ANÁLISE – Scott Pilgrim contra o Mundo

13 01 2011

Scott Pilgrim contra o Mundo trata-se de uma homenagem, uma celebração à cultura pop moderna, brincando a todo o momento através de sua história com as fórmulas, os sons, as formas marcantes dessa indústria específica de entretenimento.

A história de Scott Pilgrim (Michael Cera, de Juno) é retratada na telona sempre na base dos elementos inerentes à cultura pop: com gráficos que lembram os videogames, desenhos animados, histórias em quadrinhos, os próprios filmes de super-heróis ou os japoneses mangás e animês. E nada mais natural que finalizar essas referências do que a banda de rock do qual o protagonista é integrante.

Depois de uma grave e nada convencional desilusão amorosa, Scott inicia um tímido relacionamento com uma menina não muito adequada aos seus 22 anos de idade. Tal namoro não o impede, pelo menos, de observar e apaixonar-se a primeira vista por uma garota de cabelos coloridos, de gênio difícil, com um passado misterioso e funcionário da famosa loja americana Amazon: Ramona.

Passada a dificuldade inicial de se aproximar dela, Scott descobre que um simples relacionamento com Ramona desencadeia uma série de tarefas árduas a serem cumpridas: enfrentar todos os setes integrantes da Liga de Ex-Namorados de Ramona. Isso mesmo, totalmente trash!

Se a cultura pop prioriza por produtos de conteúdo rápido, a edição de Scott Pilgrim contra o Mundo se incumbe de dar essa velocidade a narrativa. E de tão veloz, chega a ‘nocautear’ o espectador, que em certos momentos pode se sentir perdido na trama com a constante mudança local e temporal dos personagens, embora o roteiro mantenha-se contínuo nessas alterações. Como se diz popularmente, o filme não deixa a peteca cair.

Como uma aura independente, o longa permite-se brincar a todo momento com o mundo dos nerds e com si mesmo. Numa espécie de ‘obra dentro de obra’ é hilário a aparição de um dos ex-namorados de Ramona, o ator interpretado por Chris Evans: de vilão na história principal para o super-herói do filme no qual seu personagem é o ator principal, Chris Evans surge ao som tema da Universal Studios, estúdio responsável pela produção de Scott Pilgrim. (Vale destacar também a abertura do filme no qual o globo, marca da Universal está estilizado com pixels e o som tema é tocado na forma daquelas musiquinhas irritantes, mas notálgicas, de minigame).

Muitos besteróis americanos (categoria em que muitos podem encaixar esse filme) se contentariam em contar a história até aqui relatada. Mas Scott Pilgrim trata logo de quebrar esse clichê acrescentando uma reviravolta em sua parte final, onde Gideon, ex-atual-futuro namorado de Ramona é responsável pela criação da liga dos ex-namorados, quebrando a obviedade da trama e trazendo um rumo novo para a narração.

Totalmente non-sense, Scott Pilgrim contra o Mundo nos diverte na medida certa e por não se levar a sério, não se importando com o quê as pessoas vão achar, a montagem despreocupada torna-se o principal êxito da trama. E por ser um gênero pouco chamativo para Hollywood, o longa traz rostos conhecidos por cinéfilos: além dos já mencionados Michael Cera e Chris Evans, conta com a participação também de Brandon Routh (Superman – O Retorno) como um dos ex-namorados e Anna Kendrick (Amor sem Escalas, A Saga Crepúsculo), irmã do protagonista.

NOTA: 4/5.

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