Mostra Internacional de Cinema SP 2014 | parte 4

27 10 2014

-> Antes de mais nada, me perdoem por qualquer erro de concordância/português/edição que venha aparecer nos textos a seguir. A correria é grande e o tempo para escrever/revisar/editar é pouco. Espero que aproveitem! 

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TEMOS QUE SAIR DAQUI (EUA, 2013)– Bobby e os namorados BJ e Sue são um trio de amigos com uma típica juventude no estado do Texas. Os dois últimos vão se mudar da pequena cidade rumo a faculdade, deixando BJ para trás. Para bancar uma festa de despedida digna para a amizade entre eles, BJ assalta Giff, sem saber que o mesmo trabalha para um gângster da região, o Big Red.

O autor do furto e seus cúmplices (já que o ajudaram a gastar toda a grana em um único final de semana), ou seja, os três amigos são obrigados a repor a quantia roubada. O alvo? Big Red em uma de suas conhecidas transações de lavagem de dinheiro.

Soma-se a confusão a traição de Sue com Bobby descoberta por BJ. Sem ter ninguém com quem contar numa situação dessas, BJ revela o caso para Giff que se aproveita da situação e trama em segredo sem que saibamos se o que vem em seguida seja realmente uma consequência da ação dos protagonistas ou uma armação.

Assim, Temos que Sair Daqui envereda por caminhos interessantes entre o indie e o thriller, saindo-se bem nos dois campos, enquanto o seu título vai ganhando diferentes interpretações até a chegada de seus créditos finais.

NOTA: 4/5

QUANDO OS ANIMAIS SONHAM (Dinamarca, 2014) – Marie está começando uma nova etapa em sua vida ao começar em um novo trabalho com cortes de peixes. Em casa, junto com o pai, ela ajuda a cuidar de sua mãe que precisa de atenção constante.

O fato de estranhas manchas vermelhas surgirem em eu corpo, o que exige acompanhamento médico frequente, está intimamente ligado ao fato de sua mãe viver numa cadeira de rodas agora. Assim como sua protagonista, o espectador de Quando os Animais Sonham também vai, aos poucos, descobrindo os segredos que envolvem Marie e sua mãe e o porquê as duas despertam tanta desconfiança naqueles que a conhecem.

As revelações ocorrem lentamente, a medida que o aparecimento das características físicas da criatura interna em Marie vão surgindo. As humilhações que esta sofre dos colegas no emprego apenas aceleram o processo de transformação e intensificam as explosões temperamentais, cada vez mais recorrentes, da garota. Uma ficção inteligente na construção do suspense e na explicação de sua própria mitologia de lobisomens, que fica subtendida entre os acontecimentos.

NOTA: 4/5

A GANGUE (Ucrânia, 2014) – Um grupo de adolescentes vive numa espécie de internato onde aparentemente não há controle algum após o término das aulas. Estudam ali durante o dia, mas saem com extrema facilidade durante a noite sem serem impedidos por ninguém.

Com essas escapadas noturnas, eles conseguem manter o grupo informalmente constituído por eles. Assaltam vítimas indefesas na saída de supermercados, passageiros de trens de viagem e usam as poucas meninas que o compõem para arrecadar dinheiro satisfazendo o prazer sexual de caminhoneiros. A crise ocorre quando um dos garotos começa a gostar de uma das meninas e torna-se um empecilho para o funcionamento habitual da gangue.

A Gangue é uma realização extremamente corajosa e ousada. A história em seu resumo é comum para todos os seus espectadores, mas a construção da mensagem em cada uma de suas cenas é uma tarefa individual. A menos, é claro, que você compreenda a língua dos sinais. O filme em todos os seus 132 minutos é “falado” nessa língua e uma mensagem em seu início é clara: não haverá legendas na sessão que se inicia. Saem os nomes dos personagens e entram as características físicas dos atores para distinguirmos quem é quem na trama. Por essa razão que o filme possui um trabalho primoroso em mixagem e edição de som.

Mas não se deixe enganar. Apesar de ser todo em libras, esse fato não alivia e nem atenua a imensa carga de violência que o filme traz consigo. Não só pelas ações desses jovens, mas envolve também a realização de um aborto clandestino e um ato de vingança em sua última sequência. Crueldade é pouco para descrevê-lo.

NOTA: 5/5

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Mostra Internacional de Cinema SP 2014 | parte 1

19 10 2014

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15 ANOS + 1 DIA (Espanha)– A rebeldia comportada de Jon (vamos admitir, as suas ‘travessuras’ nem são tão graves assim para justificar a sua suspensão de 3 meses na escola) o leva a passar uma temporada na casa de seu avô, longe de qualquer apetrecho eletrônico.

Por mais problemático que seja, Jon (Arón Piper, de Maktub) tem um bom relacionamento com sua mãe (Maribel Verdú, do inesquecível O Labirinto do Fauno e E Sua Mãe Também), uma atriz que poderia ser veterana, mas não é. A dificuldade para ela conseguir um trabalho qualquer é tanta que até a própria mãe dela admite que a situação só não é pior devido ao bom patrimônio deixado pelo pai de Jon, cuja morte ocultada vira um dos escopos da trama.

E esse é o grande problema de 15 Anos + 1 Dia – a quantidade excessiva de temas abordados –, que acaba enfraquecendo-o como um todo narrativamente falando. Uma hora são problemas inerentes a qualquer adolescência comum, depois são os problemas familiares do passado que ainda ecoam no presente, uma discussão tola envolvendo uma desnecessária briga de vizinhos e, por fim, uma questão policial que ocupa toda a sua metade final. Tudo desenvolvido sem um aprofundamento apropriado e sem despertar o interesse necessário.

NOTA: 2/5

PÁSSARO BRANCO NA NEVASCA (EUA/França)– Podemos dizer que Kat (mas a não a Katniss de Jennifer Lawrence em Jogos Vorazes e sim Katrina Connor, vivida pela igualmente linda Shailene Woodley – vista recentemente em produções de grande apelo público como Divergente e A Culpa é das Estrelas) amadureceu bem apesar de todo o estranho ambiente familiar que a cercava.

Seus pais viviam um autêntico casamento de fachada, um relacionamento onde imperava a infelicidade. Eva Green (de Cruzada e Sin City: A Dama Fatal), que interpreta a mãe da adolescente, Eve Connor, encarna maravilhosamente bem todas as fases e temperamentos de sua personagem: desde a esposa dedicada e ideal no início de casamento até chegar ao ápice de uma mulher a beira da loucura, consumida pelo tédio que a união com Brock Connor (Christopher Meloni, Noites de Tormenta e O Homem de Aço) despertou.

Estar na pele de Kat não era mesmo uma tarefa fácil, que ouvia quase a todos os instantes as lamentações da mãe pelo casamento até o momento em que essa desaparece em 1988, quando a garota tinha então 17 anos. Pode até parecer estranho, mas o sumiço repentino da mãe pouco alterou a rotina da filha: continuava saindo com seus melhores amigos Beth (Gabourey Sidibe, que surgiu no filme Preciosa: Uma História de Esperança e da série The Big C) e Mickey (Mark Indelicato, da série americana Uggly Betty); tinha que conviver com um pai apático e apenas o seu relacionamento com Phil (Shiloh Fernandez, A Morte do Demônio e A Garota da Capa Vermelha) vinha esfriando desde então.

Embora não consiga desenvolver suas subtramas (caso de Kat com o detetive que investiga o sumiço de sua mãe) com a mesma qualidade vista no plot principal, Pássaro Branco na Nevasca melhora sempre quando volta para o seu foco primordial: desvendar o que de fato ocorreu com Eve. O longa de Gregg Araki (também diretor de Mistérios da Carne) não assume as características de um thriller policial, mas se sai bem na parte investigativa utilizando-se de pistas soltas ao longo da história. Não podemos deixar de citar a boa trilha sonora com músicas da época e o carisma demonstrado por seu elenco de coadjuvantes.

Nada disso, porém, preparou ou indicou o caminho para o seu desfecho e suas motivações.

NOTA: 4/5

FILHO DE TRAUCO (Chile) – No Chile há uma lenda que diz que crianças cujos pais são desconhecidos e são criadas por mães solteiras acabam sendo chamadas de ‘filhos de Trauco’. Uma crendice muito popular em vilarejos afastados dos grandes centros urbanos, encravados no interior do país. Crendice que ganha ainda mais força em uma comunidade instalada numa ilha isolada da parte continental do país.

O protagonista do filme, Jaime (o novato Xabier Usabiaga), se enquadra parcialmente nessa descrição.  O jovem de 14 anos desconhece a sua paternidade, mas mesmo sendo habitante da ilha, não cai facilmente nos contos criados pelos seus conterrâneos. O seu espírito poético é libertador (que mais tarde o longa revela ser um dom herdado de seu pai), o que invoca nele uma imensa vontade de deixar a ilha e seguir para o norte do Chile, rumo à uma cidade maior. Uma ideia que ganha mais força ao ser suspenso injustamente pela direção de sua escola em um caso de plágio.

Filho de Trauco é o primeiro longa-metragem do diretor Alan Fischer, que a partir de uma lenda urbana, cria uma aventura juvenil com Jaime em busca da verdade sobre a identidade de seu pai, deparando-se com uma nova versão sobre a identidade do seu pai e o que lhe ocorreu a cada passo dado. Tudo envolto por uma atmosfera híbrida meio fantástica, meio real, criada habilmente através de criativos créditos iniciais (que acabam nos apresentando a ilha onde a trama se passa) e as recriações digitais de visões de Violeta (a estreante Ignacia Tellez), o primeiro interesse amoroso de Jaime. Mas nada muito além disso.

NOTA: 3/5

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ATENÇÃO: Esse post inicial é apenas um aperitivo. A cobertura do Universo E! na 38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo continua no próximo fim-de-semana, onde dedicaremos, no total, 5 dias ao festival.





Festival Varilux de Cinema Francês | parte 05

20 05 2014

Finalmente, antes tarde do que nunca, aqui estão os últimos comentários do Universo E! sobre o Festival Varilux de Cinema Francês de 2014. Pela terceira vez presente no festival, esta é a primeira vez que conseguimos falar sobre praticamente todos os filmes vistos: das 16 produções integrantes da programação, assistimos 15 e escrevemos (incluo esse post) sobre 13 deles. Um feito inédito!

Esperamos que tenham curtido! E que venham mais ótimos filmes pela frente!

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UMA VIAGEM EXTRAORDINÁRIA (França, 2013) – Sua realização por si só já é uma viagem extraordinária. Uma coprodução franco-canadense conta a história de TS Spivet (Kyle Catlett, da série The Following), que vive junto com sua família num rancho isolado no oeste americano. A mãe Clair, Helena Bonham Carter (Os Miseráveis, a cinessérie Harry Potter e Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet), colecionava insetos; o pai era um típico cowboy; a irmã sonhava em participar do concurso de miss dos EUA e o seu irmão gêmeo seguia os passos rústicos do pai, adorando manusear armas desde pequeno.

Gêmeos, a única coisa em comum entre TS e Layton mesmo era a data de nascimento. Layton (Jakob Davies, de O Homem das Sombras e Guerra é Guerra!) não possuía nenhuma fração da genialidade e engenhosidade do irmão com seus cálculos e análises científicas. Uma tragédia, no entanto, acaba levando Layton a óbito.

A perda do irmão desperta em TS um sentimento de desprezo por parte da família, especialmente sua mãe. Deslocado em seu próprio ambiente familiar, ele vê na Baird Awards (organização que premia os grandes projetos científicos) uma oportunidade de ter a sua inteligência reconhecida, ao mesmo tempo que terá a chance de se afastar de seus familiares. Mesmo que momentaneamente.

Cruzar o território americano a bordo (clandestinamente) de um trem que atravessa o território de oeste a leste não é nenhuma ideia original. Encontrar os mais diferentes tipos de pessoas nesse caminho também não. E são exatamente estes momentos que Uma Viagem Extraordinária não oferta nada de novo. O ator-mirim que vive o protagonista também não se sai bem nos momentos da trama que lhe exigem mais emoção, o que certamente garantiria uma imersão maior do espectador.

O que resta mesmo são os momentos divertidos que o roteiro apresenta ao explorar a dualidade entre a genialidade TS e a vida comum de pessoas nem tão inteligentes assim. Também não é monótona acompanhar a reconciliação entre os membros da família nessa trajetória, que conta com ótimas trilha sonora e fotografia. Uma viagem nem tão extraordinária assim, mas certamente divertida.

NOTA: 3/5

UM AMOR EM PARIS (França, 2013) – Brigitte (Isabelle Huppert, Amor e Uma Relação Delicada) e o marido vivem nos arredores de Paris onde cuidam de cabeças de gado de alto pedigree para participar de exposições competitivas de bois.

Uma vida pacata e sem sobressaltos, típica de casais com muito tempo de união e com os filhos já criados. Só de tempos em tempos que o sossego é quebrado quando jovens vindos da capital francesa organizam festas na chácara vizinha.

Em uma dessas festas, Brigitte conhece Stan (Pio Marmaï, Um Evento Feliz e Alyah), um rapaz que não está muito a vontade na festa e acaba (assim como as organizadoras da festa pedindo favores a todo momento) indo parar na porta dos vizinhos.

Interessante analisar como essa safra de filmes franceses traz a crise dos casamentos de longa data para a tela. Brigitte não está infeliz no seu matrimônio, mas está insatisfeita em como ele está girando apenas na atividade de criação de gados, algo que agrada apenas ao seu marido.

É em Paris, portanto, que ela vai em busca de sua própria felicidade, tendo como pretexto uma consulta médica. Mas não será a cidade-luz que a afastará das decepções da vida, assim como homens maduros e economicamente bem estabelecidos não serão garantia  de felicidade plena.

NOTA: 2/5

GRANDES GAROTOS (França, 2012) – Dificilmente filmes conseguem construir habilmente uma construção de personagens em um curto espaço de tempo e com cortes tão rápidos. Um exemplo clássico e insuperável até hoje é aquele elaborado na animação Up – Altas Aventuras abordando o relacionamento entre Carl Fredricksen e Ellie. Grandes Garotos utiliza-se do mesmo artifício apara estabelecer rapidamente a relação entre Lola (Mélanie Bernier, A Delicadeza do Amor e A Datilógrafa) e Thomas (Max Boublil, de Aconteceu em Saint-Tropez) uma vez que o seu grande motim será a amizade que se estabelecerá entre Thomas e seu sogro Gilbert (Alain Chabat, Uma Noite no Museu 2 e A Espuma dos Dias) .

Gilbert é o exemplo de tudo que Thomas não quer em sua vida futura: um homem infeliz, descontente no casamento e que vê sua mulher Suzanne (Sabrine Kiberlain, de Uma Juíza Sem Juízo e Políssia) envolvida apenas na caridade. Mas ao mesmo tempo, Gilbert por experiência própria, valoriza e incentiva o sonho de Thomas, que sempre é menosprezado pela namorada dele: a música.

Essa repentina amizade abordada em Grande Garotos entre genro e sogro também apresenta uma dualidade e um choque entre gerações. E o título se refere a absoluta falta de maturidade existente nas ações deles, quando passam a dividir momentos juntos, em detrimento ao relacionamento destes com suas respectivas esposa/namorada.

Apenas quando uma rápida incursão no mundo fonográfico torna-se uma grande frustação (principalmente quando se rendem às vontades e traquejos de uma cantora-mirim irritante) que Thomas e Gilbert percebem o quão importante eram suas vidas anteriores à essa jornada – mesmo que isso não se traduzisse em todos os seus desejos realizados. Só que há um único problema: agora eles terão que reconquistar suas amadas que já estavam se acertando com outros companheiros. E isso pode não ser tão fácil quanto parece.

O grande destaque aqui fica por conta de uma das cenas finais, quando Thomas resolve invadir uma conferência internacional para declarar (mais uma vez) o seu amor por Lola, utilizando-se de uma gag recorrente no filme.

NOTA: 3/5





Breves & Curtas #9: Festival É Tudo Verdade | Campinas

28 04 2014

A mais nova edição do Breves & Curtas traz a nossa cobertura especial do Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade em sua itinerância por Campinas. A passagem do festival pela cidade do interior paulista e nessa semana por Brasília (de 30/04 a 04/05) e por Belo Horizonte em julho, traz os vencedores e os principais destaques produções das edições integrais do É Tudo Verdade que ocorreram em São Paulo e no Rio de Janeiro no início do mês.

Os nossos textos durante os três dias em que estivemos na capital paulista pode ser visto nos links a seguir: dia 01, dia 02 e dia 03.

Vamos conferir agora o que vimos em Campinas:

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HOMEM COMUM (Brasil, 2013)  Vencedor do prêmio CPFL Energia / É Tudo Verdade: Janela para o Contemporâneo (melhor documentário brasileiro de longa/média-metragem

Utiliza das semelhanças de dois filmes – o dinamarquês Ordet (1955) e o americano Life, the Dream (2012) – para moldar o retrato de vida de um caminhoneiro e sua família durante quase 20 anos. Uma mescla interessante entre o que é real e o que é ficção.

NOTA: 4/5

SOBRE A VIOLÊNCIA (Suécia, EUA, Dinamarca e Finlândia, 2014) – Uma análise da violência a partir do colonialismo e, principalmente, quando esta surge com a descolonização. Aqui, países como Zimbábue, Moçambique, Angola, Guiné-Bissau são as grandes vítimas da opressão religiosa, militar, social e econômica dos países europeus, uma intervenção dizimadora de culturas.

Em troca de suas riquezas naturais, o povo explorado recebia miséria, pobreza, fome e desolação. Incisivo em suas denúncias, Sobre a Violência levanta outras questões interessantes: o prevalecimento de valores cristãos (tal como a supremacia do branco perante o negro) e do porquê as nações africanas não tiveram o seu devido ressarcimento tal qual as nações europeias após a expansão e extinção do nazismo no Velho Continente. Não se trata de uma questão financeira, mas sim de oferecimento de condições propícias ao próprio desenvolvimento da África: a lógica de menos comida e mais ferramentas.

O documentário de Göran Hugo Olsson ainda é corajoso em sua conclusão ao defender uma nova organização social mais humana, distanciando-se o máximo possível daquela propagada pelos europeus. Algo muito mais complexo do que a simples substituição do capitalismo pelo socialismo.

NOTA: 5/5

UM HOMEM DESAPARECE (Japão, 1967) – Um conturbado, complicado, burocrático e confuso documentário sobre uma única questão: por que, num país pequeno como o Japão, tantas pessoas desaparecem? A produção de Shohei Imamura persegue os passos de um homem que abandonando sua família e sua noiva.

A investigação tenta reconstruir os passos do desaparecido com as limitações tecnológicas da época sem nenhum registro eletrônico – seja de imagens de câmera ou de informações bancárias confiáveis.

Tudo é baseado 100% em entrevistas de testemunhas que por ventura tenham visto tal pessoa muito tempo depois dos fatos ocorridos. Um tempo o suficiente para que a memória apague qualquer detalhe mais preciso.

Embora entremos em contato com um lado desconhecido da sociedade japonesa (como a traição e a prostituição), a base da narrativa enfraquece completamente Um Homem Desaparece. Tanto pela mudança constante de foco da “investigação”, quanto pela perda de um longo tempo com discussões irritantes e banais entre acusado e acusador.

NOTA: 1/5

JASMINE (França, 2013) – Vencedor do prêmio de melhor documentário internacional de longa/média-metragem

Não foi só na política que França e Irã se relacionaram diretamente, uma vez que Paris foi refúgio do aiatolá Ruhollah Khomeini durante as Revolução Iraniana de 1979. Na mesma época e envolvendo os mesmos países está a história de amor entre o francês Alain e a iraniana Jasmine.

Para documentar esse conturbado relacionamento, que evoluiu e definhou tal como o estado político do Irã, entram em cena a leitura de cartas trocadas entre os dois, a animação em stop-motion (e seus bonecos de argila) e imagens de arquivo para registrar outra história de amor impossível. Mais uma entre tantas outras, mas contada de forma inesperada.

NOTA: 3/5

20 CENTAVOS (Brasil, 2014) – Com a transformação de celulares e smartphones em pequenas centrais de mídia, os protestos de junho de 2013 puderam ser vistos e compartilhados pelas redes sociais, onde coube a cada manifestante registrar em seu aparelho os gritos, os excessos da polícia, o vandalismo irracional de delinquentes encapuzados de uma manifestação plural e de múltiplos objetivos e interesses.

O documentário de 53 minutos de Tiago Tambelli nada mais é do que um apanhado geral dessas imagens (com uma qualidade melhor do que a de um celular), com poucos efeitos gráficos e envolto por trilha sonora. Apesar do ineditismo, de ser o primeiro produto audiovisual finalizado a menos de um ano dos protestos, a produção não acrescenta nada de novo aos olhos mais atentos que acompanharam a cobertura da mídia tradicional. Cobertura que utilizou fartamente dos aparelhos portáteis dos manifestantes.

NOTA: 2/5





19º Festival É Tudo Verdade | dia 03

12 04 2014

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BARDOT, A INCOMPREENDIDA (França, 2013) Brigitte Bardot considerada uma das dez atrizes mais lindas da história do Cinema. Símbolo sexual na década de 60, Bardot conseguiu quebrar a hegemonia das americanas, sendo a única europeia a ganhar destaque e espaço na mídia dos EUA.

Tanto sucesso e beleza, rivalizando inclusive com Marilyn Monroe, despertou a paixão (platônica) em muitos(as) fãs. David Teboul é um desses homens que foram fisgados pela estonteante Bardot, cuja admiração o levou a realizar este documentário.

Talvez essa seja o maior problema do documentário. Embora faça uma abordagem ampla e detalhada de toda a carreira da atriz francesa, com uma pesquisa longa em fotos e trechos em que a atriz atuou, David privilegia a sua visão passional para abordar o universo construído ao redor de Brigitte Bardot, onde a sua admiração ganha mais valor em tela do que a persona da artista. Um mal uso do acesso exclusivo que o diretor teve com os arquivos pessoais daquela que, desde que abandonou a carreira artística, dedica-se a uma vida reclusa e toda dedicada a causa animal.

NOTA: 1/5

DOMINGUINHOS (Brasil, 2014) –  Um pião rodando. Cactos. Bolinha de gude. Trote de cavalo. O movimento sincronizado com o som da respiração. Em imagens desgastadas, o documentário dirigido a seis mãos dos estreantes Joaquim Castro, Eduardo Nazarian e Mariana Aydar vai apresentando aquilo que fez parte da infância de José Domingos de Morais, mais conhecido por Dominguinhos (o Neném do Acordeão) em Garanhuns, estado de Pernambuco.

A influência do pai (também músico) com quem teve o primeiro contato com a sanfona, a inspiração nos baiões românticos de Luiz Gonzaga. Foi inclusive com a sanfona dada por ele que Dominguinhos conseguiu se firmar no Rio de Janeiro para onde se mudou, se apresentando nas barcas que realizavam a travessia Rio-Niterói.

Ao contrário de outras personalidades, Dominguinhos teve um amplo arquivo em imagens e vídeos para ilustrar as várias passagens da trajetória de seu simpático homenageado. Não há como não se divertir com os causos contados pelo próprio Dominguinhos, por exemplo, o seu arrependimento por não estar presentes nas diversas homenagens que recebeu no exterior devido o medo de voar. Vê-se o reconhecimento (não só nacional) à um artista humilde e autodidata que transitou por todos os estilos musicais com muita desenvoltura. Não a toa que outra de suas alcunhas era ser o ‘sanfoneiro pop’.

NOTA: 5/5

A FAMÍLIA DE ELIZABETH TEIXEIRA / SOBREVIVENTES DA GALILEIA (Brasil, 2014)   Constituem mais dois bons motivos para você (assim como eu) que teve a ousadia de não ter assistido Cabra Marcado para Morrer. Feitos pelo documentarista Eduardo Coutinho para compor os extras do DVD de Cabra Marcado para Morrer, esses dois vídeos ganharam uma sessão especial na edição desse ano do festival É Tudo Verdade. Uma justíssima homenagem ao mestre dos documentários brasileiros, assassinado brutalmente no início desse ano.

Aqui, Coutinho leva o espectador a revisitar os personagens que sofreram com a história real de João Pedro Teixeira, líder da Liga dos Camponeses, assassinado em uma emboscada, retratada em Cabra Marcado para Morrer. Revisitar sim, pois os mesmos personagens ganham uma retrospectiva de suas faces com o passar dos anos na tela, auxiliando aqueles que não viram a obra original dos quais esses extras originaram. Uma família cujos membros carregam consigo a dor da falta do convívio harmônico de seus entes após a perda de seu patriarca.

Desde então, alguns se dispersaram pelo país com cicatrizes há mais de trinta anos abertas, escrevendo novas histórias de vida, sentindo falta daquela união comum entre uma família; outros, tentam sobreviver e assim preservar a história (de geração em geração) escrita por seus antepassados e os palcos onde ela foi encenada.

Brilhantemente, Eduardo Coutinho conduz esse reencontro entre personagens/espectador com um carisma e companheirismo únicos, capazes de trazer momentos de bom humor à uma história marcada pela tragédia. Características de uma índole que poucos documentaristas no mundo podem afirmar possuir.

NOTA: 5/5

 

—> A nossa cobertura especial do festival internacional de documentários É Tudo Verdade 2014 ainda contará com dois textos especiais sobre duas produções que consideramos serem os grandes destaques em nossa estadia de três dias no evento. Aguardem!





Itinerância Mostra SP 2013 – parte 1

29 11 2013

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JACKIE (Holanda / EUA): Uma foto de duas menininhas no bolso de uma mulher em um acidente em Novo México nos EUA faz com que Sofie e Danielle deixem a Holanda para tirarem-na do hospital. O nome dessa desconhecida dá nome ao longa.

Jackie é a mãe de aluguel das duas holandesas criadas em seu país natal por seus dois pais. Para irmãs gêmeas possuem personalidades e visões de vida completamente diferentes e quase nenhum convívio entre elas. Chega ser cômico que  essa mulher, estranha em suas vidas até então, seja a responsável por tampar esse “buraco” existente no relacionamento delas. Ao lidar com a velha rabugenta a bordo de seu ultrapassado motor-home, Jackie se transforma num road-movie disposto a sanar todas as questões do passado das irmãs e também reservar a elas raros momentos conjuntos de descontração, sinceridade e amizade.

Enquanto Sofie deixa o seu perfil profissional em crise de lado e passa a se preocupar mais com os problemas pessoais da irmã, Danielle concretiza o grande sonho de como seria viver ao lado de sua “mãe real”. Interessante observar como o rápido convívio nessa viagem introspectiva de redescobertas mudam rapidamente o relacionamento entre elas – Jackie pega um apreço muito grande por suas “meninas” agora: defendendo-as e salvando-as num mundo com qual tem completo domínio. E sua simples presença torna-se um forte encorajamento para que Sofie e Danielle tomem decisões que jamais optariam se não estivessem passando por essa experiência, que também inclui um convite ao próprio passado de Jackie. As atrizes Holly Hunter (da série Saving Grace e da animação Os Incríveis) e as irmãs também na vida real Carice van Houten (O Resgate de Órgãos e Game of Thrones) e Jelka van Houten se saem muito bem em interpretar esses nuances.

Com uma fotografia linda, passando pelo amarelado do árido deserto de Novo México e as paisagens brancas ornadas de gelo e gesso (!), Jackie ainda reserva uma inesperada e divertida reviravolta em seu ato final, fugindo do lugar-comum que filmes com tramas semelhantes tenderiam a adotar. Mesmo se esse não fosse o caso, Jackie ainda assim se firmaria como uma ótima experiência cinematográfica.

NOTA: 5/5

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BWAKAW (Filipinas): Rene vive no interior das Filipinas solitariamente, aguardando a chegada de sua morte ao lado de sua inseparável companheira canina Bwakaw.

Aposentado, o senhor ainda continua a trabalhar sem receber nenhum pagamento numa agência postal local de pouquíssimo movimento, cultivando aqui algumas amizades de seu limitado círculo social. Entre seus outros compromissos rotineiros, Rene ainda visita Alice  em uma casa de repouso, que mais tarde revela ser sua antiga namorada de um relacionamento de 15 anos; lida quase diariamente com sua vizinha insistente que teima em pedir graças para sua neta enferma a uma imagem de Jesus Cristo que ele possui em casa e um salão de cabeleireiro gerido pela ‘mãe’ e sua assistente Tracy, dois gays assumidos.

O lado interessante de Bwakaw é o fato de Rene também ser homossexual, mas covarde, de acordo com suas palavras, por aceitar tardiamente essa sua “condição”, sendo este o principal motivo por levar uma vida sozinha.

Mesmo solitário, Rene revela ter um bom coração quando se observa sua preocupação com pessoas próximas a ele, mesmo se tratando uma versão filipina de Carl Fredricksen, o senhorzinho de Up – Altas Aventuras. Este lado bondoso preenche a lacuna de humor  para a qual a narrativa de Bwakaw reserva algumas divertidas subtramas: o caso do caixão, o constante conflito de Rene com a dupla de cabeleireiros e ainda a morte de Minda, sua companheira de trabalho.

Bwakaw lida com a questão dos homossexuais de duas formas distintas: uma natural e mais séria, tendo Rene como sua figura central, que lida com as formas veladas ou não de preconceito: nesse quesito entra a amizade/inimizade feita com Sol, condutor do triciclo de passageiros típico das Filipinas; do lado oposto, temos a visão escrachada e estereotipada dos gays, com a ‘mãe’ e Tracy como representantes, com maquiagem e comportamento propositalmente exagerados.

Paralelamente a esses acontecimentos temos o adoecimento da cadelinha Bwakaw, que é diagnosticada tardiamente com câncer, exigindo alguns cuidados emergenciais por parte de seu dono antes de sua partida definitiva. Ao longo da narrativa, o velho Rene tem alguns lampejos de otimismo e de felicidade, embora momentâneos, pois no final de tudo pouca coisa muda em sua vida. Uma casa mais arejada e decorada? Sim. Mas a solidão agora é ainda maior, tanto pela ausência de sua companheira de quatro patas, quanto pela distância mantida por aqueles que não o aceitam como ele é!

NOTA: 5/5





Um pedacinho da Mostra de São Paulo em Campinas

23 11 2013

A 37ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo realizada entre os dias 18 e 31 de outubro na capital paulista e que recebeu em sua programação cerca de 350 títulos, agora realiza a sua tradicional Itinerância pelas cidades do litoral e interior de São Paulo. E a partir do próximo dia 26 até domingo, 1º de dezembro, será a vez de Campinas receber um pedacinho do que foi exibido em São Paulo em uma ação conjunta na cidade entre o SESC e o Topázio Cinemas, uma parceria que ocorre pelo 3º ano consecutivo.

A abertura da Itinerância da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em Campinas ocorre na sede do SESC SP da cidade as 19h30 com a sessão gratuita do filme holândes A Montanha de Matterhorn na terça. De quarta a domingo, a programação continua no complexo do Topázio Cinemas no Shopping Prado.

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Confira a programação completa a seguir e os respectivos endereços:

SESC/SP Campinas – Rua Dom José I, 270/333, Bairro Bonfim (entrada gratuita)

  • 26/11 — 19h30: A Montanha Matterhorn (Holanda)

Topázio Cinemas (Shopping Prado) – Avenida Washington Luís, 2480, Vila Marieta — Ingressos: R$ 3,00 (p/ associados SESC) — R$ 15 (inteira) e R$ 7,50 (meia)

  • 27/11 — 19h00: Jackie (Holanda / EUA)
  • 27/11 — 21h00: Bwakaw (Filipinas)
  • 28/11 — 19h00: La Jaula de Oro (México)
  • 28/11 — 21h00: Cães Errantes (Taiwan / França)
  • 29/11 — 19h00: Centro Histórico (Portugal)
  • 29/11 — 21h00: Meteora (Alemanha / Grécia)
  • 30/11 — 19h00: Run & Jump (Irlanda / Alemanha)
  • 30/11 — 21h00: Dark Blood (EUA / Reino Unido / Holanda)
  • 01/12 — 19h00: Marina (Bélgica / Itália)




Fundação Make-a-Wish transforma São Francisco em Gotham City por um dia…

15 11 2013

… para realizar o grande sonho de uma criança!

Hoje, dia 15 de novembro, a cidade de São Francisco nos EUA tornou-se a cidade natal do Batman. E tudo isso fez parte de um projeto inspirador da fundação Make-a-Wish, que possibilitou ao pequeno Miles de 5 anos  (que luta contra a leucemia),  a chance de combater o crime fantasiado como seu super-herói favorito.

Toda a ação do garoto combatendo alguns dos arqui-inimigos do Cavaleiro das Trevas foi televisionada ao vivo pela rede americana ABC, enquanto o perfil da fundação no Twitter postou fotos dessa jornada heroica durante todo o dia.

O Batkid, como foi carinhosamente apelidado, teve direito a um batmóvel personalizado para derrotar vilões como Charada e o Pinguim e salvar reféns por toda a cidade, numa operação que reuniu mais de 10 mil voluntários que culminou com o garoto homenageado por uma multidão recebendo a chave da cidade!

Veja as fotos dessa emocionante ação:

1) A aventura de Miles por toda São Francisco ocorreu a bordo desse autêntico batmóvel:

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2) Dá pra imaginar a felicidade do garoto a bordo do veículo…

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3) Para salvar os cidadãos em perigo, Miles contou com a ajuda de Batman “crescidinho”:

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4) Charada não foi páreo para a bravura do pequeno herói:

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5) Miles, 5 anos, dá uma pausa na aventura para uma sessão de fotos mais do que merecida:

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6) Após um árduo dia de combate ao crime, Miles recebe a chave da cidade:

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7) Uma multidão acompanha de perto as aventuras de Miles:

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8) Batkid arrebata milhares de fãs por São Francisco:

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ANÁLISE: Guerra Mundial Z

14 07 2013

Há algo muito errado em Guerra Mundial Z: ou por ser ambicioso demais em sua premissa e não conseguir executá-la adequadamente ; ou o receio em assustar o seu espectador, na clara intenção de conseguir uma classificação indicativa baixa e o que isso viria acrescentar em sua bilheteria, ao optar por decisões covardes e conservadoras em sua narração. Ou, também, pode ser a junção de ambas as opções.

O conservadorismo está presente desde o início do filme de Marc Forster (Em Busca da Terra do Nunca e 007 – Quantum of Solace). Nem para situar o contexto dos seus personagens, Guerra Mundial Z se distancia de seus antecessores de mesma temática: a aparente tranquilidade da humanidade em recortes dos noticiários, a situação de perigo dos personagens principais em meio a uma multidão, a apresentação inicial das criaturas da vez atacando inocentes ou a sua transformação em cobaias de laboratório. Tudo isso já foi explorado com muito mais propriedade em Eu sou a Lenda, por exemplo. Uma abordagem preguiçosa e repetitiva como se pode notar.

O ritmo frenético em apresentar Gerry Lane  (Brad Pitt, Clube da Luta e O Curioso Caso de Benjamin Button) salvando sua família da pandemia de zumbis em sequências que duram pouquíssimos segundos na tela, imprime uma falsa noção de tensão na história, um nervosismo que o roteiro não consegue construir e muito menos manter com a insistência de esconder os zumbis em cortes rápidos e confusos. Se a intenção era criar medo a partir do desconhecido, essa estratégia falhou totalmente. Até a forma como eles são apresentados é muito seca: a conversão da forma sadia para a infectada ocorre a partir de contorcionismos muito bem ensaiados, mas pouco explorados ao longo da narrativa. No mais, os zumbis são apenas vultos e gritos.

Com um passado mal apresentado, baseado apenas em “pai abandonar a profissão por ficar muito tempo ausente no cotidiano familiar”, Kerry tem a ótima vantagem de ser útil a Organização das Nações Unidas, que se mantem afastada do apocalipse a bordo de sua frota naval no Oceano Atlântico. Embora esse refúgio seja apenas uma troca de favores (afinal seus responsáveis não hesitam em expulsar a família de Kerry assim que suspeitam de sua morte em determinado momento), a ONU passa a trabalhar para obter a cura para essa epidemia.

Se há dificuldades em construir uma história crível num cenário específico, Guerra Mundial Z passa a se desenvolver ao redor do mundo: Coreia do Sul, Israel e País de Gales surgem na trama como se todos os países estivessem localizados no mesmo quarteirão que os EUA, tamanha a rapidez com os personagens entram e saem deles.

Ainda tem que se observar que o roteiro abusa da boa vontade do espectador ao inserir um número considerável de cenas absurdas no decorrer do filme, por exemplo: um tropeço causar a morte de um determinado personagem; uma cortina do avião impedir que os passageiros não percebessem o pânico generalizado na outra classe da aeronave e até mesmo a detonação de uma granada, enquanto viajavam a uma considerável altitude…

Mesmo contando com outros clichês, os últimos 20-30 minutos de Guerra Mundial Z merecem destaque por sua concepção. Além de colocar pela primeira vez (e tardiamente) em perigo o personagem de Pitt, essa sequência tem um ritmo interessante de ação, despertando uma atenção crescente pelo desenrolar de toda a situação. E a resolução de toda a trama revela uma corajosa decisão, uma coragem que o filme inteiro preferiu não ter. Ou seja, este filme é mais um exemplar do gênero apocalíptico, que repete a mesmíssima receita dos demais longas do gênero e mesmo assim não consegue obter êxito!

NOTA: 2/5





Círculo de Fogo encerrando a atual temporada de blockbusters

13 07 2013

Guillermo del Toro (de O Labirinto do Fauno e Hellboy) é o diretor responsável por finalizar a temporada 2013 de blockbusters no cinema, que compreende os meses de maio, junho e julho, período que marca a proximidade das férias de verão para os nossos amigos no hemisfério norte, do Canadá e EUA até a Europa.

Diversas animações foram reservadas para essa época:  já vieram as continuações Universidade Monstros pela Disney/Pixar, e Meu Malvado Favorito 2 pela Universal (que também desbancou O Cavaleiro Solitário com Johnny Depp da liderança das bilheterias americanas na sua estreia). Há ainda a estreia programada de Turbo da DreamWorks Animation para esse período. Na categoria de filmes de heróis, Homem de Ferro 3, O Homem de Aço e Wolverine – Imortal também desembarcam(ram) nesse período. Já a produção de del Toro compete juntamente com os pós-apocalípticos Depois da Terra (com Will Smith e sua prole) e Guerra Mundial Z (com Brad Pitt).

Apesar de estrear por aqui no início de agosto (dia 09 para ser mais específico), Círculo de Fogo faz parte do grupo formado pelos blockbusters já citados. E ao contrário destes, não há nenhuma grande estrela no elenco, que conta com muitos rostos oriundos de séries televisivas para mostrar a batalha entre monstros alienígenas e robôs gigantes.

E muito antes da estreia já há comentários rondando a web e as redes sociais sobre as semelhanças desse filme com o animê/mangá Evangelion, sem mencionar o fato de que robôs gigantes já foram utilizados na narrativa de Gigantes de Aço ano passado.

Enquanto Círculo de Fogo não estreia por aqui, confira o trailer logo abaixo e mate ansiedade conferindo os outros blockbusters em cartaz nos cinemas brasileiros. Opção é o que não falta!

 








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