos passageiros, desde que ambos sejam compatíveis biologicamente. Tal iniciativa proporcionada pelo projeto não mudaria em nada o que ocorreu após o primeiro atentado, mas evitaria os atentados posteriores. Se os resultados forem positivos aqui, o código-fonte será a nova arma dos EUA contra o terrorismo.

O militar escolhido para essa missão é Colter Stevens (Jake Gyllenhaal, Zodíaco e O Segredo de Brokenback Mountain), piloto da Força Aérea Americana, que tentando descobrir o responsável pelos atentados passa a (re)viver os oito minutos que antecederam a explosão no trem.

Paralelo a isso, o longa vai nos dando indícios do passado de Stevens nos momentos em que o mesmo volta a sua sufocante realidade: uma espécie de cápsula, onde seus únicos contatos são Coleen Goodwin (Vera Farmiga, Os Inflirados e Amor sem Escalas) e o idealizador do projeto, doutor Rutledge (Jeffrey Wright, 007 – Casino Royale e Sob o Domínio do Mal). Através dessa idas e vindas que Stevens percebe que os fatos como lhe são apresentados não se encaixam: como um piloto da Força Aérea servindo ao seu país no Afeganistão pode estar investigando um atentado na cidade de Chicago? Isso que Colter Stevens tem que descobrir ao passo que milhões de vidas dependem do seu trabalho investigativo a bordo do trem.

Esse é um ótimo trunfo que o roteiro de Contra o Tempo apresenta. Ao invés de ser apenas mais um filme com teorias sobre viagem no tempo, o filme apresenta uma outra questão tão intrigante quanto para o espectador, embora seu clímax não atinja o nível desejado de tensão. O filme começa e termina sem uma grande reviravolta.

Por outro lado, o questionamento levantado por seu ato final é deveras interessante. Um lado descartado pelo Dr. Rutledge, criador do código-fonte de fato existe: a criação de uma nova realidade quando todos os protocolos não são seguidos. A criação dessa nova versão do mundo não interfere e nem altera o que de tão grave aconteceu com Colter Stevens como piloto militar. A sua existência agora estará atrelada a uma outra pessoa e isso, com certeza, não suaviza a sua realidade.

NOTA: 4/5





Outubro vazio

2 11 2010

As novidades andam escassas por aqui. É, eu sei.

Outubro foi um mês muito fraco de estreias nos cinemas.

Se essa escassez por um lado é ruim para o espectador – mês passado só uma vez no cinema por exemplo, – por outro é muito bom para o cinema nacional. Tropa de Elite 2 reina absoluto nas bilheterias, desbancando estreias semana após semana, e ainda tem fôlego para muito mais, visto a quantidade de salas que ainda o exibem depois de trinta dias dominando as telonas.

Se a temporada de filmes está fraca procuramos distração no lazer dentro de casa: em DVD mês passado já vi Juno, O Dia Depois de Amanhã e Zodíaco. E no campo da literatura venho curtindo e me emocionando muito com a estória de A Cidade do Sol. Khaled Hosseini constrói uma trama muito envolvente ambientada no desértico Afeganistão, sob a difícil realidade de duas mulheres, Mariam e Laila, cujos destinos tratam de aproxima-las.

Mesmo ainda na metade, A Cidade do Sol, desperta em mim a ansiedade não só de conferir os próximos capítulos, mas também de mergulhar em outra obra do autor e mais conhecida também: O Caçador de Pipas. Embora tenha visto a história no cinema, o longa aumenta ainda mais as minhas expectativas quanto a obra.








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Blog do Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Atual Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. É o Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

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